quarta-feira, 10 de agosto de 2016

A ESPERA

ESPERA

Presa à saudade esperei  a noite
e o teu peito feito cama para o meu descanso.

Vesti-me de festa, com fios de ausência
e no esplendor da nudez  
entreguei o corpo à brisa
que te traria até mim.

A brisa veio,
carregada de silêncios e presságios febris,
ao mesmo tempo que o sol morria
pintando o céu de vermelho sangue,
receios e sussurros magoados.

Quis sorrir, mas o sorriso morreu-me na garganta.
Só os olhos falaram,
dizendo tudo o que eu não queira ouvir.

Fechei-os os olhos
e quase em prece,
sussurrei à noite
que te trouxesse até mim.

Em  tom de lamento ,
escrevi na pele
um daqueles diálogos só nossos
em que a magia dos corpos
se transforma em melodia.

Depois esperei…
e só eu sei se vieste.


© Graça Costa


terça-feira, 9 de agosto de 2016

GOSTO TANTO

Gosto tanto!
De gente que brilha sem dizer palavras.
De olhares doces e sorrisos ternos.
De abraços fortes e corações leves.
Gosto tanto!
De amizade honesta.
De nobreza de caracter.
De sinceridade.
Gosto tanto!
Do conforto do abraço.
Da ternura do enlaço.
Do beijo e do cansaço.
Gosto tanto!
Do sol nos cabelos.
Da chuva no rosto.
Da brisa na pele.
Do teu sorriso.
Gosto…Gosto tanto!
Da liberdade de sentir.
Do grito,
do recolhimento.
Da magia e do encantamento.
Gosto e por gostar tanto
persisto em ser assim…
simples,
mas tão cheia de mim.
©Graça Costa


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

NA PONTA DOS DEDOS

Acordei com as mãos entrelaçadas nas tuas
e parei de respirar só para te sentir.
Nesse encontro de pele e alma
senti a magia de um amanhecer sem pressas
e deixei-me levar pelo embalo da brisa
que lá fora batia o compasso do dia.
Das tuas mãos nasceu a descoberta do encontro,
a vibração emergente da paixão
visível no delicado tactear da pele,
na subtileza do toque,
no gemido terno,
na fome do beijo,
no previsível êxtase.
Tudo bebi,
com a calma do amanhecer
e no embalo da manhã descobri,
que por vezes,
o amor começa…
na ponta dos dedos.

©Graça Costa
imagem da web


terça-feira, 2 de agosto de 2016

CONVERSANDO COM O SILÊNCIO

Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas
uma alma secreta de murmúrios vestida
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
do seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema
que antes de o ser já dança na retina
já penetra a pele com a intensidade de um beijo
e desperta a fome do amor vivido em firmamentos distantes.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz, não seja voz
mas pele…
sedenta de outra pele.


©Graça Costa

                                                              John Larriva

NAMELESS LOVE

When you touch me
I stop breathing.

When you look me
I boil and freeze.

When you kiss me
I long for more,
and as I whisper
your mouth spreads
along my neck
along my breast
along my all.

My heart pumps madly
and my body turn wild.
Pleasure screams
but my mouth is dry.

Wet me
as if you were rain
and me the seed.

Make me weep.
Make me lose under your skin
make me yours
as if tomorrow has no name.

Again...
just one more time
before sunset
for the night is my mate
and I long for my turn
to release the passion.
under the shooting stars
of that nameless love of ours.


©Graça Costa


FLUTUANDO

Tem dias que me sinto frágil
como uma borboleta de asas de vidro.

Meia zonza,
rodopio no efémero esplendor
de um pas de deux solitário.

Com a brisa como aliada,
trauteio as notas de um qualquer Noturno,
e protejo o estilhaçar das asas com o aconchego de um amanhecer,
que imagino suave como pele
de criança recém nascida.

Nesses dias,
quando o sal dos olhos teima em sulcar a pele,
invento um casulo,
macio,
aveludado,
aroma de alfazema,
matizado de brisa e aurora boreal.

