terça-feira, 8 de março de 2016

O BEIJO


Gosto do beijo que não dei...

do beijo imaginado,
desenhado nos contornos da mente.

Sinto-lhe o cheiro e o sabor,
a textura, o calor.

Insinuante o beijo que não dei.

Mágico,
como tudo o que é sonho
ainda por nascer


© Graça Costa
tela - Magritte

SÓ TU, MULHER / ONLY YOU, WOMAN

Só tu , mulher, consegues sorrir com aquele sorriso que nada promete e tudo permite imaginar.
Só tu, mulher, consegues chorar , sorrindo, lançando ao vento pérolas de luz, ainda que iluminadas por dor e perda.
Só tu, mulher, consegues trazer no peito as fraquezas do mundo e no olhar , a ternura de criança capaz de as curar.
Só tu, mulher, sabes dar como quem recebe e plena de afectos partilhados, teces no luar dos dias a alegria de renascer em cada abraço.
Só tu, mulher , podes..., se sentires como quem ama, lançar a sementes do amanhã por inventar, esse lugar mágico onde o afecto será cama e o teu corpo mar eterno, terra por lavrar.
Tu podes, mulher...

©Graça Costa

Only you, woman, can smile with that smile that promises nothing and allows a world of imagination.
Only you, woman, can cry, smiling, throwing to the wind tears like light pearls, although lit up by pain and loss.
Only you, woman, can bring in the chest the weaknesses of the world and on the look, the tenderness of a child, able to cure them.
Only you, woman, can give as if receiving and playing with the moonlight fill the joy of rebirth in every hug.
Only you woman can ... if you feel like, throw the seeds of new tomorrows yet only dreamed, that magical place where affections turn bed and your body , eternal sea and land for tilling.
You can, woman ...
You must!!
©Graça Costa


segunda-feira, 7 de março de 2016

VEM

Anda…
Vamos inventar um caminho novo,
desenhado a pastel ou aguarela
melodia ou primavera,
doce e mágico como beijos roubados,
nas colinas do sonhos e da imaginação.

Anda…
dá-me a tua mão.
Deixa-me guiar-te neste mundo inventado
em que o corpo ganha voz
e a voz ganha corpo e luz,
magia e sedução.

No teu olhar sinto a urgência das marés,
o marulhar dos afectos,
a fome por saciar.

Nas palavras por dizer,
pressinto trilogias escritas em noites frias de inverno
ao som do crepitar das chamas,
ou ao som do vento ou de um bolero.

Pressinto a madrugada,
e assim fico …quieta e nua,
presa no limbo de poemas sussurrados ao ouvido do amanhecer.


©Graça Costa


domingo, 6 de março de 2016

PROCURO


Procuro no tempo,
o tempo em que o teu olhar
era a ampulheta dos sonhos
que sonhámos juntos.

Procuro no tempo,
o tempo em que do toque da pele
nascia a magia do entardecer
e no beijo trocado,
ternura aos pedaços
guardada na memória de dias errantes.

Procuro no tempo ,
o tempo em que na escuridão da noite
segui os teus passos
e na melodia do bater do coração te encontrei.

Procuro-te no tempo que foi
e no que há-de vir
porque sem ti na minha pele
não existe amanhecer.


©Graça Costa




LUAR

Veste-te de luar e abraça-me. 

Envolve-me no sereno calor dos teus braços de nuvem. 
Sussura-me a docura do mel, 
suavemente, 
devagar
até te derreteres em mim.
 
Embala-me e leva-me para lá do sonho, 
para lá de mim

e quando finalmente adormeçer... 
deixa o amanhã acontecer.



© Graça Costa


sexta-feira, 4 de março de 2016

I LOVE YOU


If pain strikes you right on your chest,
hold your breath
and think about me.

Remember our never ending nights
when bodies and souls
flew by the room
like feathers on an autumn breeze.

Remember my eyes sparkling
when our lips touched
remember my touch
remember my whispers
while melting in you.

Close your eyes
and just remember.

