quarta-feira, 6 de abril de 2016

EM BUSCA DE TI

Mergulhei na noite em busca de ti,
do teu olhar meigo,
da tua pele serena e doce,
da tua paixão intensa com sabor a mel e a maresia.

Mergulhei na noite em busca de ti.

Nela encontrei o mar dos teus afectos
e nela me tornei onda para desaguar na tua praia.

E o mar sussurrou o teu nome,
a noite fez-se manto
e  a lua fez-se caminho
para os meus passos incertos
de um amor suculento e maduro
como fruta de verão.

Mergulhei na noite em busca de ti.

E quando senti o teu toque na minha pele,
apenas sorri e deixei-me guiar
pela maresia dos sonhos
onde a magia acontece,
e a paixão ganha luz
através das tuas mãos .


©Graça Costa

ESPERANDO O LUAR


Por entre a maresia da aurora
um atrevido raio de sol  acariciou-lhe o rosto.
Era doce como doce o algodão em dia de feira
e sereno, como brisa em campo de trigo.

Beijou-a com ternura infantil e subtil desejo de amante
mas nem assim conseguiu despertá-la.

Decidiu agigantar-se e como mantinha de lã, cobriu-lhe o corpo nu.

Ouviu-a gemer baixinho e um sorriso ténue aflorar-lhe os lábios.
Sorriu também e numa loucura, talvez insana, atreveu-se de novo.

Deitou-se a seu lado
e soprou-lhe ao ouvido
os desejos do corpo e as angústias da alma.

Olhou aqueles olhos ainda fechados mas já inquietos
e uma lágrima travessa caiu-lhe do rosto.
Lágrima triste,
ou lágrima de esperança;
gota de mel tombada em regaço manso
que de espanto se abriu,
num olhar intenso
de esmeralda por lapidar.

Cruzaram-se então
olhos e corpos
sorrisos e lágrimas
anseios e sonhos.

E nessa mescla de emoções e afectos
vividos ou por decifrar
deitaram fora as palavras
fundiram-se num abraço
e assim ficaram,
esperando o luar.


©Graça Costa
imagem da web



THINKING OF YOU

I think of you
and a warmth
rushes through my body.

I think of you
and the urgency of touch
invades my being.

My soul is on fire
but the burns
are smooth and sweet.

I caress them tenderly
because I sense your arrival,
and so …I smile.


©Graça Costa


DESEJO EM DÓ MAIOR


O dia acordou sinuoso e inquieto.
Pairava no ar um quê de mistério
e o horizonte trazia nos dedos
promessas de ternura em gomos de romã e ramos de violetas.

No ar, uma serenidade etérea
como se aquele dia trouxesse no rosto alvo
a magia de sonhos roubados.

Os olhos abriram-se pelo espanto
da profusão de aromas e sons que vinham de longe,
mas que ao mesmo tempo pareciam sair de dentro de si.

Depressa percebeu que tempo
e corpo se haviam fundido
naquele dia, em que a primavera nascia,
calma e serena por entre a maresia.

Fechou os olhos e sorriu ao sentir o raio de sol que lhe inundava o rosto.
Mordeu os lábios com sabor de romã,
vestiu-se de violetas e esperou.

Ao longe, o gemido dos teus passos
lentos,
ousados,
como o amor reinventado
em cada beijo trocado.
A cada passo …o arrepio.
Em cada arrepio …a magia
do desejo em dó maior
naquela dia que amanhecia.


©Graça Costa


                                                                         Loui Jover

terça-feira, 5 de abril de 2016

PROCURO

Tem dias em que me sinto onda
em dia de maré alta.
Deixo a imaginação partir em viagem,
parar em estações distantes
onde os dias são de maresia e mel
e as noites, diamantes eternos.
Hoje procuro uma dessas estações.
Espero que o sol me aqueça a pele
como mãos de amante
e que eu possa descansar o olhar
perdendo-me no teu.
©Graça Costa


A GUERREIRA


Tinha a alma fustigada
pelas lembranças de uma paixão sem memórias.

Construíra na sua imaginação um mundo com dias e noites,
atmosfera, cheiros , texturas, diálogos,
sorrisos, lágrimas
e algumas canções.

Naquele imaginário insólito
jamais se apercebera do imenso manto de solidão
em que envolvera a sua vida.

Dia a dia, ia trocando as máscaras
com que enfrentava os olhares se se cruzavam com os seus,
vivendo sem viver,
qual espectro de luz de vela
sujeito à emotividade da brisa.

Tinha a alma fustigada por lembranças em marca d’agua,
e sofria…
Precisava sentir a chuva nos cabelos,
o sol no rosto,
reinventar-se
e como página em branco…
recomeçar.

E foi assim, que um dia,
num impulso, tirou a máscara.

Guardou-a no armário,
e com a displicência de um guerreiro em véspera de batalha
acendeu um fósforo,
virou a costas
e ficou, com um sorriso nos lábios,
a ouvir o crepitar das chamas.


©Graça Costa
imagem retirada da web


segunda-feira, 4 de abril de 2016

AQUELAS NOITES

Tem noites em que sinto um toque no rosto,
quase suplica,
quase dor,
quase beijo,
quase amor.

Nessas  noites sou brisa,
calma,
ternura,
alma,
conforto,
aconchego,
que o acordar não rouba
nem o dia desfaz.

Nessas noites
as horas passam como brisa em tarde calma.
O sono reclama abraço.
Recebo o dia com um sorriso na alma
e no olhar as memórias que me alimentam os sonhos


©Graça Costa

                                                                  Dorina Costras 

MANHÃ DE PRIMAVERA

No amanhecer que desponta,
sou pássaro livre
sou fonte
sorriso aberto
espuma do vento.
Sou tudo isso
e o que mais queiras.
Por ti acordo,
contigo me deito,
desejo na pele,
ternura no olhar.
No amanhecer que desponta
navego, serena como espuma do mar
e na fluidez dos sentidos
deixo-me enamorar pela maresia,
dos teus dedos na minha pele.
Fecho os olhos e sinto o teu toque.
Deleite dos fins de tarde
em que flutuamos rumo ao anoitecer
que por ora apenas é sonho.
Ferve-me a pele e sorrio…
Antecipação do prazer,
numa manhã de primavera.

©Graça Costa


sexta-feira, 1 de abril de 2016

CHALLENGE

Run your fingers through my soul,
gentle,
kindly,
as if you were a feather
blowing in the breeze
and while that fragment of time,
close your eyes
and try to feel as I feel,
dream as I dream,
suffer as I do.

If you do it
and you mean it,
maybe,
just maybe
you realize the depth of my love.

So,
run your fingers through my soul
and I'm sure
you'll understand.


©Graça Costa

                                                          by Greg Lotus

O POEMA

O poema nasce de um quase nada
onde cabe um quase tudo.
Nasce de um som,
um gemido,
uma lágrima,
um sorriso,
uma porta entreaberta
cheia de sonhos secretos,
uma carícia,
uma flor,
uma palavra
ou apenas cor.

O Poema é dor e espanto
alegria,
desencanto.
É silêncio em que me escondo;
é chama
desejo, paixão,
encontro, desencontro, vulcão.
Nasce de um quase nada
onde cabe um quase tudo.

Com ele me visto,
porque dele sou
refém,
amante,
irmã.



©Graça Costa