terça-feira, 28 de junho de 2016

BEIJO


Beijas-me como o escultor
que acaricia o barro
para nele se fundir
devagar
como o entardecer.

Nas tuas mãos sou terra
mar e ar,
elementos em fusão
sem pressas,
sem lamentos.

Nas tuas mãos respiro
ao ritmo dos dedos
com que me envolves
e neles me derreto
como orvalho ao amanhecer.

Mais tarde,
agarro a cumplicidade da noite,
A ela ofereço os murmúrios que
no torpor da paixão
 arrancas do mais fundo de mim.

 Saboreio o desejo
que pressinto os teus olhos
e colo-me a ti num beijo quente,
longo,
lento,
porque há beijos mais profundos do que o mar.


©Graça Costa

                                               Kiss, Andy Warhol, 1963.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

PARADISE

Loving you
is my subtle understanding of paradise.
Skin on skin,
touch of souls.
shiny lips
after a lifetime kiss.
Paradise is right here,
and its ours to take
if we have the guts to keep on
with nos ifs and no regrets.
Just love.
Just feel.
Just believe.


©Graça Costa
imagem da web


COMO SE TIVESSEM BOCA

“ HÁ Palavras que nos beijam como se tivessem boca”,
na nudez da pele em chamas.

Coloridas, pastel ou grafite,
desenhadas neste corpo, tela;
neste corpo, poema,
neste corpo, matriz,
neste corpo agonizante,
abandonado à mercê das tuas mãos.

Palavras abandonadas
à mercê do teu carinho,
entregues à mercê da nostalgia
ou à loucura dos teus beijos.

Bendito este corpo que sente.
Bendito o arrepio da pele.
Bendita a troca de olhares que tudo diz.

Embrulhados em silêncio, assim ficamos
inventando palavras novas,
melodiosas,
insensatas,
incongruentes,
apaixonadas,
prenhes de desejo,
alfabeto da paixão.

Connosco…
ah, connosco ficará
a nostalgia da criação.


©Graça Costa
imagem da web


domingo, 26 de junho de 2016

ANTES DE TE VER

Acordo
e sinto-te antes de te ver.

Na penumbra,
o perfil do teu rosto,
o sorriso quase infantil, o calor da pele
e o teu perfume,
doce e almiscarado como chocolate quente
saboreado à fogueira.

Acordo
e finjo dormir
para prolongar o sonho.

Relembro a maré mansa e luxuriante do beijo,
a fusão da pele,
o crescendo da paixão,
o êxtase,
a exaustão.

Relembro e sorrio
neste quase sono
que é quase fome,
num amanhecer brilhante
em que te sinto,
antes de te ver.

©Graça Costa








MOMENTOS

Há momentos que valem vidas.
Uma lágrima lambendo a pele,
suave e lentamente como uma carícia.
Um sorriso iluminando o olhar como farol no meio da escuridão.
Aquele arrepio da antecipação do prazer,
apenas imaginado, mas ainda não sentido.

Há momentos que valem vidas.
O primeiro olhar,
o primeiro toque da pele,
o primeiro beijo,
o soco no peito da primeira paixão,
o ar que precisamos desesperadamente beber e nos foge das mãos,
que geladas suam lágrimas de ausência.

A morte eminente do sentido da vida
quando não se está junto,
os minutos que se tornam dias, dolorosos,
quase lume,
quase ferida
aberta pela incerteza da espera,
mas sempre tão forte, tão intensa, tão dramática
como naufrágio em noite de tempestade.

Há momentos que valem vidas
pelo que foram ou não foram
pelo que são
pelo que serão.

Se ficar cicatriz,
ruga,
cabelo branco,
lagrima,
sorriso,
é porque valeu a pena…

Momentos…
tinta dos dias
com que vamos pintando
o livro da vida.

©Graça Costa
Imagem da web


sexta-feira, 24 de junho de 2016

CONTORNOS

Na penumbra apenas os contornos de ti
e o respirar lento e compassado de um sono
profundo como o mar
leve como brisa de verão.

