domingo, 17 de abril de 2016

PRIMAVERA NO TEU CORPO

Sinto a magia do dia que desponta ,
pela forma como o teu corpo reage ao toque dos meus dedos.

Brinco nele como num teclado de piano.

Dele sinto brotar harmonia ou furacão,
a simplicidade de um beijo
ou a doce loucura da paixão.

Depois chamo a noite
quase em prece
na esperança do êxtase
que a tua fome promete.

Vem depressa
que o tempo não espera
e a magia da noite,
tem os tons de uma eterna primavera.



©Graça Costa




sábado, 16 de abril de 2016

DESCOBERTA

O aroma da terra trouxe-me à retina os dias da descoberta de ti.

Inspiro lentamente, revivendo cada segundo
e volto a sentir a cumplicidade da pele
contagiada pelo aroma das memorias.

Doce o arrepio.

Terna,
a imagem distante da terra molhada,
prenúncio de vida por desbravar.

Sinto-me um pássaro
saboreando o chilreio que nasce dentro de mim.

Melodia em fase de criação...
talvez seja chamamos,
Viver.


©Graça Costa


sexta-feira, 15 de abril de 2016

SENTE-ME

 Percorre-me as ruas do corpo como se fosse a tua cidade.

Descobre os pormenores do lamento.

Embarca no destino que negas,
mas não podes evitar.

Sente-me…

Envolve-te no calor da pele,
nos gemidos que noite cala
mas a maresia consente
e ousa sorrir ao desconhecido que te chama.

Ouve-me por entre o silêncio e o grito.
Aprende comigo o sentir sem palavras.

Inventemos uma língua nova,
serena e fluída como o brilho do olhar,
após o amor partilhado
na mudança da maré.


©Graça Costa


IN THE DARK


I'm walking in the dark
in the search of you.
The wind whispers me your name
and the flowers have you perfume,
but I'm lonely
and feel my heart shrink
like a raindrop under the sun.

I'm walking in the dark
in the search of you.

Hope you feel my despair.
Hope you feel the need to hold me,
to kiss me
to touch me,
to embrace me.

I hope...
and so I pray to the lord of love
to guide your steps
to my body shore.

I'm waiting...
and my skin is begging
for your touch.


©Graça Costa


AMBIVALÊNCIAS


Tem noites em que sinto um toque no rosto,
quase suplica,
quase dor,
quase beijo,
quase amor.

Nessas noites sou brisa,
calma,
ternura,
alma,
conforto,
que o sono embala
e o amor aconchega.

Noutras noites sou tempestade,
furacão,
estrela cadente,
doce tortura
alma ardente,
fazendo da noite, lume,
e uma fogueira no corpo ausente.

Ambivalências de uma alma errante
num corpo de amante inquieta.


©Graça Costa


                                                             Elena Shastina

quinta-feira, 14 de abril de 2016

BOLINA

Tem dias em que me sinto
como pena que caiu em folha à bolina.

Doce expectativa…

Qual o caminho ?
Por onde me leva a brisa?
Que aventuras me esperam ?
Que perigos?
Que desafios ?

Tem dias assim…
em que acordo em suspenso
perante o dia que desponta.

Sinto o sol na pele
e tremo.
A brisa no rosto
e sorrio.
O apelo dos afectos
e suspiro.
A tortura da tua ausência
e sonho.

Como a pena em folha à bolina
entoo ao vento a prece que me leve até ti.

Então, talvez…
apenas talvez,
consiga saciar a sede que a noite matou
e com a aurora...
renasceu.




©Graça Costa


SE

Se eu pudesse ser mar,
inundaria o teu chão com a força das marés.

Se eu pudesse ser lua,
criaria um espelho de luz só para te iluminar o Ser

Se eu pudesse ser a chuva,
alimentaria a tua pele com a seiva mais pura
e a tua alma com lágrimas de fé e de esperança.

Se eu pudesse ser fogo,
cobriria o teu corpo com o calor eterno de ternura
e a magia serena da entrega.

Da fusão dos elementos renasceria,
qual fénix,
ou qual miragem de outonos silvestres
onde morte e nascimento se mesclam,
reinventando o Amor 
em cada amanhecer.

© Graça Costa
imagem da web




GRITO MUDO

Abraço o silêncio
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito.

No rosto,
o martelar lancinante do vento suão,
carregado de memórias,
dores, saudades e glórias.

Abraço o silêncio,
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito,
na esperança de lavar a alma com a chuva trazida
por aquele vento profético.

Mas não,
a prece não tem resposta.

O silêncio ensurdece,
mas o grito,
ah, o grito teima em ficar
gravado no peito como tatuagem.

Ouço o crepitar do lume.
Lembra  lamentos da alma ferida
naquele dia em que o grito emudeceu.


©Graça Costa

                                                     Beth-Emily & David Fooks 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

AO ENCONTRO DO TEU OLHAR

Numa manhã sem sol
de um dia sem tempo
tropecei no teu olhar
e ali fiquei
naquela quase esperança
quase lamento,
quase encanto.

Naquela manhã sem sol,
quebrei as amarras da dor
suspensas no teu e no meu olhar.

Delas alimentei
a fé num manhã por inventar
em que o destino tenha voz
e nos aponte o caminho

De uma manhã sem sol
fiz luta,
desafio,
milagre.

Com a alma na voz
e a ternura no olhar
toquei-te sem notar.

Beliscou-me o desejo de ficar,
o espanto,
a alegria,
o querer
e deixei-me ir
ao encontro do teu olhar.



©Graça Costa




O OLHAR

Existem olhares hipnóticos
com uma serenidade tão fluída
que parecem envolver-nos o corpo e os sentidos.

Nesses dias,
consigo sentir a leveza das seara
envoltas na brisa das marés
e consigo sentir o pulsar da vida
através da brilho que emana desses olhares.

Nesses dias,
a plenitude do Ser  esmaga-me
mas não sinto dor
e,
um sorriso largo ilumina-me o rosto.

©Graça Costa