quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

GOSTAVA DE TE DIZER

Gostava de poder dizer-te 
que o amor que sinto é do tamanho do universo,
mas não posso...
O universo pode ser demasiado pequeno e tenho receio de errar.
Gostava de poder dizer-te que o desejo que sinto
tem a magia de uma manhã clara,
mas nunca fui manhã e não sei definir essa magia.
Gostava de poder dizer-te que a felicidade é eterna,
mas sei que não é...
tal como sei que as palavras que escrevo
são apenas letras pintadas de emoção embrulhadas de cetim.
Por isso não te digo o amor que sinto.
Deixo que o descubras
e que o digas por mim.

©Graça Costa


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

FELICIDADE

Da felicidade já interiorizei
a sua fragilidade,
assimilei a subtileza do seu toque,
a ternura da sua chama,
a suavidade do seu abraço,
a efemeridade do seu amanhecer.

Feito isto,
dela apenas posso desejar,
que dure o suficiente
para se tornar memória.

©Graça Costa




SEM AVISO

Quase sem aviso
o beijo aconteceu.

Como poema calado
cresceu lentamente,
maré mansa,
que vira fogo
ateado pela urgência do desejo.

Perdido na ponta do medo
surgiu assustado
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.

Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma e o sentir,
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes
em que apenas o desejo tem voz.

E do beijo nasceu a entrega
e da entrega, a melodia dos corpos em chama...
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .

© Graça Costa

                                                           Matteo Arfanotti

IMPROVÁVEL

Frio, cinzento e chuvoso
o dia trazia consigo o prenuncio de tristeza.

Frios e tristes
também os olhares dos transeuntes
que abraçados em si mesmos
pareciam querer guardar para a eternidade
uma réstia de calor ou de esperança num pequeno raio de sol.

No ar, uma aura de estranheza
sufocada pelo vento bruto,
agreste,
mandão.

Naquele dia que acordou frio e triste
nada fazia prever
que o horizonte do fim da tarde
fosse envolvido
por aquele quente, delicado e hipnótico calor.

E foi então que o improvável aconteceu.

O dia transmutou-se,
através do simples olhar de uma Mulher.


©Graça Costa


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

NO TEU OLHAR

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Sem saber como defini-lo
estendi-lhe o sorriso e bebi-o,
lentamente,
em silêncio,
como ritual sagrado.

Saboreei cada trago
com a dolência da paixão imprevista.

Deixei-me levar pelo arrepio da eternidade do momento.

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Vieste sem aviso mas com a força de uma maré viva
e eu recebi-te com a ternura de uma onda a beijar a areia.

Sem saber como te responder,
vesti-me de lua
coloquei nos cabelos pétalas de orvalho
e dei-me ao teu olhar em oferenda.

Depois anoiteceu…
e a noite é cúmplice de amantes inquietos.


©Graça Costa
imagem retirada do Pinterest


ROTA DO SONHO

Percorre-me o corpo como se fosse mar
e toca-me a alma como se fosses brisa.

Desperta-me os sentidos e torna-me tua.
Bebe-me.
Saboreia-me.

Entranha-me na tua pele
e nessa mescla do tudo e do nada
de excessos e devaneios,
façamos da noite uma melodia de afectos
languida e suave como o amor que termina e recomeça,
como maré
sem cessar.

E quando o cansaço for maior que o desejo
saibamos morrer…
entrelaçados,
exaustos pelo prazer vivido e pelo que há-de vir
quando o brilho do olhar
voltar a incendiar-nos a pele.

©Graça Costa
imagem da web





sábado, 20 de fevereiro de 2016

FICA

Bebe-me os sentidos
como se fosses brisa e eu fosse mar.

Saboreia-me a pele
como se fosse mel
e derrete-te nos meus olhos.

Deixa que a madrugada me inunde o Ser
e o dia surja com a serenidade de uma melodia primaveril.

Deixa...
mas fica,
que o corpo pede e a alma exige
a perene entrega dos corpos em chama.

Deixa-te ficar no meu corpo feito luz,
no meu peito feito cama
e quando o sono vier...
dorme...
mas fica dentro de mim

©Graça Costa


                                                                 Dorina Costras

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A LITTLE PIECE OF HEAVEN

I taste a little piece of heaven
each time your lips travel around my skin.

I taste a little piece of heaven
each time you touch me
and my body becomes a violin,
a piano,
a full orchestra,
or only a whisper
lost in the room.

I taste a little piece of heaven
each time I close my eyes
and let my soul fly
throughout the warmth of your embrace.

Our love is heaven in slices,
an open book with empty sheets
for us to draw,
all new world to discover.

All we have to do is believe
that soulmates ate meant to be
and that miracles need to be fed
to keep on sparkling.


©Graça Costa


CONTIGO

Bom quando o sorriso se solta dos lábios
e voa directo aos teus olhos.

Bom quando o beijo ganha asas e mesmo ao de leve
consegue arrancar-te um arrepio da alma.

Bom quando do toque da pele nasce o rendilhado da paixão,
da brisa, a canção,
do raio de sol, a fusão dos corpos,
quentes e suados como monções.

Bela a troca de olhares que o universo entende.
Belas as palavras sussurradas ao luar,
cúmplices de noites eternas.

Contigo, 
a branda textura do amanhecer
tem brilho de diamante
e o odor de vida acabada de florir.

Contigo sou mar e chama
harmonia e desengano,
flor do campo e arvoredo
alma irrequieta,
sossego

Assim fico
bebendo os dias bordados a pincel
em que o meu corpo é tela
e o teu
tinta fresca penetrando a aurora.



©Graça Costa



AMIGO

Amigo,
pedaço de mim que dou a guardar,
espero que o faças com carinho de irmão
e nas horas de dor
possa sentir o calor da tua mão.

Que o não há longe nem distância
não seja mito mas verdade
e que as frases feitas
tenham recheio de ternura partilhada.

Amigo,
pele da minha pele
voz da minha voz
sorriso dos meus olhos,
lembra-me nas tuas preces
recorda-me na tua paleta de sonhos,
toma-me nos teus braços
e se eu chorar
chora comigo ou enxuga-me as lágrimas.

Amigo,
quem és tu?

Não sei sequer se existes...
mas gosto da construção
que fiz de ti,
de como te desenhei
dos aromas com que te envolvi
e como te tenho guardado,
qual tesouro no baú das memórias
que talvez nunca tenham chegado a ser dia.


© Graça Costa

                                                             Amanda Cass...