domingo, 10 de julho de 2016

SERENAMENTE

Serenamente,
pelos caminhos do sonho me levaste.

De leveza me vesti.
Com a brisa dancei.
Entre os nenúfares e a folhagem flutuei
como brisa em tarde calma.

Serenamente,
pelos caminhos da ilusão
reinventei a magia de renascer
a cada passo,
a cada olhar,
a cada beijo,
a cada luar.

Toca-me, amor...
embala-me no teu peito de luz
e cobre-me o corpo com os teus lábios de espanto.

Deixa que a fome de afectos
se torne melodia outonal
e façamos da dança dos corpos
ousadia,
ternura,
paixão,
loucura sem nome
nova vida,
exaustão.

Depois...
que o sono nos tome conta do Ser
e os sonhos venham vestidos de luz.

Serenamente...


©Graça Costa


sexta-feira, 8 de julho de 2016

I LOVE

Love the complexity
and the detail of your fingers
touching my skin,
exploring my senses.

Love your lips spelling my name as a whisper,
almost a faint...

Love the complexity
and the detail
of our moments,
unique and senseless
subtle as dawn,
eternal as memories
and flavorful as sex freshly made.

Love all that...
but most of all
love the complexity and the detail
of knowing
that there's so much more
to live and to discover.




©Graça Costa
imagem da web


quarta-feira, 6 de julho de 2016

ROTA DO SONHO

Percorre-me o corpo como se fosse mar
e toca-me a alma como se fosses brisa.

Desperta-me os sentidos e torna-me tua.
Bebe-me.
Saboreia-me.

Entranha-me na tua pele
e nessa mescla do tudo e do nada
de excessos e devaneios,
façamos da noite uma melodia de afectos
languida e suave como o amor que termina e recomeça,
como maré
sem cessar.

E quando o cansaço for maior que o desejo
saibamos morrer…
entrelaçados,
exaustos pelo prazer vivido e pelo que há-de vir
quando o brilho do olhar
voltar a incendiar-nos a pele.

©Graça Costa
imagem da web


DOS MEUS OLHOS


Falavam uma língua estranha aqueles olhos...
ora esmeralda
ora avelã azeitona de Elvas.
Falavam de afectos esquecidos,
memorias adormecidas,
sonhos perdidos nos confins da memória.

Talvez fosse medo...
medo de falar e não serem entendidos,
medo de gritar e serem acorrentados,
medo de sussurrar e ninguém ouvir...

Falavam, por isso aquela língua estranha,
a dos que ousam ter no peito
um coração que bate
ao ritmo da neve numa noite de inverno,
a dos que usam a melodia do amor
para soletrar as palavras que aqueles olhos falam,
mesmo quando dos lábios só ouvimos,
o embalo do silêncio.


©Graça Costa


segunda-feira, 4 de julho de 2016

PINCELADAS

Trago na pele
pinceladas de Agosto
tatuadas pelos teus beijos .

Na boca,
o sabor a Maio
e paisagens de Outono a brotar-me dos olhos.

Moldados pela brisa
passeiam-me pelo rosto
sorrisos rasgados de memórias
escritas nos sulcos das rugas adocicadas.
.
Dos sonhos, com travo a canela,
guardo a textura dos dias enleada nos teus braços,
quando o futuro era uma tela em branco
e a vida,
um diálogo sem palavras de corpos cansados.

Trago na pele pinceladas de Agosto.
Peço à noite que termine a tela
e sorrio ao ver-te chegar.

Até já...


©Graça Costa


QUERIA

Queria poder abraçar-te
com corpo de brisa
e pele de cetim.
Queria poder ser maresia
ou chuva,
ou orvalho,
lamber-te o rosto
e dissolver-me em ti.
Queria ser ave
com chilreio de pranto
e num doce balanço
aninhar-me em ti,
sussurrar-te o encanto
de noites sem fim.
Queria ser tudo
e o mais que inventasse,
Ser fonte,
sol,
curva na estrada,
onda do mar.
Queria,
e sigo querendo
que me queiras também.
E quando a ternura do fim da tarde
pousar no meu peito,
que este corpo vire chão sem pedras
e tu venhas,
como onda lambendo a areia,
morrer e renascer de novo
por mim...
em mim.

©Graça Costa
imagem da web


domingo, 3 de julho de 2016

DIAMONDS


Deep in my skin
I feel you.

You made me your shelter
and your velvet bed,
your breeze and your morning song.

When the night falls,
our day begins...
slowly,
like a swan dance
on an autumn lake.

I feel your fingers
and your lips.
and even when you're not around
memories take your place.

I've got your name, your scent and your touch
engraved on my soul,
and with you
love has an all new meaning
and pleasure is an uncut diamond
waiting for the magic of our bodies together.


©Graça Costa


FOME

Sinto na pele a fome do teu abraço;
o calor das palavras ditas entre o beijo e o outro beijo,
entre o olhar e o sorriso
entre o afecto e a solidão.

Fome de palavras.
Das ditas e das por dizer,
das sentidas e das gritadas,
das largadas ao vento e das presas nos raios de sol,
das sussurradas e das inventadas,
pérolas displicentes
esperando o momento.

Gosto desta fome e alimento-a de mais fome,
pois é da dor que nasce o poema
e do poema nasce a canção
com que pinto os dias.

Pincel ou grafitte,
aguarela ou esquisso.

Pouco importa.
A fome tem muitas cores...


©Graça Costa
foto de web



sexta-feira, 1 de julho de 2016

SOLIDÃO


Só,
no meio da avenida,
rodeada de gente que não me vê,
apenas o meu espírito voa livre e solto
bailando com o vento,
vestida de brisa, sonhos e maresia.

Emoções contidas,
sorriso aberto,
corpo em chamas,
vertigem louca,
coração amortecido.

Vestida de brisa, sonhos e maresia
escuto a melodia que me envolve o corpo e o sentir
e nem noto que estou só no meio da avenida
rodeada de gente que me olha
mas não me vê.

Vagueio sem destino.
Rego o horizonte de lágrimas adocicadas,
cristais de saudade perdidos
serpenteando até ao rio das almas.
para descansar  no além mar.

Rito de passagem?
Dor de crescimento?
Solidão,
emoção,
cansaço,
tanto cansaço.

E de repente…
um quase nada que é um quase tudo
escondido no brilho do teu olhar.

Estaco no meio da multidão que não me vê
porque para ti eu existo.
Sorrio-te e sussurro.
Vem…
Quero ter-te por perto.


©Graça Costa


VIAGENS

Há livros que nos perseguem como se tivessem corpo.
Acariciam-nos como se tivessem mãos,
falam-nos como se tivessem boca,
roubam-nos a alma como amantes furtivos.
Há livros assim,
que nos arrebatam na primeira frase.
Neles mergulhamos,
com a sensual nudez do desejo.
Cada página, tem o aroma de amor acabado de fazer.
Cada linha tem a intensidade de um beijo
e cada palavra o calor da fusão da pele.
Existem livros assim.
Livros que nos envolvem o sentir
e nos deixam na pele marcas de vidas
que nunca foram nossas.
Magia das viagens
feitas na palma das mãos.
©Graça Costa
imagem da web