segunda-feira, 4 de abril de 2016

AQUELAS NOITES

Tem noites em que sinto um toque no rosto,
quase suplica,
quase dor,
quase beijo,
quase amor.

Nessas  noites sou brisa,
calma,
ternura,
alma,
conforto,
aconchego,
que o acordar não rouba
nem o dia desfaz.

Nessas noites
as horas passam como brisa em tarde calma.
O sono reclama abraço.
Recebo o dia com um sorriso na alma
e no olhar as memórias que me alimentam os sonhos


©Graça Costa

                                                                  Dorina Costras 

MANHÃ DE PRIMAVERA

No amanhecer que desponta,
sou pássaro livre
sou fonte
sorriso aberto
espuma do vento.
Sou tudo isso
e o que mais queiras.
Por ti acordo,
contigo me deito,
desejo na pele,
ternura no olhar.
No amanhecer que desponta
navego, serena como espuma do mar
e na fluidez dos sentidos
deixo-me enamorar pela maresia,
dos teus dedos na minha pele.
Fecho os olhos e sinto o teu toque.
Deleite dos fins de tarde
em que flutuamos rumo ao anoitecer
que por ora apenas é sonho.
Ferve-me a pele e sorrio…
Antecipação do prazer,
numa manhã de primavera.

©Graça Costa


sexta-feira, 1 de abril de 2016

CHALLENGE

Run your fingers through my soul,
gentle,
kindly,
as if you were a feather
blowing in the breeze
and while that fragment of time,
close your eyes
and try to feel as I feel,
dream as I dream,
suffer as I do.

If you do it
and you mean it,
maybe,
just maybe
you realize the depth of my love.

So,
run your fingers through my soul
and I'm sure
you'll understand.


©Graça Costa

                                                          by Greg Lotus

O POEMA

O poema nasce de um quase nada
onde cabe um quase tudo.
Nasce de um som,
um gemido,
uma lágrima,
um sorriso,
uma porta entreaberta
cheia de sonhos secretos,
uma carícia,
uma flor,
uma palavra
ou apenas cor.

O Poema é dor e espanto
alegria,
desencanto.
É silêncio em que me escondo;
é chama
desejo, paixão,
encontro, desencontro, vulcão.
Nasce de um quase nada
onde cabe um quase tudo.

Com ele me visto,
porque dele sou
refém,
amante,
irmã.



©Graça Costa


quinta-feira, 31 de março de 2016

SILÊNCIO

Façam silêncio...

Vejam o poema que nasce
naquela boca carnuda
como morango silvestre em pasto verde.

Vejam a forma como se move,
como insinua o beijo sem o dar,
como inflige dor sem tocar,
como aguça a fome sem falar.

Vejam como as palavras são excessivas,
perante uma gota de suor
descendo pelo peito,
para morrer subtilmente onde a vida começa.

Sintam a magia de uma alma consumida pelo fogo de paixão
libertando-se das amarras
para com ela escrever a melodia de um refrão.

Sintam…
mas façam silêncio
que a obra nasce sem ser pedida,
e o sabor das palavras
é apenas o tempero colorido do silêncio,
com que pintamos as telas da vida.


©Graça Costa


APENAS


A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
em manhãs douradas.
E quando o sol desposta bebendo o orvalho,
sinto na vibração da pele,
o arrepio de acordar
envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um inverno inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar…

Não,
não digas nada.
Abraça-me apenas…


©Graça Costa


ELIXIR


Se a chuva te lamber o rosto,
despe-te de tudo o que é dor
das angustias
dos temores.
dos sonhos adiados que nunca serão cumpridos,
da fúria e do desencanto.

Despe a roupa
e no esplendor da nudez
deixa cair as gotas como pérolas
sente-as escorrer no corpo
e bebe-as como elixir de esperança
num amanhã
ainda por inventar.

 ©Graça Costa


quarta-feira, 30 de março de 2016

DANÇA LENTA


Apetece-me dançar.
Uma dança lenta como o amor em dias de paz.
Uma dança terna como violetas ondulando na maré verde da planície.
Uma dança suave como beijo que emerge das profundezas do ser.
Uma dança quente como o olhar cúmplice dos amantes.

Apetece-me ser tua.
Entregar-me à voragem da fome que queima por dentro,
que humedece os lábios, seca a garganta e incendeia o olhar.

Apetece-me viver,
com a intensidade de quem sabe que o amanhã pode não chegar,
mas com a calma de quem saboreia cada olhar, cada toque, cada beijo
como se de obras de arte se tratassem.

Apetece-me dançar.
Soltar as rédeas da imaginação,
libertar as amarras do sentir
olhar a nudez e sorrir.
Descobri que só nua de mim
me encontro verdadeiramente comigo e me descubro.

Talvez insegura,
talvez amedrontada
talvez ousada,
talvez inquieta, curiosa,
ou até mesmo vaidosa,
mas seguramente mais inteira.

Visceralmente… Eu.

Apetece-me dançar.
E vou…


©Graça Costa




FOME

 Sinto na pele a fome do teu abraço;
o calor das palavras ditas entre o beijo e o outro beijo,
entre o olhar e o sorriso
entre o afecto e a solidão.

Fome de palavras...
das ditas e das por dizer;
das sentidas e das gritadas
das largadas ao vento e das presas nos raios de sol,
das sussurradas e das inventadas,
pérolas displicentes...
esperando o momento.

Gosto desta fome e alimento-a de mais fome...
pois é da dor que nasce o poema,
e do poema nasce a canção
com que te pinto os dias.
Pincel ou grafitte,
aguarela ou esquisso...
Pouco importa.
A fome tem muitas cores...


© Graça Costa

                                                               Lana Moes

terça-feira, 29 de março de 2016

DOCEMENTE

Tem dias em que bordo as palavras
com aromas distantes, texturas, sensações.

Nesses dias, entrego-me de peito aberto
à vertigem do sentir
e deixo a alma e a pele mergulhar nesse porvir.

Doce, a ambivalência,
deste querer e não querer
deste amar até perder,
deste ter, sem te ver.

Nestes dias ,
fico quieta e nua nas asas da imaginação
entre o teu sentir
e o meu querer,
entre a paixão aflita,
o amor ardente,
entre a alma ferida e o coração dormente.

Depois,
morro dentro de ti
e aqui fico ,
bebendo  a magia terna
de anoitecer
docemente,
no teu abraço.

©Graça Costa