quinta-feira, 24 de março de 2016

HOJE

Hoje acordei cheia de palavras.
Passaram a noite a dançar-me no corpo,
a enlear-se-me nos cabelos
mantendo-me os sentidos alerta
e as emoções ao rubro.
Na boca bailava-me um sorriso traquina.
e os olhos eram faróis na escuridão.
Com eles, desenhei cenários que a boca cala
e a memória guarda nas gavetas dos sonhos.
Hoje acordei cheia de palavras.
Tenho-as no bolso,
adormecidas,
à espera do despertar.
©Graça Costa


quarta-feira, 23 de março de 2016

HOJE PRECISO

Hoje preciso de pérolas a lamber-me a pele.

Preciso da sua suavidade serena 
e da sua leveza selvagem e doce.

Preciso do arrepio do seu toque frio
e de sentir, como aquecem quando me beijam o corpo.

Hoje preciso de pérolas.

Com elas, vou inventar histórias,
orações e fantasias,
melodias e poemas
carícias sem nome nem voz
magia,
ternura,
paixão.

Apenas as pérolas e eu,
esperando o teu regresso.


©Graça Costa


ATÉ TI

Com a poeira da espera
enfrentei o corpo nu transcendente de afectos.

Que amante é esta
que te espera em súplica,
quase prece?

Que viver é este
prenhe de desejo,
alma na voz
e pele em chamas ?

Aguardo,
com o corpo raiado de estrelas
e o olhar crivado no entardecer
na esperança que me mereça.

No fio da noite,
a brisa impele-me o voo.

Não sei se fique se ouse.

Lá longe sinto o ritmo compassado de ti,
que num sussurro hipnótico me chama.

Tremo na antecipação de te ter,
e de sorriso em riste,
caminho até ti...

©Graça Costa

                                                                          Mekhz

terça-feira, 22 de março de 2016

SUDDENLY


Suddenly
you're melting eyes
struck me like a hurricane.

Feel naked...
felt good
almost if someone
was painting my body with a silky brush.

Your eyes struck me
and I stopped breathing.
Your hands reached me,
and all of became
a brand new spring
flourishing in my skin.

Your eyes became my eyes
my skin,
your skin,
and our passion
a perfume of surrender.

The day turned night,
but in our world
an eternal dawn was the only witness.


©Graça Costa




RETRATO DE UMA PRIMAVERA ANUNCIADA

Olhos de mirtilo,
boca de romã
pele de damasco,
sabor de amora, jasmim, hortelã e canela.

Deleite para os sentidos,
só de olhar
mata sede,
mas chama a fome,
aguça desejos inconfessáveis.

Imagino-a
com a sua paleta de cores, sorrisos e aromas,
com a sua gaiatice sensual,
chamando por alguém
apenas com o olhar.

No seu dossel de veludo e cetim,
despida dos encantos frutados,
pele serena e marfinada
mergulhando,  suave e leve no mundo dos sonhos.

Sonhos sonhados, decantados,
filtrados pela magia
do amor em construção.

Com ela guarda os segredos da pele
que fala a língua dos amanhã sem hora marcada.

Linguagem subtil...
com um toque de canela.


©Graça Costa


ABRAÇA-ME


Abraça-me como se tudo estivesse no princípio
e os teus dedos tocassem a minha pele pela primeira vez.

Apura os sentidos e decora-me o cheiro e o sabor.

Lavra-me o corpo de terra orvalhada
e planta-me a chuva no rosto
e na pele as sementes da paixão.

Depois espera…
reapra como o teu olhar se insinua,
perante o banquete de aromas, texturas e sabores
que o meu corpo te oferece.

Sacia-te neste campo de frutos silvestres
neste mar de coral
nesta fonte de água fresca.

Ou então...
abraça-me apenas.


©Graça Costa
foto - Internet


segunda-feira, 21 de março de 2016

POESIA

21 de Março - dia Mundial da Poesia - a minha singela e pessoal homenagem.

POESIA
Quem és tu a quem chamam poesia?
De quem és filha?
De quem és mãe?
Que genes trazes contigo para seres assim,
tão única,
tão bela,
tão prenhe de sonhos
memórias
lagrimas,
amores e paixões ?
Quem és tu que me rasgaste os sentidos
e num rendilhado de mel e dor
me obrigas a deixar cair no papel
estas palavras
e a outras
e tantas outras que sinto
mas ainda não ouso falar ?
Não te conheço o rosto
mas sinto-te a alma nos dedos,
o perfume na pele em chamas
o feitiço do querer e não querer,
as amarras e o não conseguir esquecer.
Não te conheço,
amiga,
amante,
irmã,
só sei que te trago na pele
e que sem ti fico nua
como recém -nascido sem cama.
©Graça Costa


sexta-feira, 18 de março de 2016

NÃO ESPERES

Não esperes pela madrugada para me amares.
Não esperes pelo amanhecer para me contemplares.
Não esperes pelo entardecer para me sorrires.

Não esperes, porque podem não chegar.
Não esperes porque não és dono do tempo
e o destino pode ter planos diferentes dos teus.

Não esperes...

Ama-me o mais que puderes
sempre que puderes,
onde puderes.

Sorri-me. como se não houvesse amanhã
e o sol morasse na minha pele.

Beija-me a pele com a ternura do amanhecer.

Toca-me com a magia das tempestades em alto mar,
fascinantes, furiosas, inconstantes, majestosas.

Mas nunca te esqueças.
Não esperes...
que o amanhã é incerto
e agora tens-me por perto
toda afecto
toda luz
toda tua.

Não esperes...




©Graça Costa



SENTE-ME

Percorre-me as ruas do corpo como se fosse a tua cidade.
Descobre os pormenores do lamento.
Embarca no destino que negas,
mas não podes evitar.

Sente-me…
Envolve-te no calor da pele
nos gemidos que  noite cala
mas a maresia consente
e ousa sorrir ao desconhecido
que te chama.

Ouve-me por entre o silêncio e o grito
aprende comigo o sentir sem palavras.

Inventemos uma língua nova,
serena e fluída como o brilho do olhar,
após o amor partilhado
na mudança da maré.

©Graça Costa 



quinta-feira, 17 de março de 2016

REINVENTING LOVE


If I were a snowflake
I would pray to melt on your lips.

If I were a summer breeze
I would try to touch your skin and make you shiver.

If I were a raindrop
I would like to fall down your body
in slow motion and see you smile.

And if I were tenderness
I would cover your being with warm kisses and endless caresses.

But...
I'm just me...
the one who loves you
no matter what
no matter where.

The one you discovered on the autumn of life
and who challenged you to reinvent love
like in a perpetual summer.


©Graça Costa