terça-feira, 22 de março de 2016

ABRAÇA-ME


Abraça-me como se tudo estivesse no princípio
e os teus dedos tocassem a minha pele pela primeira vez.

Apura os sentidos e decora-me o cheiro e o sabor.

Lavra-me o corpo de terra orvalhada
e planta-me a chuva no rosto
e na pele as sementes da paixão.

Depois espera…
reapra como o teu olhar se insinua,
perante o banquete de aromas, texturas e sabores
que o meu corpo te oferece.

Sacia-te neste campo de frutos silvestres
neste mar de coral
nesta fonte de água fresca.

Ou então...
abraça-me apenas.


©Graça Costa
foto - Internet


segunda-feira, 21 de março de 2016

POESIA

21 de Março - dia Mundial da Poesia - a minha singela e pessoal homenagem.

POESIA
Quem és tu a quem chamam poesia?
De quem és filha?
De quem és mãe?
Que genes trazes contigo para seres assim,
tão única,
tão bela,
tão prenhe de sonhos
memórias
lagrimas,
amores e paixões ?
Quem és tu que me rasgaste os sentidos
e num rendilhado de mel e dor
me obrigas a deixar cair no papel
estas palavras
e a outras
e tantas outras que sinto
mas ainda não ouso falar ?
Não te conheço o rosto
mas sinto-te a alma nos dedos,
o perfume na pele em chamas
o feitiço do querer e não querer,
as amarras e o não conseguir esquecer.
Não te conheço,
amiga,
amante,
irmã,
só sei que te trago na pele
e que sem ti fico nua
como recém -nascido sem cama.
©Graça Costa


sexta-feira, 18 de março de 2016

NÃO ESPERES

Não esperes pela madrugada para me amares.
Não esperes pelo amanhecer para me contemplares.
Não esperes pelo entardecer para me sorrires.

Não esperes, porque podem não chegar.
Não esperes porque não és dono do tempo
e o destino pode ter planos diferentes dos teus.

Não esperes...

Ama-me o mais que puderes
sempre que puderes,
onde puderes.

Sorri-me. como se não houvesse amanhã
e o sol morasse na minha pele.

Beija-me a pele com a ternura do amanhecer.

Toca-me com a magia das tempestades em alto mar,
fascinantes, furiosas, inconstantes, majestosas.

Mas nunca te esqueças.
Não esperes...
que o amanhã é incerto
e agora tens-me por perto
toda afecto
toda luz
toda tua.

Não esperes...




©Graça Costa



SENTE-ME

Percorre-me as ruas do corpo como se fosse a tua cidade.
Descobre os pormenores do lamento.
Embarca no destino que negas,
mas não podes evitar.

Sente-me…
Envolve-te no calor da pele
nos gemidos que  noite cala
mas a maresia consente
e ousa sorrir ao desconhecido
que te chama.

Ouve-me por entre o silêncio e o grito
aprende comigo o sentir sem palavras.

Inventemos uma língua nova,
serena e fluída como o brilho do olhar,
após o amor partilhado
na mudança da maré.

©Graça Costa 



quinta-feira, 17 de março de 2016

REINVENTING LOVE


If I were a snowflake
I would pray to melt on your lips.

If I were a summer breeze
I would try to touch your skin and make you shiver.

If I were a raindrop
I would like to fall down your body
in slow motion and see you smile.

And if I were tenderness
I would cover your being with warm kisses and endless caresses.

But...
I'm just me...
the one who loves you
no matter what
no matter where.

The one you discovered on the autumn of life
and who challenged you to reinvent love
like in a perpetual summer.


©Graça Costa


O BEIJO

Quase sem aviso
o beijo aconteceu.

Como poema calado
cresceu lentamente,
maré mansa,
que vira fogo
ateado pela urgência do desejo.

Perdido na ponta do medo
surgiu assustado
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.

Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma e o sentir,
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes
em que apenas o desejo tem voz.

E do beijo nasceu a entrega
e da entrega, a melodia dos corpos em chama...
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .

© Graça Costa

NAQUELA NOITE

Na penumbra apenas os contornos de ti
e o respirar lento e compassado de um sono,
profundo como o mar
e leve como brisa de verão.
A teu lado,
aquela a quem roubaram o sono
e que no torpor do cansaço
te bebe a calma com um sorriso.
Contemplo-te na penumbra
e no teu rosto vejo paz.
No vai e vem do teu peito,
o colo para o meu embalo
onírico,
terno,
pueril.
Percorro-te com o olhar,
o sorriso denuncia –te o prazer.
Despertas…
Como pétalas de estio
rumo ao amanhecer
cobres-me o corpo com beijos
e a noite…
ah...a noite estendeu-nos o manto do sentir.
©Graça Costa

                                                           Andrew Gonzalez

PELE

Pele…
Nada como o toque aveludado da pele,
a forma como se arrepia ante a caricia,
como responde ao beijo lento e rastejante,
à língua quente e húmida,
ao gemido ,
ao arfar do desejo incandescente,
à súplica do olhar.

Pele…
Tela de paixões inquietas,
magia serena em noites calmas
ou feiticeira  dos dias que nascem sem porquê.

Pele, poema
Pele, canção
Pele, sinfonia de Outono em pleno verão.

Pele em espera.
Pele em escuta.
Pele sedenta da água das tuas mãos.

Pequena gota de orvalho...
alimento da flor da madrugada.


©Graça Costa


quarta-feira, 16 de março de 2016

FIM DE TARDE


Aquele fim de tarde trazia consigo
promessas de morangos silvestres em calda de açúcar
deslizando pelo meu corpo.

Vi-o chegar com  brilho no olhar e o sorriso da espera.

Nas mãos o formigueiro do desejo guardado
e na ponta dos dedos,
gritos surdos gritando liberdade.

Sentiu-lhe a maresia nos cabelos,
o aroma da terra
e a tormenta do mar em dia de tempestade.

Sorriu-lhe e também ela se deixou envolver
abençoando o silêncio que tudo diz.

É que naquele fim de tarde
que trazia consigo promessas de morangos silvestres em calda de açúcar,
fez-se magia,
bailado,
sinfonia,
e nem uma palavra se ouviu,
naquele fim de tarde que adormecia.

A noite veio
lambuzada de amor.

Discreta curvou-se,
e quase chorou.


©Graça Costa












TANGO DE UMA NOTA SÓ

Sereno o aroma da tarde envolveu-lhe os sentidos.
Gentil, quase sensual,
acariciou-me o rosto e dançou-me no corpo
como tango de uma nota só.
Magia nesta tarde de inverno,
antecâmara da primavera que se adivinha.
©Graça Costa