terça-feira, 17 de maio de 2016

MEU CORPO

Meu corpo,
página em branco nas tuas mãos,
beijo para lábios incertos,
ora meigos,
ora urgentes.

Meu corpo,
tela de textura suave,
algodão,
linho,
cetim,
desafio que te ofereço,
por inteiro,
para que nele te percas
e te encontres.

Meu corpo,
teu,
para que desfrutes,
saboreies,
te alimentes,
me alimentes,
me sacies a fome de te querer
e me coles na pele,
a urgência do recomeço

 ©Graça Costa




TECENDO SONHOS

Passei a noite tecendo sonhos.
No teu abraço senti a protecção da ousadia
e ousei.
No teu calor senti a força da ternura
e descansei
No teu olhar preso no meu, senti a magia do amor
e fiquei.
Passei a noite tecendo sonhos
qual renda de bilro envolta em sábias mãos.
Teci-os brancos e coloridos
esborratados, divertidos
por vezes encantados
outras apenas sentidos.
Passei a noite tecendo sonhos
e a levei-os no peito ao acordar.
Deles me alimento
rego a vida e o olhar.
Com eles faço o caminho
que me ajuda a caminhar.
©Graça Costa
Tela - João Costa Rosa ( MEU FILHO )


sábado, 14 de maio de 2016

AMANTES EM TEMPO

Partiste,
deixando-me um desejo tardio no corpo.
O, até logo, sussurrado
deixou no ar um aroma de promessas
e no olhar uma paixão por cumprir.

No beijo,
ficaram as palavras por dizer
na pele as carícias por sentir
e na alma o amor revisitado
que a noite sempre me traz.

Foi então que a magia aconteceu,
e o dia fez-se noite
somente para eu te ter.

Senti-te chegar
e sorri.

Soltei o corpo
e deslizei para o horizonte selvagem,
onde os sonhos ganham voz
pelas mãos dos amantes sem tempo.

©Graça Costa 



sexta-feira, 13 de maio de 2016

HERE I AM


Here I am,
crushed in the desire of who I am
and of what remained after you;
curled up on the wail of hope
who died before being sea.

Here I am,
with the thirst on the edge of skin
and hidden hunger in reason that is no longer there.

Story unwritten, although dreamed,
unlived, yet already felt,
designed at dawn deflowering the night.

Here I am in this passage of me
in this search of us
and of each tomorrow we invented,
on every  morning.

Here I am,
in the splendor of nudity in late afternoon
waiting for the magic touch,
of your skin,
on my skin.


© Graça Costa


                                                                      Mekhz



VOU

Com a poeira da espera
enfrentei o corpo nu transcendente de afectos.

Que amante é esta
que o amante espera,
em súplica,
quase prece ?

Que viver é este
prenhe de desejo,
alma na voz
e pele em chamas ?

Aguardo,
com o corpo raiado de estrelas em dor
e o olhar crivado de esperança
pelo entardecer que me mereça.

No fio da noite
a brisa impele-me o voo.

Não sei se fique se ouse.
Lá longe sinto o ritmo compassado de ti,
que num sussurro hipnótico me chama.

Tremo na antecipação de te ter,
e de sorriso em riste,
vou ...

©Graça Costa

                                                            Helena Wierzbicki;

quinta-feira, 12 de maio de 2016

BRISA


Hoje vesti-me de vento,
penas e luz.

Parti com a alma em chamas
e o coração cheio de ti.

Com a magia que trago nos olhos,
desenhei um lago repleto de flamingos eternos,
cama para o meu cansaço,
depois de te ter.

Hoje, vesti-me de vento
mas, depois acalmei
e agora, sou apenas
brisa
a dançar-te na pele.

©Graça Costa
imagem da web





SE

Se eu pudesse ser mar,
inundaria o teu chão com a força das marés.

Se eu pudesse ser lua,
criaria um espelho de luz só para te iluminar o Ser

Se eu pudesse ser a chuva,
alimentaria a tua pele com a seiva mais pura
e a tua alma com lágrimas de fé e de esperança.

Se eu pudesse ser fogo,
cobriria o teu corpo com o calor eterno de ternura
e a magia serena da entrega.

Da fusão dos elementos renasceria,
qual fénix,
ou qual miragem de outonos silvestres,
onde morte e nascimento se mesclam,
reinventando o Amor 
em cada amanhecer

© Graça Costa
imagem da web





CREPÚSCULO

Carregava o crepúsculo no olhar,
quase fardo,
quase dor,
quase esperança.

Como numa melodia de saudade,
sussurrava palavras de silêncio
envoltas em lágrimas,
e seu corpo ondulava
como numa quase perfeita
imagem de oração.

Ela carregava o crepúsculo no olhar
mas, quando sentiu o apelo da noite,
deixou o corpo flutuar
como uma pena ao sabor da corrente.

Deslizou para o colo daquele anjo,
com os braços de ternura e pele de cetim
e ali ficou, saboreando o dia que adormecia

Cansaço.
Era tanto cansaço,
que as estrelas brilharam mais forte,
apenas para lhe  iluminar o sono.


©Graça Costa

                                                                Stefan Kuhn

segunda-feira, 9 de maio de 2016

ANDA

Anda…
Vamos inventar um caminho novo,
desenhado a aguarela, grafite ou pastel,
melodia, primavera,
doce e mágico como beijos roubados,
nas colinas da imaginação.
Anda…
dá-me a tua mão.
Deixa-me guiar-te neste mundo inventado
em que o corpo ganha voz,
a pele grita
e o olhar implora.
No teu olhar sinto a urgência das marés,
o marulhar dos afectos,
a fome por saciar.
Nas palavras por dizer,
pressinto histórias escritas por corpos vibrantes em noites frias de inverno,
ao som do crepitar das chamas,
com fundo de vento norte.
Pressinto a madrugada,
e assim fico …quieta e nua,
presa no limbo de poemas
sussurrados ao ouvido do amanhecer.
Pressinto,
espero…
e a espera é doce.
©Graça Costa


PROCURO

Procuro nos teus braços de luz
o calor que me foge do peito.

Enrosco-me em novelo
e bebo o calor da pele
como chá de jasmim adoçado com o mel da vida.

Procuro a doçura do beijo
a ternura do abraço,
o sabor do amor partilhado.

Procuro,
porque na procura me acho,
na procura me reinvento
cresço,
dou e recebo
luto e conquisto.

Por tudo isto, talvez,
apenas talvez,
mereça o calor dos teus braços.


©Graça Costa

                                                            Helena Wierzbicki