quinta-feira, 14 de abril de 2016

SE

Se eu pudesse ser mar,
inundaria o teu chão com a força das marés.

Se eu pudesse ser lua,
criaria um espelho de luz só para te iluminar o Ser

Se eu pudesse ser a chuva,
alimentaria a tua pele com a seiva mais pura
e a tua alma com lágrimas de fé e de esperança.

Se eu pudesse ser fogo,
cobriria o teu corpo com o calor eterno de ternura
e a magia serena da entrega.

Da fusão dos elementos renasceria,
qual fénix,
ou qual miragem de outonos silvestres
onde morte e nascimento se mesclam,
reinventando o Amor 
em cada amanhecer.

© Graça Costa
imagem da web




GRITO MUDO

Abraço o silêncio
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito.

No rosto,
o martelar lancinante do vento suão,
carregado de memórias,
dores, saudades e glórias.

Abraço o silêncio,
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito,
na esperança de lavar a alma com a chuva trazida
por aquele vento profético.

Mas não,
a prece não tem resposta.

O silêncio ensurdece,
mas o grito,
ah, o grito teima em ficar
gravado no peito como tatuagem.

Ouço o crepitar do lume.
Lembra  lamentos da alma ferida
naquele dia em que o grito emudeceu.


©Graça Costa

                                                     Beth-Emily & David Fooks 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

AO ENCONTRO DO TEU OLHAR

Numa manhã sem sol
de um dia sem tempo
tropecei no teu olhar
e ali fiquei
naquela quase esperança
quase lamento,
quase encanto.

Naquela manhã sem sol,
quebrei as amarras da dor
suspensas no teu e no meu olhar.

Delas alimentei
a fé num manhã por inventar
em que o destino tenha voz
e nos aponte o caminho

De uma manhã sem sol
fiz luta,
desafio,
milagre.

Com a alma na voz
e a ternura no olhar
toquei-te sem notar.

Beliscou-me o desejo de ficar,
o espanto,
a alegria,
o querer
e deixei-me ir
ao encontro do teu olhar.



©Graça Costa




O OLHAR

Existem olhares hipnóticos
com uma serenidade tão fluída
que parecem envolver-nos o corpo e os sentidos.

Nesses dias,
consigo sentir a leveza das seara
envoltas na brisa das marés
e consigo sentir o pulsar da vida
através da brilho que emana desses olhares.

Nesses dias,
a plenitude do Ser  esmaga-me
mas não sinto dor
e,
um sorriso largo ilumina-me o rosto.

©Graça Costa




O BEIJO - ( no dia do beijo )


Beijo-te no poema,
onde as palavras perfumam as carícias,
onde posso ser espuma ou brisa,
ou espanto ,
ou medo ,
e porque sei que estás aí
para abraçar a minha alma inquieta.

Beijo-te no poema e na carne,
na candura das palavras,
e na pele em brasa,
na loucura dos afectos
e na quietude da tarde.

Beijo-te no poema e nos sentidos,
porque no beijo te encontro
todo entrega,
todo ternura
todo em mim
e no beijo te soletro
a ti,
parte de mim
embrulhado em letras.


©Graça Costa

                                                  
                                                  Willem Haenraets

terça-feira, 12 de abril de 2016

NA NOITE


Tomei a noite nas mãos
e fiz dela a cama fresca
para a nossa pele em chamas.

Desespero de alma
em busca do brilho no olhar
que nasce das entranhas do ser
até se tornar fome por saciar.

Tomei a noite nas mãos
e deixei-me navegar
no teu corpo feito mar,
no teu mel a transbordar.

Do olhar , fiz o poema
e do poema, magia.

Magia de noites eternas
em que te saboreio e devoro,
em que me perco e encontro
no desvario dos sentidos.

Mágica a explosão dos corpos
que iluminam o amanhecer
e as palavras que nascem
do sussurrar do prazer.


©Graça Costa


                                                                    Loui Jover

AQUI ME TENS

Aqui me tens
de cara lavada e alma nua.
Aqui me tens ,
resplandecente de esperanças e memórias,
gritos surdos na garganta
e melodias no olhar.
Aqui me tens,
com o desejo à flor da pele
e uma girândola de afectos
pendurada no peito.

Ama-me como fores capaz.
Liberta-me das noites sem luar.
Polvilha-me o corpo de estrelas cadentes
e quando ela morrerem no horizonte,
que a tua boca seja o guia  da noite,
e o meu corpo
a tua bússola, barco e leme
numa viagem só de ida.

Aqui me tens
neste mar revolto dos dias agrestes
em que sou tranquilidade de tardes de outono,
paredes meias
com a noite que teima em não me ver.

Aqui me tens...
Ama-me se puderes,
ou então deixa-me ficar
na curva do fim da tarde
onde a morte por vezes passa
e costuma ser branda
para os corações sem dono.

©Graça Costa



O BEIJO

Gosto do beijo que não dei...
do beijo imaginado,
desenhado nos contornos da mente.
Sinto-lhe o cheiro e o sabor,
a textura, o calor.
Insinuante, o beijo que não dei.
Mágico,
como tudo o que é sonho
ainda por nascer.

© Graça Costa
O Beijo" (2010), de Vik Muniz


segunda-feira, 11 de abril de 2016

CAVALGANDO O DIA

Hoje o dia acordou com o sol na voz,
o esplendor dos aromas primaveris
e a ousadia das promessas por cumprir.
Serviu-me gomos de magia
envoltos em doce de aroma
e despertou-me a fome de ter
a tua pele na minha pele.
Cavalguei o dia e voei com ele
sacudindo o medo de ser abatida em pleno voo
e a amargura das horas que passo sem ti.
Não sei o que fazer a esta urgência de amar,
a este doce recordar
sem nome nem idade
mas a que chamo saudade.
A tarde vai caindo
terna e sonolenta como um abraço.
Observo-a com o brilho nos olhos
para iluminar a noite
e o caminho que te traga até mim.
Temos promessas por cumprir…


©Graça Costa
imagem da web


GROWING


My love i need to rest,
but rest is an extension of your smile,
a mixture of your lips in my skin and your arms around my neck.

My love I need to sleep
but sleep are nightmares without your shoulder as a soft tender pillow.

My love…
ask for my autumn leaves dress so full of memories.
See how each one of them have a story to tell
and a smell of honey inside each letter.

Let me go …
to those far horizons
where the feelings have no name
and language is the softness of the skin,
the bright shine of the eyes
and the purchase of passion in every breath.

My love…let me go
but please lead the way.
Once we arrive
i will feed you with my autumn leaves dress,
till my nudity explodes in your arms.
Then I’ll be complete
and I can rest.


©Graça Costa
imagem da web