A teu lado
aquela a quem roubaram o sono
e no torpor do cansaço te bebe a calma com um sorriso.

Contemplo-te na penumbra
e no teu rosto vejo paz.

No vai e vem do teu peito,
o colo para o meu embalo
onírico, terno, pueril.

Percorro-te com o olhar
o sorriso denuncia –te o prazer.

Despertas…
Como pétalas de estio
rumo ao amanhecer
cobres-me o corpo com beijos
e a noite…
deixou de existir.


©Graça Costa
imagem da web




quinta-feira, 23 de junho de 2016

POESIA

Quem és tu a quem chamam poesia?
De quem és filha?
De quem és mãe?
Que trazes contigo para seres assim
tão única,
tão bela,
tão prenhe de sonhos
memórias
lagrimas,
amores e paixões ?
Quem és tu que me rasgaste os sentidos
e num rendilhado de mel e espinhos
me obrigas a deixar cair no papel
estas palavras
e outras
e tantas outras que sinto,
mas ainda não ouso falar ?
Não te conheço o rosto
mas sinto-te a alma nos dedos,
o perfume na pele em chamas
o feitiço do querer e não querer,
as amarras e o não conseguir esquecer.
Não te conheço,
amiga,
amante ,
irmã,
mas sei que te trago na pele,
e que sem ti fico nua,
como recém - nascido sem cama.
©Graça Costa


A TELA DO TEU SONHO

Anda…
Vamos nas asas do vento
ao encontro dos sonhos guardados
na palma da imaginação.

Não te deixes enredar na dor.
Foge dos dias sem luz
frios como escarpas afiadas
e procura…

Procura dentro de ti os aromas perdidos nas memórias.

Procura os sorrisos tecidos no bilro dos momentos guardados.
Anda…
Vem comigo viajar nas asas do vento.
Pede à brisa que os raios de sol te envolvam o sentir
e que a dor te caia dos olhos
em forma de chuva branda e serena.

Anda…
Vamos voar para lá do horizonte
inventar um mundo só nosso,
em que os dedos sejam pinceis
aguarelados pelo olhar da ternura.

Anda…
que tempo escasseia e o desejo é fome por saciar.
Toma a minha pele como tela para o teu sonho
e pinta a noite,
com as cores do teu olhar.


©Graça Costa


                                                      David Walker

DEIXA


Deixa
que a noite invada o horizonte das memórias,
e os dias sejam de eternos recomeços,
ainda que errantes ou incertos.

Deixa
que os teus passos me sigam
e que a paixão seja a melodia
dos caminhos por inventar.

Deixa
que o meu corpo seja tela virgem
para o arrojo dos sentidos
e lê nos meu rosto
o te digo no silêncio do olhar.

Deixa-me correr ao teu encontro
com a certeza que de sabes o que fazer
para a alma se sentir beijada;
com a certeza de que basta um olhar
para o arrepio da pele,
para a fusão dos corpos em chama.

Deixa-me sentir…
apenas sentir,
meu pintor  de corpos e telas,
paixões libertas,
momentos eternos,
gravados em segundos.


©Graça Costa
imagem da web


sábado, 18 de junho de 2016

GOSTAVA DE TE DIZER

Gostava de poder dizer-te
que o amor que sinto é do tamanho do universo,
mas não posso...
O universo pode ser demasiado pequeno e tenho receio de errar.

Gostava de poder dizer-te que o desejo que sinto
tem a magia de uma manhã clara,
mas nunca fui manhã e não sei definir essa magia.

Gostava de poder dizer-te que a felicidade é eterna,
mas sei que não é...
tal como sei que as palavras que escrevo
são apenas letras pintadas de emoção
e embrulhadas de cetim.

Por isso não te digo o amor que sinto.
Deixo que o descubras
e que o digas por mim.

©Graça Costa