E com estas roupagens,
que só eu vejo,
que só eu sinto…
ensaio um sorriso e construo a magia de ser feliz,
mesmo que esteja só…no meio da multidão.


© Graça Costa 
imagem da web


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

NÃO ESPERES

Não esperes pela madrugada para me amares.
Não esperes pelo amanhecer para me contemplares.
Não esperes pelo entardecer para me sorrires.

Não esperes, porque podem não chegar.
Não esperes porque não és dono do tempo
e o destino pode ter planos diferentes dos teus.

Não esperes...

Ama-me o mais que puderes
sempre que puderes,
onde puderes.

Sorri-me. como se não houvesse amanhã
e o sol morasse na minha pele.

Beija-me a pele com a ternura do amanhecer.

Toca-me com a magia das tempestades em alto mar,
fascinantes, furiosas, inconstantes, majestosas.

Mas nunca te esqueças.
Não esperes...
que o amanhã é incerto
e agora tens-me por perto
toda afecto
toda luz
toda tua.

Não esperes...

©Graça Costa



domingo, 31 de julho de 2016

MOMENTOS


Há momentos que valem vidas.
Uma lágrima lambendo a pele,
suave e lentamente como uma carícia.

Um sorriso iluminando o olhar como farol no meio da escuridão.

Aquele arrepio da antecipação do prazer,
apenas imaginado, mas ainda não sentido.

Há momentos que valem vidas.

O primeiro olhar,
o primeiro toque da pele,
o primeiro beijo,
o soco no peito da primeira paixão,
 o ar que precisamos desesperadamente beber e nos foge das mãos,
que geladas suam lágrimas de ausência.

A morte eminente do sentido da vida
quando não se está junto,
os minutos que se tornam dias, dolorosos,
quase lume,
quase ferida
aberta pela incerteza da espera,
mas sempre tão forte, tão intensa, tão dramática
como naufrágio em noite de tempestade.

Há momentos que valem vidas
pelo que foram ou não foram
pelo que são
pelo que serão.

Se ficar cicatriz,
ruga,
cabelo branco,
lagrima,
sorriso,
é porque valeu a pena…

Momentos…
tinta  dos dias
com que vamos pintando e escrevendo,
o livro da vida.

©Graça Costa 


sexta-feira, 29 de julho de 2016

FOME

Sinto na pele a fome do teu abraço;
o calor das palavras ditas entre o beijo e o outro beijo,
entre o sussurro e o grito,
entre o olhar e o sorriso
entre a entrega e a solidão.

Fome também das palavras...
das ditas e das por dizer;
das sentidas e das gritadas
das largadas ao vento e das presas nos raios de sol,
das gemidas e das inventadas,
pérolas displicentes,
esperando o momento.

Gosto desta fome e alimento-a de mais fome,
pois é da dor que nasce o poema,
e do poema nasce a paixão
com que pinto os dias que passo sem ti.

Pincel ou grafite,
aguarela ou esquisso,
pouco importa.

A fome tem muitas cores...


© Graça Costa


                                                                 Lola Jovanovic


DEIXA

Deixa
que a noite invada o horizonte das memórias
e os dias sejam de eternos recomeços,
ainda que errantes e incertos.

Deixa
que os teus passos
sigam as minhas pegadas
e que a paixão renascida
seja a melodia dos caminhos por inventar.

Deixa
que o meu corpo seja tela virgem
para o arrojo dos sentidos
e que consigas ler nos meus olhos
as mensagens que te escrevo sem palavras.

Deixa-me correr ao teu encontro
com a certeza que de sabes,
exactamente como tocar-me o corpo
e a alma sentir-se beijada;
com a certeza de que basta um olhar
para te sentir dentro de mim,
meu pintor  de corpos e telas,
de paixões incertas
e momentos eternos,
gravados em segundos.


©Graça Costa
imagem da web