quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

PORQUE ESCREVO

Perguntas-me porque escrevo,
mas não te sei responder.
Escrever é respirar
e o respirar não se explica.

Posso dizer-te que escrever me alimenta…
Pincela-me a alma de sonhos
e os sonhos de memórias.

Assim vivo…
de cheiros e toques de pele,
de fusão de corpos
e lábios de mel.

Escrevo porque sinto
e sinto porque escrevo,
reinventando-me na mescla fresca de afectos e paixões.

Não sei explicar porque escrevo,
mas quando escrevo sou livre,
neblina,
onda do mar,
arco íris de esperança
nostalgia,
primavera.

Assim me sinto
de alma e coração em espera,
misto de gente e canção,
moldando as palavras
com ternura infantil
e paixão de amante.

Ofereço-tas como pétalas de chuva
no sereno da noite
morrendo tranquilas no teu olhar.

Quem sabe assim...
talvez assim,
consigas entender porque escrevo...


©Graça Costa


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

CAMINHANDO

Caminho,
sem medo de errar
porque comigo levo o melhor de mim
só para te dar.

Caminho,
na estrada da vida
como nos sonhos,
serena e plena de esperança
em dias que ainda não sendo, já o são.

Caminho,
com o desejo na pele
e a ternura no olhar.
Porque cada passo é magia
e cada sorriso é paixão envolto em maresia.

Caminho,
em direcção ao teu abraço,
ao teu beijo morno,
ao teu corpo brando,
feito cama para me receber.

Caminho,
sem medo de errar
porque comigo levo o melhor de mim,
todo,
só para te dar.

©Graça Costa

                                                                 Joanne Young

OLHOS

Falavam uma língua estranha aqueles olhos,
ora esmeralda
ora avelã ou azeitona de Elvas.

Falavam de afectos esquecidos,
memorias adormecidas,
sonhos perdidos nos confins da memória.

Talvez fosse medo...
medo de falar e não serem entendidos,
medo de gritar e serem acorrentados,
medo de sussurrar e ninguém ouvir,
e por isso falavam aquela língua estranha.

Estranha a língua dos eleitos,
a dos que ousam ter no peito um coração que bate
ao ritmo da neve numa noite de inverno,
e usam a melodia do amor para soletrar
as palavras que aqueles olhos falam,
mesmo quando dos lábios só ouvimos,
o embalo do silêncio.


©Graça Costa


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

VOU

Com a poeira da espera
enfrentei o corpo nu transcendente de afectos.

Que amante é esta
que o amante espera em súplica,
quase prece.

Que viver é este
prenhe de desejo,
alma na voz
e pele em chamas.

Aguardo,
com o corpo raiado de estrelas em dor
e o olhar crivado de esperança
pelo entardecer que me mereça.

No fio da noite
a brisa impele-me o voo.

Não sei se fique se ouse.
Lá longe sinto o ritmo compassado de ti,
que num sussurro hipnótico me chama.

Tremo na antecipação de te ter,
e de sorriso em riste,
vou ...

©Graça Costa










A INVENÇÃO DA ESPERANÇA

Trazia laivos de esperança espetados na dor,
memorias longínquas de gargalhadas e sorrisos
que os lábios tentavam esboçar 
na ténue tentativa do recomeço.
Trazia também o peso dos dias de noites eternas
em que implorava o sono
e na sua ausência pintava a escuridão de paisagens de luz e cor
onde sonhava acordada uma vida por inventar.
Sabia que as papoilas que trazia nos lábios
a pele de marfim e os olhos de mar
eram os seus únicos tesouros.
Sabia também que a dor a tornara guerreira.
Por isso resistia.
Por isso insistia.
E quando todos lhe negavam o olhar, sorria.
E sorria ainda mais, porque nos confins do sentir
só ela sabia que o seu refúgio de luz e cor
tinha gente dentro.
Tu habitavas por lá…

©Graça Costa


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

NOITES

Tem noites em que sinto um toque no rosto,
quase suplica,
quase dor,
quase beijo,
quase amor.

Nessas  noites sou brisa,
calma,
ternura,
alma,
conforto,
aconchego,
que o acordar não rouba
nem o dia desfaz.

Nessas noites
as horas passam como brisa em tarde calma.
O sono reclama abraço.
Recebo o dia com um sorriso na alma
e no olhar as memórias que me alimentam os sonhos


©Graça Costa


AMANTES SEM TEMPO

Partiste,
deixando-me um desejo tardio no corpo.
O, até logo, sussurrado
deixou no ar um aroma de promessas
e no olhar uma paixão por cumprir.

No beijo,
ficaram as palavras por dizer
na pele as carícias por sentir
e na alma o amor revisitado
que a noite sempre me traz.

Foi então que a magia aconteceu,
e o dia fez-se noite
somente para eu te ter.

Senti-te chegar
e sorri.

Soltei o corpo
e deslizei para o horizonte selvagem,
onde os sonhos ganham voz
pelas mãos dos amantes sem tempo.

©Graça Costa 



sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

CORPO POEMA

No teu corpo desenho poemas cantados .
A cada toque, a pele responde com um grito surdo,
meio gemido,
meio lamento
meio sussurro
meio tormento.

A cada beijo, reinvento-te,
reinvento-me,
saboreio-te como saboreio o poema,
letra a letra,
palavra a palavra,
rima a rima
ou rima nenhuma
mas lenta e suavemente como tango dançado ao luar.

Depois, volto e ler-te
e afago lentamente as palavras que te acendem a paixão.
e que te prendem a mim.

A ti me colo, meu poema
meio escrito,
por vezes gemido,
outras sussurrado,
e assim adormeço,
sem saber se durmo
ou apenas descanso
nesse teu colo feito cama,
só para me receber.

©Graça Costa
imagem retirada da web





quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

WAITING FOR YOU

Slept peacefully
and the wind blew me your name.

At once, the skin came alive.
the look became bright and colorful
and the harbinger of the coming
filled the room.

Slept peacefully
and I did not want to break the magic of waiting.

Closed my eyes ...
filled the time of smells and sounds...
of your laughter
of your perfume.

I hung in the senses the urgency of desire,
on the lips, the hunger,
in the look, the desire
and I waited...
because waiting is tender and sweet
when I'm waiting for you.


©Graça Costa

                                                          Beatrice Boyle

AO ENCONTRO DO TEU OLHAR

Numa manhã sem sol
de um dia sem tempo
tropecei no teu olhar
e ali fiquei
naquela quase esperança
quase lamento,
quase encanto.

Naquela manhã sem sol,
quebrei as amarras da dor
suspensas no teu e no meu olhar.

Delas alimentei
a fé num manhã por inventar
em que o destino tenha voz
e nos aponte o caminho

De uma manhã sem sol
fiz luta,
desafio,
milagre.

Com a alma na voz
e a ternura no olhar
toquei-te sem notar.

Beliscou-me o desejo de ficar,
o espanto,
a alegria,
o querer
e deixei-me ir
ao encontro do teu olhar.

©Graça Costa

                                                             Oliver Bartoli