quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

NA CURVA DO AMANHECER

Na curva do amanhecer senti-te chegar.
Trazias na pele aromas distantes
e no olhar marcas de saudade
acumuladas como cansaço.

Contigo vinham também
as memórias dos dias calmos
em que nos perdíamos das horas
e renascíamos em minutos.

Senti-te chegar
e o mar dos olhos inundou-me o sentir.

No peito, o coração batia forte
e no descompasso da dor
gemia o lamento da noite.

Senti-te chegar na curva do amanhecer
e tu sentiste o beijo a florir-te na pele.
Deste-me a saudade
e eu dei-me a ti
por completo
ali mesmo
na curva do amanhecer.

©Graça Costa







quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

SEM TEMPO

Partiste,
deixando-me um desejo tardio no corpo.
O, até logo, sussurrado
deixou no ar um aroma de promessas
e no olhar uma paixão por cumprir.

No beijo,
ficaram as palavras por dizer
na pele as carícias por sentir
e na alma o amor revisitado
que a noite sempre me traz.

Foi então que a magia aconteceu,
e o dia fez-se noite
somente para eu te ter.

Senti-te chegar
e sorri.

Soltei o corpo
e deslizei para o horizonte selvagem,
onde os sonhos ganham voz
pelas mãos dos amantes sem tempo.

©Graça Costa 

                                                                         Anna Dart

BOLINA

Tem dias em que me sinto
como pena que caiu em folha à bolina.

Doce expectativa…

Qual o caminho ?
Por onde me leva a brisa?
Que aventuras me esperam ?
Que perigos?
Que desafios ?

Tem dias assim…
em que acordo em suspenso
perante o dia que desponta.

Sinto o sol na pele
e tremo.
A brisa no rosto
e sorrio.
O apelo dos afectos
e suspiro.
A tortura da tua ausência
e sonho.

Como a pena em folha à bolina
entoo ao vento a prece que me leve até ti.

Então, talvez…
apenas talvez,
consiga saciar a sede que a noite matou
e com a aurora...
renasceu.


©Graça Costa


terça-feira, 15 de dezembro de 2015

NO TEU OLHAR

Por entre a neblina bebo o teu perfil
sereno e brando como brisa de outono,
quente e suave como sol a caminho de adormecer.

Imagino a minha pele cantar sob o teu toque
e quase consigo sentir o sabor da tua boca.

Fogueira e fonte,
medronho e água mel,
arrepio e gargalhada.

Nas tuas mãos sou barro por moldar,
mosto aquecido,
vulcão adormecido,
desejo em convulsão.

Chamo-te só com o brilho do olhar.

O vento entende o meu sorriso
e leva-te o meu nome até aos confins do teus ser.

Aguardo…
e a espera é doce.


©Graça Costa

                                                                  Loui Jover

PRECISO DE TEMPO

Preciso de tempo para te construir dentro de mim.

Preciso de tempo para colorir a esperança.

De ti,
recebi as tintas
com as cores da paixão e as tonalidades do amor sem tempo,
recebi os pincéis,
dedos em forma de amor
trazendo luz e calor
à escuridão dos dias incertos.

Agora...
agora preciso de tempo.

Tenho este corpo tela
suplicante de vida,
gemendo a dor e maresia da tua ausência.
Tenho também as memórias das carícias prenhes de cor e fantasia.

Apenas preciso de tempo
para te construir dentro de mim,
e depois deixar fluir o amor
de um encontro improvável que se tornou certeza,
ternura,
porto seguro,
paixão
eternamente inacabada
pelas nossas mãos.

©Graça Costa

                                                           Anna Razumovskaya

domingo, 13 de dezembro de 2015

AQUI ME TENS

Aqui me tens
de cara lavada e alma nua.
Aqui me tens ,
resplandecente de esperanças e memórias,
gritos surdos na garganta
e melodias no olhar.
Aqui me tens,
com o desejo à flor da pele
e uma girândola de afectos
pendurada no peito.

Ama-me como fores capaz.
Liberta-me das noites sem luar.
Polvilha-me o corpo de estrelas cadentes
e quando ela morrerem no horizonte,
que a tua boca seja o guia  da noite,
e o meu corpo
a tua bússola, barco e leme
numa viagem só de ida.

Aqui me tens
neste mar revolto dos dias agrestes
em que sou tranquilidade de tardes de outono,
paredes meias
com a noite que teima em não me ver.

Aqui me tens...
Ama-me se puderes,
ou então deixa-me ficar
na curva do fim da tarde
onde a morte por vezes passa
e costuma ser branda
para os corações sem dono.

©Graça Costa



LOVERS WITH NO TIME

You left,
leaving a late desire in my body.

The whispered goodbye
left in the air a scent of promises
and in the look an unfulfilled passion .

In the kiss remained the words unsaid,
on the skin, the caresses unfelt
and on the soul the revisited love
the night always brings me.

Then  magic happened,
and the day became night
only for me to have you.

I feel your arrival and just smile.

Released the body and slid into the wild horizon,
where dreams get voice
by the hands of lovers with no time to spare.


© Graça Costa


sábado, 12 de dezembro de 2015

SOUL MATES

You know what I mean
when I shiver in your arms.

You know what I mean
when you look at me
and my eyes are brighter than the stars.

You know what I mean
when I whisper your name
at dawn or at nightfall.

You know what I mean
when I softly bite my lips
and in the next second they touch yours in a warm kiss
on the back of your neck.

I know you know what I mean.

So...I hardly need words
to let you know,
that I love you,
that I want you,
that I need you
like the air that I breathe.

You know what I mean...

I mean
that I'm your soulmate
and soul mates just know
because they just feel.

©Graça Costa


HÁ UMA VOZ CÁ DENTRO

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema,
que me conduz a saudade da mão e do olhar
do toque,
da entrega,
da fome
e da paixão.

Há uma voz cá dentro
que me conduz o sonho
e um sonho
que me conduz a ti.

A ti...
meu amor e meu chão,
meu refúgio e minha paixão.

Há uma voz cá dentro
que me encanta e me desencanta
me acolhe e me repele
numa catadupa de afectos
rolando num turbilhão.

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema
e o poema...
não és tu nem sou eu...
somos nós,
eternamente Nós.

©Graça Costa



sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

AURORA BOREAL


Tem dias em que me sinto aurora boreal,
lambendo o teu corpo
por entre o êxtase, o espanto e a magia.

Nesses dias componho melodias improváveis
que gravo na pele e nos sentidos como tatuagens.

Fecho os olhos e sinto as nuances coloridas do amanhecer
acariciando o corpo nu
que em jeito de oferenda te estendo,
como paleta à espera do fluir da magia do pintor.

Mais tarde contemplo a obra
e por vezes…
esboço um sorriso.


©Graça Costa