quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

NAS TUAS MÃOS

Por entre a neblina bebo o teu perfil
sereno e brando como brisa de outono,
quente e suave como sol a caminho de adormecer.

Imagino a minha pele cantar sob o teu toque
e quase consigo sentir o sabor da tua boca
fogueira e fonte,
medronho e água mel,
arrepio e gargalhada.

Nas tuas mãos sou barro
acabado de arrancar às entranhas da terra,
mosto aquecido,
vulcão adormecido,
desejo em convulsão.

Chamo-te só o brilho do olhar.
O vento entende o meu sorriso
e leva o teu nome até aos confins do ser.

Aguardo…
e a espera é doce.

©Graça Costa
foto da Web




terça-feira, 19 de janeiro de 2016

DESABAFO

Lamento que o meu sorriso seja triste
e o meu olhar, chama.

Lamento que a minha voz seja brisa
e o meu abraço, cama.

Lamento que a minha alma chore
e o meu olhar seja de amante.

Lamento quem me olhe e não me saiba ler,
mas não lamento o que sou
porque só assim sei ser.

©Graça Costa
foto : Eu


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

PRECISO DE TEMPO

Preciso de tempo para te construir dentro de mim.
Preciso de tempo para colorir a esperança.
De ti,
recebi as tintas
com as cores da paixão
e as tonalidades do amor sem tempo,
recebi os pincéis,
dedos em forma de amor
trazendo luz e calor
à escuridão dos dias incertos.
Agora...
agora preciso de tempo.
Tenho este corpo tela
suplicante de vida,
gemendo a dor e maresia da tua ausência.
Tenho também as memórias das carícias prenhes de cor e fantasia.
Apenas preciso de tempo
para te construir dentro de mim,
e depois deixar fluir o amor
de um encontro improvável que se tornou certeza,
ternura,
porto seguro,
paixão
eternamente inacabada
pelas nossas mãos.
©Graça Costa
foto : Eu


REENCONTRO

Perdi-te nos escombros da alma
e no meio da dor esqueci o teu semblante.

De ti apenas restou
o brilho dos olhos quando me vias,
a forma como sorriam quando me amavas no silêncio da tarde
e o aroma tão nosso quando nos tornávamos apenas um.

Tinha-te perdido nos escombros da alma,
mas a alma tem muitas marés
e uma delas trouxe-me a tua mão estendida.

Reconheci-te pelo toque da pele…
Não precisei de palavras,
nem de explicações…
Só da tua pele na minha pele.

Não precisei de mais nada…
fechei o olhos e limitei-me a sentir
a intensa grandeza da paixão
renascida dos escombros da alma.


© Graça Costa
foto da Web


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

EM BUSCA DE TI

Mergulhei na noite em busca de ti,
do teu olhar meigo,
da tua pele serena e doce,
da tua paixão intensa com sabor a mel e a maresia.

Mergulhei na noite em busca de ti.

Nela encontrei o mar dos teus afectos
e nela me tornei onda para desaguar na tua praia.

E o mar sussurrou o teu nome,
a noite fez-se manto
e  a lua fez-se caminho
para os meus passos incertos
de um amor suculento e maduro
como fruta de verão.

Mergulhei na noite em busca de ti.

E quando senti o teu toque na minha pele,
apenas sorri e deixei-me guiar
pela maresia dos sonhos
onde a magia acontece,
e a paixão ganha luz
através das tuas mãos .


©Graça Costa

                                                                      Victor Bauer 

GRITO MUDO

Abraço o silêncio
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito.
No rosto,
o martelar lancinante do vento suão,
carregado de memórias,
dores, saudades e glórias.

Abraço o silêncio
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito;
na esperança de lavar a alma com a chuva trazida
por aquele vento profético.

Mas não...
a prece não tem resposta.

O silêncio ensurdece,
mas o grito...
ah, o grito teima em ficar
gravado no peito como tatuagem.

Ouço o crepitar do lume.
Lembra os lamentos de uma alma ferida
tal qual, como naquele dia, em que o grito emudeceu.


©Graça Costa
foto da Web


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

ANDA

Anda...
Bebe nos meus olhos
o néctar das flores outonais,
quentes e doces como mel coado,
em pão acabado de fazer.
Anda...
Sacia-te no meu olhar,
que o tempo espera pelo teu sorriso.


©Graça Costa 


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

IF I COULD

If I could be a star
I would travel a million light years
just to make your heart my home.

If I could be a sea wave
I would dance throughout the oceans
just to kiss your lips in the change of tides.

If I could be music
I would create endless love songs
just to see you smile.

But, as I'm your soulmate
I flourish like a landscape in springtime
and with all the birds and butterflies as witnesses
I will make a perfect dress
to the perfect day
of our next encounter.

My skin...
My shiny eyes
My wet lips,
that's all we need
to make miracles between the stars.

©Graça Costa


DANÇA LENTA

Apetece-me dançar.
Uma dança lenta como o amor em dias de paz.
Uma dança terna como violetas ondulando na maré verde da planície.
Uma dança suave como beijo que emerge das profundezas do ser.
Uma dança quente como o olhar cúmplice dos amantes.
Apetece-me ser tua.
Entregar-me à voragem da fome que queima por dentro,
que humedece os lábios, seca a garganta e incendeia o olhar.
Apetece-me viver,
com a intensidade de quem sabe que o amanhã pode não chegar,
mas com a calma de quem saboreia cada olhar, cada toque, cada beijo
como se de obras de arte se tratassem.
Apetece-me dançar.
Soltar as rédeas da imaginação,
libertar as amarras do sentir
olhar a nudez e sorrir.
Descobri que só nua de mim
me encontro verdadeiramente comigo e me descubro.
Talvez insegura,
talvez amedrontada
talvez ousada,
talvez inquieta, curiosa,
ou até mesmo vaidosa,
mas seguramente mais inteira.
Visceralmente… Eu.
Apetece-me dançar.
E vou…
©Graça Costa


FILHA DA TERRA

Filha da terra
me entrego
ao rio de energia que envolve os corpos 
e os enche de luz,
fome de partilha,
cor
e aroma de paixão.
Pobre de quem vive sem viver.
Pobre de quem ama sem sofrer.
Pobre de quem ouve sem escutar.
Filha da terra me entrego à vida.
Barro a ser moldado pelo sentir,
pelas tuas mãos feitas extensão de mim.
Filha do Universo sou.
Partícula de amor suspenso,
incondicional,
difuso,
cristalino,
elemento dos elementos
com que a vida se constrói.
©Graça Costa