sábado, 30 de abril de 2016

VIAGEM

Tem dias em que viajo ao interior de mim
ao encontro da criança que fui.

Com ela revivo,
saudades,
afetos,
memórias…
sonhos que nunca foram pele.

Revejo também cicatrizes,
lágrimas , sons e coragens,
cheiros, poemas, imagens…
trilhos que a vida rasgou…

Podia ter sido diferente,
se o acaso,  
o destino,
um olhar,
um sorriso,
uma qualquer pedra no caminho
tivesse mudado o  curso da história,
da mulher que sou,
da menina que fui.

Com o barro dos dias
vou construindo a canção
o embalo dos dias,
a janela do coração.

Sou assim,
maré viva,
turbilhão,
peróla,
gema,
maresia,
solidão.

Sou tudo e sou nada…
esperança,
luz e madrugada,
flor trepadeira de sonhos,
criança, feliz, amada.


©Graça Costa


SEM AVISO

Quase sem aviso,
o beijo aconteceu.
Como poema cantado,
cresceu lentamente,
maré mansa que vira fogo
pela urgência do desejo.
Perdido na ponta do medo
surgiu assustado,
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.
Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma, o corpo e o sentir,´
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes,
Do beijo, nasceu a entrega,
e da entrega a melodia dos corpos em chama,
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .
© Graça Costa
tela : TatyanaIlieva


sexta-feira, 29 de abril de 2016

NOS INTERVALOS DO AMOR

Trazia no rosto a primavera
do amor acabado de fazer,
o sorriso, quente e luzidio
como lábios de amantes após o beijo
e no corpo o cansaço de uma noite sem sono.

Trazia nos braços o
amor pintado a pincel com as cores brilhantes do arco-íris
e a recordação daquele abraço
do qual não queria regressar
tal a intensidade do sentir.

Trazia no corpo a esperança do renascimento,
a subtileza do toque
a magia do beijo,
a loucura da entrega.

Trazia tudo isso
e o mais que não dizia.
Mistérios que a paixão descobre
e a vida esconde,
para saborear a espaços,
nos intervalos do amor.

©Graça Costa

                                                                    Amanda Diaz

AURORA BOREAL

Tem dias em que me sinto aurora boreal,
lambendo o teu corpo
por entre o êxtase, o espanto e a magia.

Nesses dias componho melodias improváveis
que gravo na pele e nos sentidos, como tatuagens.

Fecho os olhos e sinto as nuances coloridas do amanhecer
acariciando o corpo nu,
que em jeito de oferenda te estendo,
como paleta à espera da magia do pintor.

Mais tarde contemplo a obra
e por vezes,
um sorriso travesso
planta-se-me no rosto.



©Graça Costa


quinta-feira, 28 de abril de 2016

IF I COULD

If I could be a star
I would travel a million light years
just to make your heart my home.

If I could be a sea wave
I would dance throughout the oceans
just to kiss your lips in the change of tides.

If I could be music
I would create endless love songs
just to see you smile.

But, as I'm your soulmate
I flourish like a landscape in springtime
and with all the birds and butterflies as witnesses
I will make a perfect dress
to the perfect day
of our next encounter.

My skin...
My shiny eyes
My wet lips,
that's all we need
to make miracles between the stars.


©Graça Costa





CAVALGANDO O DIA

Hoje o dia acordou com o sol na voz,
o esplendor dos aromas primaveris
e a ousadia das promessas por cumprir.

Serviu-me gomos de magia
envoltos em doce de aroma
e despertou-me a fome de ter
a tua pele na minha pele.

Cavalguei o dia e voei com ele
sacudindo o medo de ser abatida em pleno voo
e a amargura das horas que passo sem ti.

Não sei o que fazer a esta urgência de amar
a este doce recordar
sem nome nem idade
mas a que chamo saudade.

A tarde vai caindo
terna e sonolenta como um abraço.

Observo-a com o brilho nos olhos
para iluminar a noite
e o caminho que te traga até mim.

Temos promessas por cumprir…


© Graça Costa










quarta-feira, 27 de abril de 2016

DEVANEIO

Percorre-me o corpo como se fosse mar
e toca-me a alma como se fosses brisa.

Desperta-me os sentidos e torna-me tua.
Bebe-me.
Saboreia-me.

Entranha-me na tua pele
e nessa mescla do tudo e do nada
de excessos e devaneios,
façamos da noite uma melodia de afectos
languida e suave como o amor que termina e recomeça,
como maré
sem cessar.

E quando o cansaço for maior que o desejo
saibamos morrer…
entrelaçados,
exaustos pelo prazer vivido e pelo que há-de vir
quando o brilho do olhar
voltar a incendiar-nos a pele.


©Graça Costa
imagem da web





MANHÃ

Manhã.
Brisa suave vestida de luz
e de momentos com o sabor a beijo.

Devagar,
soletro o aroma de um café fumegante
e o dia acorda comigo
enchendo-me as memórias de aromas distantes.

Ao meu lado
o teu corpo nu
ondula como seara
enchendo o horizonte.

Sorrio,
e neste sorriso
embrulho,
todo o amor que tenho guardado,
dentro de mim.


©Graça Costa
imagem da Net






terça-feira, 26 de abril de 2016

NÃO ME QUEIRAS

Não me queiras sem a minha alma desassossegada,
sem os meus medos e as minhas dúvidas.
Não me queiras sem o mar dos olhos
com as suas marés
ora mansas , ora inóspitas
ora alegres, ora tristes,
intensas ou suaves, como espuma na areia da praia.
Não me queiras sem o brilho no olhar
ao ver um filme,
ler um livro,
escutar uma música
ou simplesmente ao revisitar as memórias
de ontem e de outrora.
Não me querias sem as personagens que visto
quando a vida me corrói por dentro e fantasio a dor.
Não me queiras sem os sonhos que teço por entre as palavras
que me escorrem dos dedos prenhes de ternura e saudade,
daquilo que sou, que fui, ou podia ter sido.
Não me queiras sem as minhas rugas e cicatrizes
porque são elas que me iluminam o Ser
e me fazem sorrir,
quando me encontro com a mulher que sou.
Se me conseguires amar assim,
terá valido a pena
e quando chegar ao fim da estrada,
olharei para trás
e talvez...
talvez possa partir sorrindo.

©Graça Costa


sexta-feira, 22 de abril de 2016

ESCREVO-TE

Escrevo-te
porque as palavras não chegam para o que sinto…
são pequenas e banais
gastas,
supérfluas ,
incoerentes, frugais
e eu preciso delas fortes,
intensas, enormes,
eruptivas,
terapêuticas,
balsâmicas.
Escrevo-te porque as palavras que tenho para ti não têm nome.
Trago-as embaladas no peito,
presas na garganta,
gravadas na pele,
como gotas de suor após a tenaz luta do amor.
Escrevo-te com a alma nas mãos
esperando que me estendas as tuas.
Que me agarres ,
que me envolvas,
que me penetres os sentidos
com a emoção da aurora rompendo o dia.
Escrevo-te,
porque os meus olhos estão mudos
e a boca grita silêncios vários.
Só estas mãos insistem em riscar o papel
na implacável dança de aromas e sons com que construo os dias.
Escrevo-te para que me recordes assim,
despida de tudo,
despida de mim,
barro nas tuas mãos,
mosto por fermentar,
inacabada,
em espera...

©Graça Costa