sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

AQUELE BEIJO

Aquele beijo não foi apenas um beijo.
Foi uma prece, 
oração,
rosário de promessas,
doce tentação com aroma de eternidade.

Aquele beijo tinha consigo o feitiço da lua,
a brisa do mar,
o arrepio da maresia,
o mistério do entardecer em corpos desnudados,
a doçura do mel coado em leite quente.

Aquele beijo não foi apenas um beijo.
Foi o despertar dos sentidos na fusão do olhar.
Foi a súplica da carícia à flor da pele.
Foi a dor da ausência e a antecipação do prazer.

Aquele beijo, foi magia em dó maior,
explosão de ternura no espaço sideral,
hoje guardado no cofre das memórias,
alimento de alma nos dias de solidão.




©Graça Costa


AQUI

Aqui estou
no desejo do que sou
no que ficou depois de ti
no lamento da esperança que morreu
antes de ser mar.

Aqui estou
com a sede à flor da pele
e a fome escondida na razão que já não é.
História por escrever mas já sonhada,
por viver mas já sentida,
aguarelada na aurora desflorando a noite.

Aqui estou
nesta travessia de mim
em busca do nós que já fomos
e do amanhã que inventamos
em cada amanhecer.

Aqui estou
esperando a magia do toque
da tua
na minha pele.


©Graça Costa 


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

EM BUSCA DE TI

Mergulhei na noite em busca de ti
do teu olhar meigo
da tua pele serena e doce
da tua paixão intensa com sabor a mel e a maresia.

Mergulhei na noite em busca de ti.
Nela encontrei o mar dos teus afectos
e nela me tornei onda para desaguar na tua praia.

E o mar sussurrou o teu nome,
a noite fez-se manto
e  a lua fez-se caminho
para os meus passos incertos
de um amor maduro.

Mergulhei na noite em busca de ti
e quando senti o teu toque na minha pele
apenas sorri e deixei-me guiar pela maresia dos sonhos,
onde a magia acontece
e a paixão incandesce de Luz...

©Graça Costa


FRAGMENTOS DE PARAÍSO

Quando no teu corpo me dissolvo,
mergulho em sabores inesperados.

Não sei se menta, canela,
pimenta, açafrão,
manjerona,
ou alecrim.

Nele viajo
vagabundo,
imerso no êxtase hipnótico que a tua pele me estende.

Não sei se fuja, se arrisque ficar,
se ouse desafiar os limites desse corpo que conheço
e desconheço,
que me chama e me recusa,
me aprisiona os sentidos.

Quando no teu corpo me dissolvo,
o medo consome-me o ser.

Sinto-me frágil como borboleta de asas rasgadas.

Contigo, sou fragmento de paraíso.
Sem ti...
sem ti, nem sei bem o que serei.


©Graça Costa



quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A PINCEL

Desenho a pincel os dias que passo sem ti,
para que a dor não mate
mas apenas arranhe.

Para que o sal dos olhos descanse em maré de calmaria,
e a ausência seja luz e não maresia,
alimento, farol,
fonte de luz,
alquimia.

Desenho a pincel os dias que passo sem ti,
porque em cada acordar recebo uma tela em branco
ávida de paisagens e sonhos
carícias e afectos.

Nela me perco como criança em loja de brinquedos.

Contemplo a pureza do dia que me entra nos olhos
agarro no pincel da vida,
visto-me de brisa , sol ou temporal
óleo, aguarela ou pastel
e na voragem do tempo que passa,
mergulho na obra que nasce.

Desenho a pincel os dias que passo sem ti,
porque as cerdas sabem o teu nome.

Assim te tenho por inteiro e cada pincelada,
em cada sussurro, lágrima ou gargalhada.  
        
E assim,
da distância se faz presença,
da dor… magia,
da saudade…força,
do  Viver,
arte, fantasia,
poema.

©Graça Costa


À DESCOBERTA DO AMOR

Parto à descoberta do amor,
com a curiosidade infantil
do desconhecido que ainda há  em mim.

Perdi o medo de amar
porque amar é simplicidade
e a simplicidade é generosa.

Deixo fluir os sentidos,
dar se tiver vontade,
quando tiver vontade,
e receber com carinho, 
a mão estendida,
a doçura de pele que saboreio sem pressas,
a fusão dos corpos que se dissolvem
em maresia e poemas
nas noites rubras de ternura e magia.

Parto,
sem destino ou direcção.
O vento sabe o caminho 
e o meu coração , também.

©Graça Costa

                                                              Jane Davenport.

NA MINHA PELE

Ontem vesti-me de noite para me esconder da escuridão.
Hoje, apenas de pele para me perder na tua mão.

E quando a alvorada romper a noite
e a pele continuar pele
a tua mão será para ela cama,
como penas , alfazema e dossel.

Fica...
embala-me o sono
toca-me o rosto em tom de abandono
mas fica,
fica...
porque a pele chama
e o corpo reclama,
a tua pele na minha pele.


©Graça Costa


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

MEET ME

 Meet me
at the curve where the afternoon screams in pain
and the night calls affection
sung by our naked bodies.

Meet me
with the hunger of tired days
and the thirst of my skin in your mouth.

Fear not,
for the night lights up your footsteps
and guides you to this body made bed
to welcome you.

Come,
that time runs fast
and like a cascade on a stormy day
my body shakes by the simple feeling of your arrival,
the skin shines
and the look sings ...
ecstatic hymns in broad daylight.


© Graça Costa

                                                                       Lana Moes


PERFEITO

Insinuante,
o humedecer dos lábios antes do beijo.

Perfeito,
o arrepio da pele antes do toque.

Intensa,
a dor da expectativa,
quase ferida,
quase morte,
quando vida em suspenso.

Consome-me a espera
e liberta-se-me o sonho
que de tanto me aguardar descansa
na curva do fim da tarde.

O aroma dos teus passos
é melodia de afectos em construção.

Espero-te
como sempre,
fome na pele
ternura no olhar.

Sinto-te antes de te ver
e na efemeridade do momento,
quase construo
a eternidade de te ter.

©Graça Costa

                                                                      Sarah Fecteau

domingo, 6 de dezembro de 2015

SERENAMENTE

Serenamente,
pelos caminhos da ilusão me levaste.

De leveza me vesti.
Com a brisa dancei.
Entre os nenúfares e a folhagem flutuei
como brisa em tarde de calmaria

Serenamente,
pelos caminhos da ilusão
reinventei a magia de renascer
a cada passo,
a cada olhar,
a cada beijo,
a cada luar.

Toca-me, amor...
embala-me no teu peito de luz
e cobre-me o corpo com os teus lábios de espanto.

Deixa que a fome de afectos
se torne melodia outonal
e façamos da dança dos corpos
ousadia,
ternura,
paixão,
loucura sem nome
nova vida,
exaustão.

Depois...
que o sono nos tome conta do Ser
e os sonhos venham vestidos de luz.

Serenamente...


©Graça Costa