sábado, 5 de dezembro de 2015

URGÊNCIA


Digam-me como conter a urgência ?
O que fazer quando sentes a pele rebentar de emoções,
e as palavras a borboletearem-te na cabeça,
incessantes,
intensas,
frenéticas ?

Digam-me como conter a urgência de ternura ?

Como pedir, sem pedir
lábios carnudos e sedentos de beijos
carícias, lamentos,
paixão,
a emoção do dar e receber
que antes de ser já se sente?

Digam-se, como viver sem sentir?
Porque não sei e não quero,
ser espectro errante sem alma
imagem de gente, mas não pessoa.

Digam-me como conter a urgência de amar
para que eu a acorrente
e o mar não a leve com a maré.


©Graça Costa


OUVE

Escuta.
Mergulha no silêncio e escuta o corpo que te fala.

Ouve o clamor da pele,
a toada triste das suas cicatrizes
quando lhes afagas o contorno da dor.

Ousa e ouve também a sua fome, os seus desejos,
a alquimia dos sentidos que a pele reclama.

Embrenha-te no silêncio da noite e ouve como ela,
ora chora, ora  canta
ora implora, ora dá,
entoando melodias por inventar.

Sem pressas, 
observa cada curva,
cada poro,
cada marca.
Sente a dança dos sentidos
e deixa-te ser pele de outra pele

Ouve,
deixa-me ser dona do teu sentir,
fundir-me na tua pele,
murmurar-te desejos de equinócios distantes,
enlouquecer de ternura,
explodir de prazer no teu ouvido.

Deixa-me explorar o limite do sentir
devagar,
serenamente,
como quem declama um poema soletrado a meia voz.

Murmúrios da pele,
sede….
desafio,
banquete de almas unidas
pela bebedeira de sentidos inquietos.


©Graça Costa


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

PORQUE ESCREVO

Perguntas-me porque escrevo,mas não te sei responder.
Escrever é respirar
e o respirar não se explica.
Posso dizer-te que escrever me alimenta…
Pincela-me a alma de sonhos
e os sonhos de memórias.
Assim vivo…
de cheiros e toques de pele,
de fusão de corpos
e lábios de mel.
Escrevo porque sinto
e sinto porque escrevo,
reinventando-me na mescla fresca de afectos e paixões.
Não sei explicar porque escrevo,
mas quando escrevo sou livre,
neblina,
onda do mar,
arco íris de esperança
nostalgia,
primavera.
Assim me sinto
de alma e coração em espera,
misto de gente e canção,
moldando as palavras
com ternura infantil
e paixão de amante.
Ofereço-tas como pétalas de chuva
no sereno da noite
morrendo tranquilas no teu olhar.
Quem sabe assim,,,
talvez assim,
consigas entender porque escrevo...

©Graça Costa



VEM TER COMIGO

Vem ter comigo
à curva em que a tarde grita de dor
e a noite reclama o afecto
cantado pelos nossos corpos nus.

Vem ter comigo
com a fome dos dias cansados
e a sede da minha pele na tua boca.

Não temas,
que as noite ilumina-te os passos
e guia-te até este corpo
feito cama para te acolher.

Vem,
que o tempo corre veloz
e como cascata em dia de tormenta
o meu corpo treme ao sentir-te chegar,
a pele reluz
e o olhar canta...
hinos de êxtase em plena tarde.

©Graça Costa
foto : Inês Costa Araújo


quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

ABRAÇA-ME APENAS

A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
num amanhecer dourado 
e quando o sol desponta bebendo o orvalho,
sinto na pele o arrepio de acordar envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um verão inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar.

Não…
não digas nada…
Abraça-me apenas…          

A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
num amanhecer dourado 
e quando o sol desponta bebendo o orvalho,
sinto na pele o arrepio de acordar envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um verão inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar.

Não…
não digas nada…
Abraça-me apenas…          

©Graça Costa
                                                                Ben Tour 

PENUMBRA

Na penumbra apenas os contornos de ti
e o respirar lento e compassado de um sono,
profundo como o mar
e leve como brisa de verão.

A teu lado,
aquela a quem roubaram o sono
e que no torpor do cansaço
te bebe a calma com um sorriso.

Contemplo-te na penumbra
e no teu rosto vejo paz.

No vai e vem do teu peito,
o colo para o meu embalo
onírico,
terno,
pueril.

Percorro-te com o olhar,
o sorriso denuncia-te o prazer.

Despertas…

Como pétalas de estio
rumo ao amanhecer
cobres-me o corpo com beijos
e a noite…
ah...a noite estende-nos o manto do sentir
para fruir...
sem limites nem pudores.


©Graça Costa

                                                                    Haydee Torres

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

MANHÃ DE PRIMAVERA

No amanhecer que desponta,
sou pássaro livre
sou fonte
sorriso aberto
espuma do vento.

Sou tudo isso
e o que mais queiras.

Por ti acordo
contigo me deito,
desejo na pele
ternura no olhar.

No amanhecer que desponta
navego serena como espuma do mar
e na fluidez dos sentidos
deixo-me enamorar pela maresia dos teus dedos na minha pele.

Fecho os olhos e nela sinto o teu toque.
Deleite dos fins de tarde
em que flutuamos rumo ao anoitecer
que por ora apenas é sonho.

Ferve-me a pele e sorrio…

Antecipação do prazer
numa manhã de primavera.




©Graça Costa

                                                                 Chelìn Sanjuan 

DESTINY

I knew we were bound
long before we met.
Deep inside I felt your love
as a feather caressing my soul
and your voice whispering
smoothly in my skin
an unwritten song
floating in time
waiting for our embrace.

I knew we were bound
long before we met.
Fate put you in my path
in the most unexpected way
when days were grey
and nights were stormy.
You came and I was frightened.
Still, I've let you in...
bath myself me in your scent
and allow sparkles of happiness
to enlighten the room.

Love flew
like tides in summer nights
and I …
I surrender to your smile.


©Graça Costa


terça-feira, 1 de dezembro de 2015

COMO UM BEIJO

O seu olhar pousou nela como um beijo.

Miragem de paraíso,
arrepio,
toque de pele
que do nada se agiganta
toldando os sentidos
na maresia da paixão.

Nele me perco e me encontro
num sonho quase real,
como real é a ternura da esperança
de um amor por inventar.

Medito no teu corpo
o desejo que esqueci
e num murmúrio bebo a luz da tua pele
espelhada no olhar.

Felicidade aos pedaços
aprendida em cada toque
em cada beijo
em cada sussurro
perdido na noite
rumo ao amanhecer.

Fica...
Repousa o teu sonho no meu corpo.
Mergulha no silêncio
como num ultimo suspiro de paixão eterna
e derrete-te na minha pele
como num beijo.

©Graça Costa


A GUERREIRA

Cai a noite e tudo se transforma.
A guerreira vira pássaro,
flor,
princesa, ou arlequim,
misto de flor e de seda,
azul, prateada, carmim.

Bendita a cumplicidade da noite que tudo permite.
Sonho,
fantasia, dança,
brisa, sal, maresia, festim.

Do descanso da guerreira
agora lua, feiticeira, amante,
emerge a magia da palavra dita apenas com o olhar;
o convite da chama que arde sem se notar.

E o imprevisto acontece,
como acontece o Amor em dias incertos.

Doce a noite em que me deito
com o cansaço na pele e a ternura na voz.

Efémera noite, eu sei…
mas tão cheia de sonhos por cumprir.

A ela me entrego
com a nudez mais terna
e faço do seu abraço ,
uma homenagem ao dia que promete.


©Graça Costa