quinta-feira, 17 de março de 2016

O BEIJO

Quase sem aviso
o beijo aconteceu.

Como poema calado
cresceu lentamente,
maré mansa,
que vira fogo
ateado pela urgência do desejo.

Perdido na ponta do medo
surgiu assustado
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.

Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma e o sentir,
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes
em que apenas o desejo tem voz.

E do beijo nasceu a entrega
e da entrega, a melodia dos corpos em chama...
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .

© Graça Costa

NAQUELA NOITE

Na penumbra apenas os contornos de ti
e o respirar lento e compassado de um sono,
profundo como o mar
e leve como brisa de verão.
A teu lado,
aquela a quem roubaram o sono
e que no torpor do cansaço
te bebe a calma com um sorriso.
Contemplo-te na penumbra
e no teu rosto vejo paz.
No vai e vem do teu peito,
o colo para o meu embalo
onírico,
terno,
pueril.
Percorro-te com o olhar,
o sorriso denuncia –te o prazer.
Despertas…
Como pétalas de estio
rumo ao amanhecer
cobres-me o corpo com beijos
e a noite…
ah...a noite estendeu-nos o manto do sentir.
©Graça Costa

                                                           Andrew Gonzalez

PELE

Pele…
Nada como o toque aveludado da pele,
a forma como se arrepia ante a caricia,
como responde ao beijo lento e rastejante,
à língua quente e húmida,
ao gemido ,
ao arfar do desejo incandescente,
à súplica do olhar.

Pele…
Tela de paixões inquietas,
magia serena em noites calmas
ou feiticeira  dos dias que nascem sem porquê.

Pele, poema
Pele, canção
Pele, sinfonia de Outono em pleno verão.

Pele em espera.
Pele em escuta.
Pele sedenta da água das tuas mãos.

Pequena gota de orvalho...
alimento da flor da madrugada.


©Graça Costa


quarta-feira, 16 de março de 2016

FIM DE TARDE


Aquele fim de tarde trazia consigo
promessas de morangos silvestres em calda de açúcar
deslizando pelo meu corpo.

Vi-o chegar com  brilho no olhar e o sorriso da espera.

Nas mãos o formigueiro do desejo guardado
e na ponta dos dedos,
gritos surdos gritando liberdade.

Sentiu-lhe a maresia nos cabelos,
o aroma da terra
e a tormenta do mar em dia de tempestade.

Sorriu-lhe e também ela se deixou envolver
abençoando o silêncio que tudo diz.

É que naquele fim de tarde
que trazia consigo promessas de morangos silvestres em calda de açúcar,
fez-se magia,
bailado,
sinfonia,
e nem uma palavra se ouviu,
naquele fim de tarde que adormecia.

A noite veio
lambuzada de amor.

Discreta curvou-se,
e quase chorou.


©Graça Costa












TANGO DE UMA NOTA SÓ

Sereno o aroma da tarde envolveu-lhe os sentidos.
Gentil, quase sensual,
acariciou-me o rosto e dançou-me no corpo
como tango de uma nota só.
Magia nesta tarde de inverno,
antecâmara da primavera que se adivinha.
©Graça Costa


NA MINHA PELE

Ontem vesti-me de noite para me esconder da escuridão.
Hoje, apenas de pele para me perder na tua mão.

E quando a alvorada romper a noite
e a pele continuar pele
a tua mão será para ela cama,
com sabor a penas,
alfazema e dossel.

Fica.
Embala-me o sono,
toca-me o rosto em tom de abandono
mas fica.
Fica.
porque a pele chama
e o corpo reclama,
a tua pele na minha pele.


©Graça Costa




terça-feira, 15 de março de 2016

NA PONTA DOS DEDOS


Acordei com as mãos entrelaçadas nas tuas
e parei de respirar só para te sentir.

Nesse encontro de pele e alma
senti a magia de um amanhecer sem pressas
e deixei-me levar pelo embalo da brisa que lá fora batia o compasso do dia.

Das tuas mãos nasceu a descoberta do encontro,
a vibração emergente da paixão
visível no delicado tactear da pele,
na subtileza do toque,
no gemido terno,
na fome do beijo,
no previsível êxtase.

Tudo bebi , com a calma do amanhecer
e descobri que por vezes,
o amor começa…
na ponta dos dedos.

©Graça Costa





AT LAST


With an upraised kiss
and skin in flames you arrived.

On your look a pleading of bruised flesh
a muffled sob of absence
and an highway to the sweetness of caresses.

The absence of your hands suffocates me.
It makes my days hurt
and marked in gray and northerly wind tones.
I almost feel you
although I can’t see you yet.

The grey becomes lighter
illuminating my body just to guide your path.

With an upraised kiss
and skin in flames you arrived.

On the room's corner
just a hunger moan
before the feast of bodies and souls
guiding stars of unrestrained passions
and eternal nights.


©Graça Costa


segunda-feira, 14 de março de 2016

AMANTES SEM TEMPO

Partiste,
deixando-me um desejo tardio no corpo.
O, até logo, sussurrado
deixou no ar um aroma de promessas
e no olhar uma paixão por cumprir.

No beijo,
ficaram as palavras por dizer
na pele as carícias por sentir
e na alma o amor revisitado
que a noite sempre me traz.

Foi então que a magia aconteceu,
e o dia fez-se noite
somente para eu te ter.

Senti-te chegar
e sorri.

Soltei o corpo
e deslizei para o horizonte selvagem,
onde os sonhos ganham voz
pelas mãos dos amantes sem tempo.

©Graça Costa 



QUASE...

Tem noites em que sinto um toque no rosto,
quase suplica,
quase dor,
quase beijo,
quase amor.

Nessas  noites sou brisa,
calma,
ternura,
alma,
conforto,
aconchego,
que o acordar não rouba
nem o dia desfaz.

Nessas noites
as horas passam como brisa em tarde calma.
O sono reclama abraço.
Recebo o dia com um sorriso na alma
e no olhar as memórias que me alimentam os sonhos


©Graça Costa


                                                            Kristine Brookshire