segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

AMANHÃ


No amanhã que começa a nascer,
quero que saibas que a alfazema do jardim
vibra de aromas e tons de maresia.

Que a lua sorri aos amantes sem tecto
e lhes estende os braços dando-lhes uma cama de afectos,
que os olhos brilham,
ansiosos pelos sonhos ainda por sonhar,
e que a vida rola
como carrossel de risos e lamentos
abraços e tormentos,
tecendo a rede
dos dias calmos
ou de dias de tormentas.

Quando o amanhã surgir no horizonte
talvez esteja nos braços do sono
ou dentro de um sonho com cheiro de alfazema
e tons de jasmim.

Se assim for, estarei sorrindo
porque os braços da lua entenderam-se para mim.
©Graça Costa



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

CHEGASTE / AT LAST

Chegaste de beijo em riste
e de pele em chama.
No olhar a súplica da carne ferida,
o soluço surdo da ausência,
o caminho aberto à doçura da carícia.

Vem
que me sufoca a agonia da ausência das tuas mãos
e doem-me os dias marcados a tons de cinza e vento norte.

Vem,
que te sinto a presença ainda que não te veja.
Vem,
que que o cinza dos dias tornou-se luz
iluminando o meu corpo guia para o teu caminho.

Chegaste de beijo em riste
e de pele em chama.

No canto da sala apenas o gemido da fome
e sorrisos de festa e dor
ante o banquete de corpos cansados,
estrelas guia de paixões incontidas
e noites eternas.

©Graça Costa


AT LAST

With an upraised kiss
and skin in flames you arrived.

On your look a pleading of bruised flesh
a muffled sob of absence
and an highway to the sweetness of caresses.

The absence of your hands suffocates me.
It makes my days hurt
and marked in gray and northerly wind tones.
I almost feel you
although I cant see you yet.

The grey becomes lighter
iluminating my body just to guide your path.

With an upraised kiss
and skin in flames you arrived.

On the room's corner
just a hunger moan 
before the feast of bodies and souls
guiding stars of unrestrained passions
and eternal nights.

©Graça Costa




                                                         Channig Tatum


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

URGÊNCIA


Digam-me como conter a urgência ?
O que fazer quando sentes a pele rebentar de emoções,
e as palavras a borboletearem-te na cabeça,
incessantes,
intensas,
frenéticas ?

Digam-me como conter a urgência de ternura ?

Como pedir, sem pedir
lábios carnudos e sedentos de beijos
carícias, lamentos,
paixão,
a emoção do dar e receber
que antes de ser já se sente?

Digam-se, como viver sem sentir?
Porque não sei e não quero,
ser espectro errante sem alma
imagem de gente, mas não pessoa.

Digam-me como conter a urgência de amar
para que eu a acorrente
e o mar não a leve com a maré.


©Graça Costa


PALAVRAS

Passeiam-me pelo corpo as palavras.
Como mãos nuas e rugosas
de quem trabalha a terra sem luvas,
emborracham-se na tela do meu corpo feito papel,
feito cinza
ou feito mar.
Recheando os afetos de verbos,
adjectivos,
pronomes e interjeições,
como amantes experientes eu e as palavras brincamos;
Fantasiamos
Exploramos,
Gozamos
Rimos e choramos
Ou simplesmente contemplamos.
Há algo de profundamente sensual nas palavras,
na forma de as saborear,
trincar,
adivinhar,
na forma como as damos,
ou insinuamos,
na insensatez do quase
que não chega a ser verbo.
Passeiam-me no corpo as palavras…
Uns dias pedra,
outras cinzel.
Uns dias fome,
outros dias…
mel.
©Graça Costa


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

LET

Let your skin be my road to heaven.
Let your lips be my dream to wonderland.
Let your body be the alphabet of love in disguise
of laughter,
of whispers,
of shivers,
of surrender.

My body is your shelter.
My touch the seed of love.
My eyes cross rough frontiers
just to caress your soul.

Take me,
to that place where streets have no name;
to that magic place that changes when we make love.
The sun shines stronger,
the rain is sweeter
and time stops
just to let us dream.

Take me
for I'm longing to your touch.


©Graça Costa







PELE

Nada como o toque aveludado da pele,
a forma como se arrepia ante a caricia,
como responde ao beijo lento e rastejante,
à língua quente e húmida,
ao gemido ,
ao arfar do desejo incandescente
à súplica do olhar.

Pele…
Tela de paixões inquietas
magia serena em noites calmas
ou feiticeira  dos dias que nascem sem porquê.

Pele, poema
Pele, canção
Pele, sinfonia de Outono em pleno verão.

Pele em espera.
Pele em escuta.
Pele sedenta da agua das tuas mãos.
Pequena gota de orvalho,
alimento da flor da madrugada.


©Graça Costa
imagem da web


DEIXA-ME FICAR

Deixa-me ficar
no exacto momento em que tudo acabou,
no exacto instante em que da explosão dos corpos
a eternidade nos inundou o olhar,
no exacto segundo e que fomos um átomo no firmamento da paixão.

Deixa-me ficar,
pois enquanto acordo, saboreio,
enquanto saboreio, sinto
e enquanto sinto,
volto ao exacto instante em que,
uma simples troca de olhares,
um simples toque de pele
um sereno e subtil arrepio
mudou o meu mundo para sempre.

Deixa-me ficar assim,
que logo me darei de novo
com a urgência de uma primeira vez
bebendo a ternura das tardes longas
em que ficamos ,
entrelaçados, rumo ao amanhecer.

©Graça Costa
quadro - fonte Web


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

FIM DE TARDE

Havia magia naqueles corpos entrelaçados como renda de bilros;
nos gemidos e  lamentos sussurrados,
na conversa vibrante dos olhares trocados,
no silêncio que grita.
na serena cumplicidade da candeia pousada no caos do chão do quarto.

Havia magia naquele fim de tarde invernoso
orvalhado pela paixão e pela melodia dos afectos.
Havia magia gravada na tela da memoria daqueles  amantes inquietos,
sedentos de outro dia,
ansiosos por outra tarde.

Havia magia e houve milagre.
Fénix renascida
voando no esplendor da tarde.


©Graça Costa
imagem retirada da Web


AGUARDO

Por entre a neblina bebo o teu perfil
sereno e brando como brisa de outono,
quente e suave como sol a caminho de adormecer.

Imagino a minha pele cantar sob o teu toque
e quase consigo sentir o sabor da tua boca.

Fogueira e fonte,
medronho e água mel,
arrepio e gargalhada.

Nas tuas mãos sou barro por moldar,
mosto aquecido,
vulcão adormecido,
desejo em convulsão.

Chamo-te só com o brilho do olhar.

O vento entende o meu sorriso
e leva-te o meu nome até aos confins do teus ser.

Aguardo…
e a espera é doce.


©Graça Costa
foto - Eu


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

NA ORLA DO PÔR DO SOL

Se eu beber dessa luz que trazes nos olhos,
a noite calar-se-á
só para nos sentir.

Se eu beber desse olhar
que ilumina a vida em mim
o amanhecer será magia
e o entardecer alquimia.

Sem o teu olhar
não te teria gravado no peito,
eu não seria eu
nem nós seriamos nós
mas apenas silêncios de dor em fuga.

Mas não...
da luz e do olhar criei amor em Dó maior
melodias com harmonias insuspeitas,
improváveis,
inesquecíveis,
como aquele primeiro beijo
na orla do pôr do sol .

©Graça Costa