segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

REENCONTRO

Perdi-te nos escombros da alma
e no meio da dor esqueci o teu semblante.

De ti apenas restou
o brilho dos olhos quando me vias,
a forma como sorriam quando me amavas no silêncio da tarde
e o aroma tão nosso quando nos tornávamos apenas um.

Tinha-te perdido nos escombros da alma,
mas a alma tem muitas marés
e uma delas trouxe-me a tua mão estendida.

Reconheci-te pelo toque da pele…
Não precisei de palavras,
nem de explicações…
Só da tua pele na minha pele.

Não precisei de mais nada…
fechei o olhos e limitei-me a sentir
a intensa grandeza da paixão
renascida dos escombros da alma.


© Graça Costa
foto da Web


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

EM BUSCA DE TI

Mergulhei na noite em busca de ti,
do teu olhar meigo,
da tua pele serena e doce,
da tua paixão intensa com sabor a mel e a maresia.

Mergulhei na noite em busca de ti.

Nela encontrei o mar dos teus afectos
e nela me tornei onda para desaguar na tua praia.

E o mar sussurrou o teu nome,
a noite fez-se manto
e  a lua fez-se caminho
para os meus passos incertos
de um amor suculento e maduro
como fruta de verão.

Mergulhei na noite em busca de ti.

E quando senti o teu toque na minha pele,
apenas sorri e deixei-me guiar
pela maresia dos sonhos
onde a magia acontece,
e a paixão ganha luz
através das tuas mãos .


©Graça Costa

                                                                      Victor Bauer 

GRITO MUDO

Abraço o silêncio
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito.
No rosto,
o martelar lancinante do vento suão,
carregado de memórias,
dores, saudades e glórias.

Abraço o silêncio
na esperança de soltar o grito aprisionado no peito;
na esperança de lavar a alma com a chuva trazida
por aquele vento profético.

Mas não...
a prece não tem resposta.

O silêncio ensurdece,
mas o grito...
ah, o grito teima em ficar
gravado no peito como tatuagem.

Ouço o crepitar do lume.
Lembra os lamentos de uma alma ferida
tal qual, como naquele dia, em que o grito emudeceu.


©Graça Costa
foto da Web


quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

ANDA

Anda...
Bebe nos meus olhos
o néctar das flores outonais,
quentes e doces como mel coado,
em pão acabado de fazer.
Anda...
Sacia-te no meu olhar,
que o tempo espera pelo teu sorriso.


©Graça Costa 


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

IF I COULD

If I could be a star
I would travel a million light years
just to make your heart my home.

If I could be a sea wave
I would dance throughout the oceans
just to kiss your lips in the change of tides.

If I could be music
I would create endless love songs
just to see you smile.

But, as I'm your soulmate
I flourish like a landscape in springtime
and with all the birds and butterflies as witnesses
I will make a perfect dress
to the perfect day
of our next encounter.

My skin...
My shiny eyes
My wet lips,
that's all we need
to make miracles between the stars.

©Graça Costa


DANÇA LENTA

Apetece-me dançar.
Uma dança lenta como o amor em dias de paz.
Uma dança terna como violetas ondulando na maré verde da planície.
Uma dança suave como beijo que emerge das profundezas do ser.
Uma dança quente como o olhar cúmplice dos amantes.
Apetece-me ser tua.
Entregar-me à voragem da fome que queima por dentro,
que humedece os lábios, seca a garganta e incendeia o olhar.
Apetece-me viver,
com a intensidade de quem sabe que o amanhã pode não chegar,
mas com a calma de quem saboreia cada olhar, cada toque, cada beijo
como se de obras de arte se tratassem.
Apetece-me dançar.
Soltar as rédeas da imaginação,
libertar as amarras do sentir
olhar a nudez e sorrir.
Descobri que só nua de mim
me encontro verdadeiramente comigo e me descubro.
Talvez insegura,
talvez amedrontada
talvez ousada,
talvez inquieta, curiosa,
ou até mesmo vaidosa,
mas seguramente mais inteira.
Visceralmente… Eu.
Apetece-me dançar.
E vou…
©Graça Costa


FILHA DA TERRA

Filha da terra
me entrego
ao rio de energia que envolve os corpos 
e os enche de luz,
fome de partilha,
cor
e aroma de paixão.
Pobre de quem vive sem viver.
Pobre de quem ama sem sofrer.
Pobre de quem ouve sem escutar.
Filha da terra me entrego à vida.
Barro a ser moldado pelo sentir,
pelas tuas mãos feitas extensão de mim.
Filha do Universo sou.
Partícula de amor suspenso,
incondicional,
difuso,
cristalino,
elemento dos elementos
com que a vida se constrói.
©Graça Costa


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

SEM AVISO

Quase sem aviso
o beijo aconteceu.

Como poema calado
cresceu lentamente,
maré mansa,
que vira fogo
ateado pela urgência do desejo.

Perdido na ponta do medo
surgiu assustado
mas logo se agigantou
explorandoos sentidos
com mestria de escultou
e delicadeza de tela pintada a pastel.

Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugo-me a alma e o sentir,´
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes
em que apenas desejo tem voz.

E do beijo nasceu a entrega
e da entrega, a melodia dos corpos em chama...
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .


© Graça Costa


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

INEVITÁVEL

Neste meu corpo feito lua
serpenteiam caudais de estrelas cadentes sedentas de colo.

Neste meu corpo feito mar
navegam barcaças de afectos
em busca de costa onde aportar.

Neste meu corpo feito chão
te estendo um caminho recheado
de carinho,
paixões e afectos,
sem reservas
sem destinos.

Que nele me encontres
e te encontres,
te deleites
e me deleites,
me cubras de beijos
com tons de outono
e calor de verão.

Depois,
quando finalmente saciarmos a fome de corpo, alma e pele,
que o sono e o sonho
nos encham o coração de espanto
e expectativas de outras descobertas.

Inevitável,
perder-me no teu corpo...

©Graça Costa

                                                               Keith Allen Kay

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

ENIGMA

Um sorriso trespassou-lhe o rosto
ao sentir o sol acariciar-lhe o corpo
como mãos de amante experiente.

Lentamente espreguiçou-se,
sentiu o desejo tomar-lhe conta do corpo e dos sentidos,
rolou sobre si mesma e deixou-se ir
adormecendo com uma imagem de entrega no olhar perdido.

Sentiu o sabor do beijo,
o toque da pele na sua pele,
o cheiro,
a textura ,
o prazer delicado e intenso,
a magia da fusão dos corpos ao luar.

Em segundos deixou de saber
se estava no sono
no sonho ou na vida,
tal a intensidade do sentir.

Não sabia, nem quis saber.

Sabia apenas que sentia
e se sentia, tinha que ser verdade.

Enroscou-se naquele corpo, de sonho ou não
e deixou a magia acontecer.

©Graça Costa