Quite sure
pain will vanish
and from your face
smiles of passion and hope
will enlighten the room.

Never forget the power of memories my love
for as long as we nourish them,
love will prevail even if we are apart.

I love you
and bet you can feel it
always !!!


©Graça Costa


UM POUCO DE MAGIA

Por vezes precisamos de um pouco de magia.

Tanto pode ser um olhar
daqueles assim quentes e doces
que nos envolvem o ser,
como um raio de sol a bater nos cabelos,
ou uma gota de chuva a escorrer pelo rosto
até adormecer na boca entreaberta.

Por vezes precisamos mesmo de um pouco de magia.
daquela que só se sente nas coisas pequenas
como a ternura de um beijo de criança
uma espiga de trigo balançando ao por do sol
um sorriso subtil ou um toque de pele desgarrado.

É bem verdade,
por vezes precisamos mesmo de um pouco de magia
para que sintamos,
que esta coisa do viver,
também pode ser Poesia.

©Graça Costa


VIAGEM

Tem dias em que viajo ao interior de mim
na esperança de encontrar a criança que fui.
Dela guardo
memorias,
algumas saudades,
pequenos afectos,
sonhos que nunca foram pele.

Guardo também cicatrizes.
Lágrimas ,
lutas e coragens,
cheiros, poemas, imagens,
tatuagens gravadas na pele
que ao toque recorda
a criança que fui,
a mulher que sou.

E se tivesse seguida outras estradas?
Se o acaso,
o destino
um brilho de olhar,
um sorriso,
uma qualquer pedra no caminho,
me fizesse mudar o curso desta história
tecida a pincel
martelo e cinzel?

Com o barro dos dias
fui construindo a canção
o embalo dos dias,
a janela do coração.

E assim me tornei
maré viva,
turbilhão,
peróla,
gema,
madrugada,
solidão,
beijo,
carícia,
paixão.

Uns dias serena.
Outros dias,
não…


©Graça Costa


quarta-feira, 2 de março de 2016

MEU CORPO, MEU RIO

No meu corpo correm rios de afectos partilhados
e outros ainda por desbravar.

Nas suas margens, nenúfares e chorões
abraços e canções,
melodias de outono sereno estendendo os braços,
ao por do sol reflectido na placidez das águas.

Nelas, correm também rios de dor
na sua lenta caminhada até ao afluente do rosto.

Aí …desaguam,
transbordam,
rebentam comportas que ninguém vê e só tu sentes,
ecoando no silêncio surdo e melancólico do olhar.

Alguns tornam-se riachos e acabam por secar.
Outros agigantam-se e levam-te na torrente.

Nesses dias o corpo deixa de ser corpo
e passa a ser maré viva,
vento norte
tempestade,
luta,
desespero,
naufrágio.

Assim é a vida
e os corpos que nela vivem.
Nuns dias sol,
noutros trovoada.

Por vezes amor, ternura, paixão.
Outras vezes,
vazio,
quase nada,
ilusão.

Meu corpo,
meu rio…
serpenteando nas veredas do sentir
até ao mar do teu olhar.

©Graça Costa



AQUI ME TENS

Aqui me tens
de cara lavada e alma nua.
Aqui me tens ,
resplandecente de esperanças e memórias,
gritos surdos na garganta
e melodias no olhar.
Aqui me tens,
com o desejo à flor da pele
e uma girândola de afectos
pendurada no peito.

Ama-me como fores capaz.
Liberta-me das noites sem luar.
Polvilha-me o corpo de estrelas cadentes
e quando ela morrerem no horizonte,
que a tua boca seja o guia  da noite,
e o meu corpo
a tua bússola, barco e leme
numa viagem só de ida.

Aqui me tens
neste mar revolto dos dias agrestes
em que sou tranquilidade de tardes de outono,
paredes meias
com a noite que teima em não me ver.

Aqui me tens...
Ama-me se puderes,
ou então deixa-me ficar
na curva do fim da tarde
onde a morte por vezes passa
e costuma ser branda
para os corações sem dono.

©Graça Costa