sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

CONTIGO

Bom quando o sorriso se solta dos lábios
e voa directo aos teus olhos.

Bom quando o beijo ganha asas e mesmo ao de leve
consegue arrancar-te um arrepio da alma.

Bom quando do toque da pele nasce o rendilhado da paixão,
da brisa, a canção,
do raio de sol, a fusão dos corpos,
quentes e suados como monções.

Bela a troca de olhares que o universo entende.
Belas as palavras sussurradas ao luar,
cúmplices de noites eternas.

Contigo, 
a branda textura do amanhecer
tem brilho de diamante
e o odor de vida acabada de florir.

Contigo sou mar e chama
harmonia e desengano,
flor do campo e arvoredo
alma irrequieta,
sossego

Assim fico
bebendo os dias bordados a pincel
em que o meu corpo é tela
e o teu
tinta fresca penetrando a aurora.



©Graça Costa



AMIGO

Amigo,
pedaço de mim que dou a guardar,
espero que o faças com carinho de irmão
e nas horas de dor
possa sentir o calor da tua mão.

Que o não há longe nem distância
não seja mito mas verdade
e que as frases feitas
tenham recheio de ternura partilhada.

Amigo,
pele da minha pele
voz da minha voz
sorriso dos meus olhos,
lembra-me nas tuas preces
recorda-me na tua paleta de sonhos,
toma-me nos teus braços
e se eu chorar
chora comigo ou enxuga-me as lágrimas.

Amigo,
quem és tu?

Não sei sequer se existes...
mas gosto da construção
que fiz de ti,
de como te desenhei
dos aromas com que te envolvi
e como te tenho guardado,
qual tesouro no baú das memórias
que talvez nunca tenham chegado a ser dia.


© Graça Costa

                                                             Amanda Cass...

OUSADIA

Ousara eu ser sol para te afagar o rosto.
Ser lágrima para te escorregar na pele.
Ser mar para te envolver na maré.

Ousara eu ser terra
para te plantar um sorriso nos lábios
sereno e suave como fim de tarde,
aconchego da noite,
celebração de amantes no esteio da vida.

Ousara eu ser maresia,
ternura,
fantasia,
ladra dos teus abraços
no turbilhão profuso dos  afectos.

Ousara eu Ser
e morreria plena de mim
no teu olhar…


©Graça Costa

                                                                      Esther Bayer 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O BEIJO


No dedilhar do piano
imaginei o beijo,
doce,
carnudo,
sumarento como amora madura
degustada à beira do mar.

Fechei os olhos
e no embalo das notas
o beijo ganhou forma,
límpida e cristalina como gota de orvalho
no despontar do amanhecer.

Com o beijo nasceu o sorriso,
e com o sorriso o abraço
e com o abraço o enlaço.

Sereno e algo travesso estampou-se no rosto
percorrendo o corpo,
com a inocência
de uma primeira vez.

© Graça Costa






NA MINHA PELE

Ontem vesti-me de noite para me esconder da escuridão.
Hoje, apenas de pele para me perder na tua mão.

Quando a alvorada romper a noite
e a pele continuar pele,
que a tua mão será para ela cama
ternura,
afectos em chama.

Fica...
Embala-me o sono
toca-me o rosto em tom de abandono
mas fica...

Fica...
porque a pele chama
e o corpo reclama,
a tua pele
perdida na minha pele.

©Graça Costa


CONTINUAR

Aquela fusão de céu e mar
trazia-lhe uma espécie de paz,
qual mantilha de felpo
macia,
aromática,
pontilhada de maresia e caramelo.
Naquela paisagem sem fim
passeavam pedaços de si.
Primeiros passos,
primeiros risos,
sons,
cheiros,
matizes de outros verões,
outras vidas.
outras canções.
Havia naquele lugar um quê de verdade,
um quê de ternura,
um quê de emoção
que lhe humedecia o olhar e lhe aquecia o coração.
Naquela paleta de tons de azul
descansava sempre que se sentia só.
Por isso voltava,
repetidamente voltava,
e naquela fusão de céu e mar
bebia, de um trago
a coragem para continuar.
©Graça Costa


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

APENAS

Abraça-me como se tudo estivesse no principio
e os teus dedos tocassem a minha pele pela primeira vez.

Apura os sentidos e decora-me o cheiro e o sabor.

Lavra-me o corpo de terra orvalhada
e planta-me a chuva no rosto
e as sementes da paixão na pele.

Depois espera...
contempla como o teu olhar se insinua,
perante o banquete de aromas, texturas e sabores
que o meu corpo te oferece.

Sacia-te neste campo de frutos silvestres
neste mar de coral
nesta fonte de água fresca.

Ou então...
abraça-me apenas.


©Graça Costa
imagem da web


FEEL ME

Run through the streets of my body
as if it were your town.
Find out the details of regret.
Board on the destination you deny,
but you can't avoid.

Feel me ...
Engage yourself in the heat of the skin,
in the groans that night silences
and the sea breeze consent.
Dare smiling to the unknown who calls you.

Hear me,
between the silence and the shout.
Learn with me speechless feelings.
Lets Invent a new language,
serene and fluid like the glitter look,
after love shared
on the turning of the tide.


©Graça Costa
image from web


AMANHECENDO

O amanhecer trouxe-lhe à retina, memórias dos tempos em que o tempo não tinha tempo e a vida era vivida ao segundo, com a intensidade de um nunca mais.

Sentiu saudades desse tempo, em que tecia o tempo com mãos de amante e olhos de artista;

em que no silêncio da noite compunha a quatro mãos sinfonias com os tons quentes e suaves de outonos dourados e o sono era embalado pelas carícias que só o amor cúmplice reconhece.

Nesse amanhecer, enquanto o sol rasgava a aurora, sentiu o aroma familiar do amor recente e ficou um pouco mais, saboreando o alimento dos sentidos e a magia do dia que nascia.

Beijinho da Graça


©Graça Costa



RETRATO DE UMA PRIMAVERA ANUNCIADA

Olhos de mirtilo,
boca de romã
pele de damasco,
sabor de amora, jasmim, canela e hortelã.

Deleite para os sentidos,
só de olhar
mata sede,
atenua fome,
aguça desejos inconfessáveis.

Imagino-a
com a sua paleta de cores, sorrisos e aromas,
com a sua gaiatice sensual,
chamando por alguém
apenas com o olhar.

No seu dossel de veludo e cetim,
despida dos encantos frutados,
pele serena e marfinada
entra suave e leve no mundo dos sonhos.

Sonhos sonhados,
decantados,
filtrados pela miragem
do amor em construção.

Com ela guarda os segredos da pele
que fala a língua de um amanhã sem hora marcada.

Linguagem subtil...
com um toque de canela.


©Graça Costa