quarta-feira, 20 de julho de 2016

NOITES

Tem noites em que sinto um toque no rosto,
quase suplica,
quase dor,
quase beijo,
quase amor.

Nessas  noites sou brisa,
calma,
ternura,
alma,
conforto,
aconchego,
que o acordar não rouba
nem o dia desfaz.

Nessas noites
as horas passam como brisa em tarde calma.
e o sono reclama abraço.


Recebo o dia com um sorriso na alma
e no olhar,
as memórias que me alimentam os sonhos




©Graça Costa
imagem da web


PELE

Nada como o toque aveludado da pele.

A forma como se arrepia ante a caricia,
como responde ao beijo lento e rastejante,
à língua quente e húmida,
ao gemido ,
ao arfar do desejo incandescente
à súplica do olhar.
Pele…
Tela de paixões inquietas
magia serena em noites calmas
ou feiticeira dos dias que nascem sem porquê.
Pele, poema
Pele, canção
Pele, sinfonia de Outono em pleno verão.
Pele em espera.
Pele em escuta.
Pele sedenta da agua das tuas mãos.
Pequena gota de orvalho,
alimento da flor da madrugada.

©Graça Costa
imagem da web


terça-feira, 19 de julho de 2016

PERFEITO

Insinuante,
o humedecer dos lábios antes do beijo.

Perfeito,
o arrepio da pele antes do toque.

Intensa,
a dor da expectativa,
quase ferida,
quase morte,
quando vida em suspenso.

Consome-me a espera
e liberta-se-me o sonho
que de tanto me aguardar descansa
na curva do fim da tarde.

O aroma dos teus passos
é melodia de afectos em construção.

Espero-te
como sempre,
fome na pele
ternura no olhar.

Sinto-te antes de te ver
e na efemeridade do momento
quase construo
a eternidade de te ter.


©Graça Costa


AQUELE BEIJO

Aquele beijo
tinha o sabor encantado das palavras não ditas,
tinha a doçura da fruta madura
e a ternura de um por de sol prateado à beira mar.

Aquele beijo
tinha o querer e o não querer,
o vazio e a plenitude,
a intensidade do nascimento
e o poder da paixão a fermentar.

Aquele beijo
tinha o aroma de chocolate quente
e a beleza de uma buganvília
lambendo uma parede alva
como neve em pleno verão.

Aquele beijo
foi principio e fim
de qualquer coisa por inventar
que espera na beira da noite
luz para caminhar.

©Graça Costa
imagem retirada da web


segunda-feira, 18 de julho de 2016

THE FOREST OF FATE

 A whisper in the forest
so gentle and soft as a lullaby
she heard.

The green carpet of the landscape trembled of expectation
as she stretched her arms to to sky
and said a prayer
almost sorrow
almost love.

Suddenly all the leaves
started to sing along
and the lullaby became fate.

She saw him across the mist
the breeze led the way
and every step they took
was the beginning of a symphony of surrender.


©Graça Costa
image from web


SE UM DIA

 Se um dia eu for lago,
que o teu corpo fique sedento
e mergulhes por mim dentro
até te saciares.

Se um dia eu for chuva
presa numa nuvem de papel,
peço ao olhar lágrimas doces
para que as bebas ao anoitecer.

Mas se um dia eu for palavra,
peço que os teus dedos sejam as letras
com que se escreve a paixão.

Aí , misturo tudo
saudade,
ternura,
desejo,
loucura,
a com toda a certeza
um chegarei a ser…
Amor.


©Graça Costa


quarta-feira, 13 de julho de 2016

NO TEU OLHAR

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Sem saber como defini-lo
estendi-lhe o sorriso e bebi-o,
lentamente,
em silêncio,
como ritual sagrado.

Saboreei cada trago
com a dolência da paixão imprevista.

Deixei-me levar pelo arrepio da eternidade do momento.

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Vieste sem aviso mas com a força de uma maré viva
e eu recebi-te com a ternura de uma onda a beijar a areia.

Sem saber como te responder,
vesti-me de lua
coloquei nos cabelos pétalas de orvalho
e dei-me ao teu olhar em oferenda.

Depois anoiteceu…
e a noite é cúmplice de amantes inquietos.

©Graça Costa



VERTIGEM

Vertigem...

Furacão de afectos,
sentidos incandescentes,
profusão estonteante de aromas e sabores.

Depois o silêncio,
o deleite do saboreio
nos teus olhos almiscarados em busca dos meus.

Finalmente o toque da pele.
A magia e o mistério da descoberta de ti.

Vertigem...
paixão,
sede,
fome.

Imensidão de eternidade
Imersa na magia da fusão dos corpos,
em chama lenta.


©Graça Costa
imagem da web


terça-feira, 12 de julho de 2016

HÁ UMA VOZ

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema,
que me conduz a saudade da mão e do olhar
do toque,
da entrega,
da fome
e da paixão.



Há uma voz cá dentro
que me conduz o sonho
e um sonho
que me conduz a ti.

A ti...
meu amor e meu chão,
meu refúgio e minha paixão.



Há uma voz cá dentro
que me encanta e me desencanta
me acolhe e me repele
numa catadupa de afectos
rolando num turbilhão.



Há uma voz cá dentro
que me dita o poema
e o poema...
não és tu nem sou eu...
somos nós,
eternamente Nós.



©Graça Costa
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domingo, 10 de julho de 2016

E O DIA ESPEROU COMIGO

Era um dia daqueles
em que o amanhecer é dourado
orvalhado com diamantes de luz.

Era um dia daqueles
em que o coração acorda descompassado
com a pele em arrepio eterno,
como tatuagem,
sussurrando o teu nome ao dia que desponta.

Era um daqueles dias
em que o corpo pede corpo
e o olhar jorra paixão
por entre gemidos
e pérolas de mel.

Era um daqueles dias
de prece e de ilusão,
de esperança,
horas lentas
e expectativas tantas...

Decidi esperar,
contigo na retina e nas memórias.

E o dia esperou comigo
complacente e sereno,
cúmplice da paixão que viria a ser
mas que dentro de mim já o era.

©Graça Costa
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