terça-feira, 24 de maio de 2016

SEM RESERVAS

Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.

Embriaga-me de carícias e palavras soltas,
doces...serenas,
mesmo que sem sentido.

Coloca na voz
a musica das almas cansadas
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia
e eu a praia para te receber.

Acolhe-me
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas,
corpo aberto ao encontro de almas
que só a ternura percebe.


©Graça Costa


ONDE A SOLIDÃO TERMINA

Deixaste-me na boca um sabor a espanto
e na pele a súplica do desejo inacabado,
a fome do mais que o dia levou.

Deixaste-me no olhar um sopro de maré viva,
uma tempestade de afectos incontidos
clamando pela noite
ou tão só pelo som dos teus passos na escuridão.

O dia passa,
lento e soturno
mas dentro de mim bate o sol
e, com lábios de silêncio
e o paraíso no olhar
deixo o fogo envolver-me
na espera do tanto que te quero.

No horizonte o dia cai,
deixando no ar promessas guardadas
no ontem que não chegou a ser.

Espero-te,
para que me abraces onde a solidão termina
e me envolvas no sereno rendilhado
dos dias sonhados antes do amanhecer.


©Graça Costa


segunda-feira, 23 de maio de 2016

O POEMA

O poema nasce de um quase nada
onde cabe um quase tudo.

Nasce de um som,
um gemido,
uma lágrima,
um sorriso,
uma porta entreaberta
cheia de sonhos secretos,
uma carícia,
uma flor,
uma palavra
ou apenas cor.

O Poema é dor e espanto
alegria,
desencanto.

É silêncio em que me escondo;
é chama
desejo, paixão,
encontro, desencontro, vulcão.

Nasce de um quase nada
onde cabe um quase tudo.

Com ele me visto,
porque dele sou
refém,
irmã,
amante.

©Graça Costa







ENTARDECER

O entardecer insinua-se na languidez dos tons
e nos aromas carregados de esperanças.

Os sentidos envolvem-se num drapeado de sons,
cores,
emoções e calma.

Prenúncio de noite,
envolto na maciez de um beijo ainda morno.

O entardecer insinua-se na planície
e eu sorrio ao joio dourado que me beija a pele
como amante que chega de longe envolto em saudade.

Fecho os olhos e bebo horizonte
como quem bebe a vida
no trinar do pássaro que voa para longe,
à procura de um novo entardecer
e adormeço nos teus braços.



©Graça Costa




domingo, 22 de maio de 2016

ÉPICO

Seda,
cetim,
veludo,
brocado,
marfim.
Não sei como dizer a tua pele.
Esse mar onde me perco e me encontro,
onde me invento e descanso.
Essa pele que me fala,
mansa e docemente numa língua por inventar
mas que me entende e responde
com a languidez do olhar.
Não sei como dizer o teu aroma de jardim silvestre,
mar revolto,
terra lavrada,
oriente mágico, quase alucinante.
Não sei.
Não sei, mas sinto o épico deste sentir,
a ternura deste saborear-te,
sem ter que te dar um nome.

©Graça Costa
imagem da web


IS IT POETRY ?

 Is it poetry
your cashmere skin
under my fingers ?

Is it poetry
your tears of pure surrender
Velvet pleasure
on a starry night ?

Is it poetry
contemplate the surface
of your naked body
bathed by the sunset
on the river shore?

Is it poetry
when I touch you
and you stop breathing
just to feel more deeply
more intensely ?

Is it poetry
those whispers
melting with the moonlight
while our bodies merge?

Its poetry
magic, passion or a sin ?

I really dont care
because love shows itself in mysterious ways
and I believe
that poetry is that strange language
of enlightened souls
who see beauty beyond words.


©Graça Costa


ILUSÕES


Pelo meu corpo vagueiam ilusões,
carícias de outono envoltas em luar,
pacientes e ternas como canções de embalar.

Com elas converso,
saltando estações que se tornam eternas,
coladas na pele pela magia dos afectos.

 À sombra das estrelas
colecciono sonhos envoltos em  lã colorida
como arco-íris em dia de invernia.

Por vezes parto em viagem por dentro de mim.
Viajo pela noite trauteando os minutos
em busca do sono que teima em não vir.
Vida e viagens,
alimentados de tempo e partilha.

Depois paro e descanso .
Abraço os sonhos
e espero pelas tuas mãos
para embalar o sono.


©Graça Costa



sábado, 21 de maio de 2016

GOSTAVA DE TE DIZER

Gostava de poder dizer-te
que o amor que sinto é do tamanho do universo,
mas não posso...
O universo pode ser demasiado pequeno
e tenho receio de errar.
Gostava de poder dizer-te que o desejo que sinto
tem a magia de uma manhã clara,
mas nunca fui manhã e não sei definir essa magia.
Gostava de poder dizer-te que a felicidade é eterna,
mas sei que não é...
tal como sei que as palavras que escrevo
são apenas letras pintadas de emoção
e embrulhadas em cetim.
Por isso não te digo o amor que sinto.
Deixo que o descubras
e que o digas por mim.

©Graça Costa



sexta-feira, 20 de maio de 2016

A FÉNIX

Trazia no olhar o lamento das aves prevendo tormenta
e nas mãos fechadas a esperança do ultimo raio de sol
adormecendo sobre o mar.

Queria soltar o grito, mas emudecia
deixando que a ternura guardada no peito
fizesse cama no silêncio da voz.

Trazia quimeras entrançadas nos cabelos,
enfeitadas de malmequeres e violetas.

Nos lábios, papoilas silvestres salpicadas de orvalho
como se tivesse sido beijada pelo amanhecer.

Olhá-la , só por si era um poema,
sinfonia,
sonata,
paixão.

Trazia no olhar o lamento das aves,
e no corpo a magia de uma fénix
querendo voar.


©Graça Costa


quinta-feira, 19 de maio de 2016

PERFUME DE POESIA

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Sem saber como defini-lo
estendi-lhe o sorriso e bebi-o,
lentamente,
em silêncio,
como num ritual sagrado.

Saboreei cada trago
com a dolência da paixão imprevista
e deixei-me levar pelo arrepio,
pela eternidade do momento.

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Vieste sem aviso,
mas com a força de uma maré viva
e eu recebi-te, com a ternura de uma onda a beijar a areia.

Sem saber como te responder,
vesti-me de lua
coloquei nos cabelos pétalas de orvalho
e dei-me ao teu olhar em oferenda.

Depois anoiteceu…
e a noite é cúmplice de amantes inquietos.


©Graça Costa

                                                               Ira Tsantekidou