quinta-feira, 9 de junho de 2016

AS MÃOS

Soberba a magia das mãos
que falam,
que gritam,
que afagam ,
que beijam,
embalam,
encantam.
Soberba a magia das mãos,
que mesmo calejadas pelas marcas dos dias
conseguem ser veludo,
seda,
cetim,
maresia,
sinfonia de afectos,
livro aberto ao entardecer.

©Graça Costa
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terça-feira, 7 de junho de 2016

FICA

Bebe-me os sentidos
como se fosses brisa e eu fosse mar.

Saboreia-me a pele
como se fosse mel
e derrete-te nos meus olhos.

Deixa que a madrugada me inunde o Ser
e o dia surja com a serenidade de uma melodia primaveril.

Deixa...
mas fica,
que o corpo pede e a alma exige
a perene entrega dos corpos em chama.

Deixa-te ficar no meu corpo feito luz,
no meu peito feito cama
e quando o sono vier,
dorme...
mas fica dentro de mim.

©Graça Costa
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sábado, 4 de junho de 2016

PLEASE

Let me reinvent hope
with the childish joy
of guitar tender weep.
From my breast
would sprout poppies
rainbows and blueberries
and from this alchemy
of affections
a all world
of new emotions will flow.

Let me reinvent hope
for the world keeps spinning
but its turning grey
and I need it
colourful
to enlighten my smile.
My smile...
the path you cross
just to caress my body.

So please...
let me reinvent hope...
I'm so tired,
I need to sleep
and sleep without your arms around me
is no sleep
just exhaustion.

Please...


©Graça Costa


EMERGÊNCIA

Sinto no corpo esta emergência
de esconder as palavras que me brotam dos sentidos.

Tapo-as com mantilha de névoa
para as preservar do caos
ao rolarem pelo corpo fora.

Tapo-as, para poder gozar o espanto nos teus olhos
quando em oferenda  te as entregar,
trémulas como cerejas carmim
incendiadas de desejo errante.

Nesse dia seremos árvore,
lamento ou grito amarrado
nas cordas do vento norte,
e as palavras o pão
com que faremos a sorte
de sermos amantes sem chão
em fogo líquido dançando.


©Graça Costa
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SEM AVISO

Quase sem aviso
o beijo aconteceu.

Como poema cantado
cresceu lentamente,
maré mansa que vira fogo
na urgência do desejo.

Perdido na ponta do medo
surgiu assustado
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.

Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma, o corpo e o sentir,´
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes.

E do beijo nasceu a entrega,
e da entrega a melodia dos corpos em chama,
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .


© Graça Costa
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sexta-feira, 3 de junho de 2016

VEM

Vem.
Vamos beber o por do sol na orla da praia,
sentir a maresia lamber-nos o rosto
e pedir ao manto da noite
que nos invada os sentidos.

Vem.
Deixa-me ser onda e tu maré,
concha com mistério de pérola,
sussurro da estrela da tarde.

Vem.
Sente-me.
Ouve-me.
Ama-me,
ou se quiseres...
abraça-me apenas.


©Graça Costa
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PALAVRAS SOLTAS

Tem noites em que sinto um toque no rosto,
quase suplica,
quase dor,
quase beijo,
quase amor.

Nessas noites sou brisa,
sou calma,
sou ternura,
sou alma,
conforto,
aconchego
que o acordar não rouba.

Nessas noites
durmo serena
e recebo o dia
com um sorriso no olhar.


©Graça Costa


NA SOMBRA DO DIA

Surgiu-me da penumbra esta sensação de luz,
este calor terno e manso
de lábios lambendo-me o rosto.

Iluminou-se-me  a alma
e um sorriso nasceu-me no olhar.

Depois foram os dedos,
Como brisa de verão,
ainda com aroma de primavera,
viraram carícia
repleta de promessas.

Um silêncio mágico invadiu a manhã.

O meu corpo transformou-se
em pauta de musica inacabada
pintado pela paleta da aurora,
expectante,
luminoso,
sedento da orquestra dançante
saída da sombra do dia que amanhecia.

© Graça Costa
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SE ESTES DEDOS TIVESSEM VOZ

Se estes dedos tivessem voz
seria de vento e de mar,
seria de brisa e de trautear o teu corpo,
com gemidos de mel
 e ternura de flores sem tempo nem estação.

Se estes dedos tivessem voz
suplicariam por violinos, harpas,
e lençóis de cetim orvalhados pelo teu perfume.
Suplicariam por pinceis e aguarelas para te pintar o perfil
e nele gravar o sentir do amanhecer nos teus braços.

Se estes dedos tivessem voz
gritariam pela tua presença dentro de mim,
pelo teu olhar preso no meu,
navegante eterno de paraísos inventados
e rotas por descobrir.

Se estes dedos tivessem voz
o amanhã estaria escrito.

O entardecer teria a melodia de uma sinfonia tocada a quatro mãos
e a noite traria consigo a magia dos rios
plena de afectos e desafios,
aberta para nos receber.

Caminhemos então…
e ouçamos,
que os dedos falam a língua dos amantes .


©Graça Costa



                                                                      Loui Jover

quinta-feira, 2 de junho de 2016

HOLD ME

Hold me close to your heart, my love.
Hold me close and speak me soft words
because my soul is lost
and I need a brand new path to carry on.

Only you can guide me,
only you can be the ground to my wounded feet
only you can be air and my food.

My skin screams for your touch.
My mouth hungers for the fountain of your lips.
Frightened I am.

My shivers invade the landscape
but the breeze serenates my soul
by bringing me back the sound of your voice.

I slightly smile
because I know
you are around
and wait...whispering your name
as if we were making love.

Then, I feel your touch,
and the world blends with our caresses.


©Graça Costa

                                                          Arvind Kolapkar