terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

AGUARDO

Por entre a neblina bebo o teu perfil
sereno e brando como brisa de outono,
quente e suave como sol a caminho de adormecer.

Imagino a minha pele cantar sob o teu toque
e quase consigo sentir o sabor da tua boca.

Fogueira e fonte,
medronho e água mel,
arrepio e gargalhada.

Nas tuas mãos sou barro por moldar,
mosto aquecido,
vulcão adormecido,
desejo em convulsão.

Chamo-te só com o brilho do olhar.

O vento entende o meu sorriso
e leva-te o meu nome até aos confins do teus ser.

Aguardo…
e a espera é doce.


©Graça Costa
foto - Eu


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

NA ORLA DO PÔR DO SOL

Se eu beber dessa luz que trazes nos olhos,
a noite calar-se-á
só para nos sentir.

Se eu beber desse olhar
que ilumina a vida em mim
o amanhecer será magia
e o entardecer alquimia.

Sem o teu olhar
não te teria gravado no peito,
eu não seria eu
nem nós seriamos nós
mas apenas silêncios de dor em fuga.

Mas não...
da luz e do olhar criei amor em Dó maior
melodias com harmonias insuspeitas,
improváveis,
inesquecíveis,
como aquele primeiro beijo
na orla do pôr do sol .

©Graça Costa



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

ABRAÇA-ME APENAS

A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
num amanhecer dourado 
e quando o sol desponta bebendo o orvalho,
sinto na pele o arrepio de acordar envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um verão inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar.

Não…
não digas nada…
Abraça-me apenas…          

©Graça Costa
foto da Web




quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

AQUELE BEIJO

Aquele beijo
tinha o sabor encantado das palavras não ditas,
tinha a doçura da fruta madura
e a ternura de um por de sol prateado à beira mar.

Aquele beijo
tinha o querer e o não querer,
o vazio e a plenitude,
a intensidade do nascimento
e o poder da paixão a fermentar.

Aquele beijo
tinha o aroma de chocolate quente
e a beleza de uma buganvília
lambendo uma parede alva
como neve em pleno verão.

Aquele beijo
foi principio e fim
de qualquer coisa por inventar
que espera na beira da noite
luz para caminhar.

©Graça Costa
imagem retirada da web


quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

PLAYING HIDE AND SEEK WITH FATE

Playing hide and seek with fate she was.
Like in wonderland
that little corner of hope
became her secret shelter.

There, she dreamt
about the feeling of first touches
first kisses
first deep looks at sunset.

She knew all odds where against her
But nevertheless she insisted
on playing hide and seek with fate.

Love listened her prayers
and one day,
coming from nowhere in the mist of the day
the corner of hope suddenly enlightened
and she woke in the soft arms of an angel.

Didn’t say a word...
Love just popped up
like in a fairytale
of brand new sensations
and life began
once again.


©Graça Costa

                                                                Jorn Kaspuhl

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A VOZ DO CORPO

Tem dias em que sentimos as palavras à flor da pele,
mas elas recusam-se a falar.
Tem dias em que as melodias que me embalam dos dias,
apenas dançam...
recusam cantar.
Nesses dias
deixo o corpo ser voz.
o olhar, fantasia
a boca , mel em fatia
surpresa,
melancolia,
e a pele...
ah, a pele torno-a ser pauta de soneto,
escrito no silêncio que rodeia obras de arte,
construídas a quatro mãos.
©Graça Costa
imagem da Web

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

E O DIA ESPEROU COMIGO

Era um dia daqueles
em que o amanhecer é dourado
mas orvalhado com diamantes de luz.

Era um dia daqueles
em que o coração acorda descompassado
com a pele em arrepio eterno, como tatuagem
sussurrando o teu nome ao dia que desponta.

Era um daqueles dias
em que o corpo pede corpo
e o olhar jorra paixão
por entre gemidos de pérolas de mel.

Era um daqueles dias
de prece e de ilusão,
de esperança,
horas lentas
e expectativas tantas...

Decidi esperar,
contigo na retina e nas memórias.

E o dia esperou comigo
complacente e sereno,
cúmplice da paixão que viria a ser
mas que dentro de mim já o era.

©Graça Costa


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

DEVANEIO

Percorre-me o corpo como se fosse mar
e toca-me a alma como se fosses brisa.

Desperta-me os sentidos e torna-me tua.
Bebe-me.
Saboreia-me.

Entranha-me na tua pele
e nessa mescla do tudo e do nada
de excessos e devaneios,
façamos da noite uma melodia de afectos
languida e suave como o amor que termina e recomeça,
como maré
sem cessar.

E quando o cansaço for maior que o desejo
saibamos morrer…
entrelaçados,
exaustos pelo prazer vivido e pelo que há-de vir
quando o brilho do olhar
voltar a incendiar-nos a pele.


©Graça Costa


ENTARDECER


O entardecer insinua-se na languidez dos tons e aromas carregados de esperanças.
Os sentidos envolvem-se num drapeado de sons, cores, emoções e calma.
Prenúncio de noite,
envolto na maciez de um beijo ainda morno.

O entardecer insinua-se na languidez de uma planície alentejana,
trigo, joio dourado que me beija a pele.

Fecho os olhos e bebo horizonte
como quem bebe a vida no trinar do pássaro que voa para longe
à procura de um novo entardecer...

©Graça Costa


FOME

Sinto na pele a fome do teu abraço;
o calor das palavras ditas entre o beijo e o outro beijo,
entre o olhar e o sorriso
entre o afecto e a solidão.

Fome de palavras.
Das ditas e das por dizer,
das sentidas e das gritadas,
das largadas ao vento e das presas nos raios de sol,
das sussurradas e das inventadas,
pérolas displicentes
esperando o momento.

Gosto desta fome e alimento-a de mais fome,
pois é da dor que nasce o poema
e do poema nasce a canção
com que pinto os dias.

Pincel ou grafitte,
aguarela ou esquisso.

Pouco importa.
A fome tem muitas cores...


©Graça Costa