segunda-feira, 30 de novembro de 2015

HÁ UMA VOZ

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema,
que me conduz a saudade da mão e do olhar
do toque,
da entrega,
da fome
e da paixão.

Há uma voz cá dentro
que me conduz o sonho
e um sonho
que me conduz a ti.

A ti...
meu amor e meu chão,
meu refúgio e minha paixão.

Há uma voz cá dentro
que me encanta e me desencanta
me acolhe e me repele
numa catadupa de afectos
rolando num turbilhão.

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema
e o poema...
não és tu nem sou eu...
somos nós,
eternamente Nós.

©Graça Costa

                                                                      Camie Davis

NÃO ESPERES

Não esperes pela madrugada para me amares.
Não esperes pelo amanhecer para me contemplares.
Não esperes pelo entardecer para me sorrires.
Não esperes, porque pode não chegar.
Não esperes, porque não és dono do tempo
e o destino pode ter planos diferentes dos nossos.
Não esperes...
Ama-me o mais que puderes
sempre que puderes,
onde puderes.
Sorri-me. como se não houvesse amanhã
e o sol morasse no meu corpo.
Beija-me a pele com a ternura do amanhecer.
Toca-me com a magia das tempestades em alto mar,
fascinantes, furiosas, inconstantes, majestosas.
Mas nunca te esqueças.
Não esperes...
que o amanhã é incerto
e agora tens-me por perto.
toda afecto
toda luz
toda tua.
Não esperes...

©Graça Costa
PHOTO: Just me...

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

PELE


Nada como o toque aveludado da pele.

A forma como se arrepia ante a caricia,
como responde ao beijo lento e rastejante,
à língua quente e húmida,
ao gemido ,
ao arfar do desejo incandescente
à súplica do olhar.
Pele…
Tela de paixões inquietas
magia serena em noites calmas
ou feiticeira dos dias que nascem sem porquê.
Pele, poema
Pele, canção
Pele, sinfonia de Outono em pleno verão.
Pele em espera.
Pele em escuta.
Pele sedenta da agua das tuas mãos.
Pequena gota de orvalho,
alimento da flor da madrugada.

©Graça Costa

                                                               Thomas Saliot

CONTIGO

Bom quando o sorriso se solta dos lábios
e voa directo aos teus olhos.

Bom quando o beijo ganha asas e mesmo ao de leve
consegue arrancar-te,  arrepio d’alma.

Bom quando do toque da pele nasce o rendilhado da paixão,
da brisa, a canção,
do raio de sol, a fusão dos corpos
quentes e suados como monções.

Bela a troca de olhares que todas as línguas entendem.
Belas as palavras sussurradas ao luar,
cúmplices de noites eternas
penetrando a aurora.

Contigo, 
a branda textura do amanhecer
tem brilho de diamante
e o odor de vida acabada de florir.

Contigo sou mar e chama
harmonia e desengano,
flor do campo e arvoredo.

Contigo reclamo a dúvida
e eterna magia de te merecer.

©Graça Costa

                                                      Agnes-cecile

MAGIA

Um sorriso trespassou-lhe o rosto
ao sentir o sol acariciar-lhe o corpo
como mãos de amante experiente.

Lentamente espreguiçou-se,
sentiu o desejo tomar-lhe conta do corpo e dos sentidos,
rolou sobre si mesma e deixou-se ir
adormecendo com uma imagem de entrega no olhar perdido.

Sentiu o sabor do beijo,
o toque da pele na sua pele,
o cheiro,
a textura ,
o prazer delicado e intenso,
a magia da fusão dos corpos ao luar.

Em segundos deixou de saber
se estava no sono
no sonho ou na vida,
tal a intensidade do sentir.

Não sabia, nem quis saber.

Sabia apenas que sentia
e se sentia, tinha que ser verdade.

Enroscou-se naquele corpo, de sonho ou não
e deixou a magia acontecer.

©Graça Costa


quinta-feira, 26 de novembro de 2015

MY SEA-BODY


I'm a sea-body
made by your sea hands
painted by your sea lips
and warmth by your sea skin.

When I'm fully dressed up,
the playing around begins.

A kiss here,
a caress there
a long deep whisper along the neck,
until my naked marble skin
begins to sparkle in the dark night,
and you finally melt in me,
like a wave
dying at the shore.


©Graça Costa

                                                          Anna Dittmann

DEVANEIO

Percorre-me o corpo como se fosse mar
e toca-me a alma como se fosses brisa.

Desperta-me os sentidos e torna-me tua.
Bebe-me.
Saboreia-me.

Entranha-me na tua pele
e nessa mescla do tudo e do nada
de excessos e devaneios,
façamos da noite uma melodia de afectos
languida e suave como o amor que termina e recomeça,
como maré
sem cessar.

E quando o cansaço for maior que o desejo
saibamos morrer…
entrelaçados,
exaustos pelo prazer vivido e pelo que há-de vir
quando o brilho do olhar
voltar a incendiar-nos a pele.


©Graça Costa

                                                                  Jungshan

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

SOU

No amanhecer que desponta,
sou pássaro livre
sou fonte
sorriso aberto
espuma do vento.

Sou tudo isso
e o que mais queiras.

Por ti acordo
contigo me deito,
desejo na pele
ternura no olhar.

No amanhecer que desponta
navego serena como espuma do mar
e na fluidez dos sentidos
deixo-me enamorar pela maresia dos teus dedos na minha pele.

Fecho os olhos e nela sinto o teu toque.
Deleite dos fins de tarde
em que flutuamos rumo ao anoitecer
que por ora apenas é sonho.

Ferve-me a pele e sorrio…

Antecipação do prazer
numa manhã de primavera.




©Graça Costa



                                                             jane davenport

´TANTO

Amarra-me ao teu peito
para que o tempo não me roube de ti.

Cobre-me de luz e de esperança.
pinta-me o rosto de beijos maduros e generosos,
como as uvas dourados de Outono.

Amarra-me ao teu peito
e fica dentro de mim,
para que o tempo , seja tempo
mas não ladrão do meu Ser.

Sem ti os dias não nascem
e se nascem
não têm cor nem sabor
ou algo que me faça sorrir ou esquecer.

Amarra-me ao teu peito, meu amor
e espera na vereda da tarde
a hora dos dias sem hora marcada.

Espera...
e leva-me contigo
porque a vida corre veloz
e temos ainda tanto para nos dar.



©Graça Costa

                                                       michael shapcott

NÓS

Aquecem-me a pele os beijos
que mansamente me depositas nos ombros.
Arrepiam-me a pele os beijos
que atrevidamente me ofereces nos lábios.

Estranha esta coisa do amor,
que aquece e arrepia em segundos,
que consegue apagar o mundo
e construir outro no espaço de um abraço.

Estranha esta coisa da paixão,
em que morremos e nascemos em momentos
nos dias passam desabridos,
e como doença sem cura os vivemos
com desvelo de alma e sorriso de criança.

Estranhas as noites,
iluminadas pelo teu olhar
e pela forma como me desenhas dentro de ti.

Estranha…
Deliciosamente estranha esta vida
tecida de descobertas e esquecimentos
momentos,
desejos,
pó,
memórias,
e nós...

©Graça Costa