quinta-feira, 19 de novembro de 2015

EM DIRECÇÃO AOS SONHOS

A noite estendeu-lhe um manto das promessas embutidas no olhar.
Felina e serena como a mansidão do entardecer,
contemplei o namoro sensual daquela nuvem com o raio de sol
e sorri.

A linha do horizonte testemunhava a doçura daquela nuvem
derretendo-se no embalo do raio de sol que fugia
e também ela sorria.

Hipnótica a beleza do momento;
quase tela,
quase fome,
inspiração para amantes presos no desejo da noite,
embriagados pela imensidão do olhar.

Da noite se alimentam.
Sussurrando desejos e promessas,
saciam sentidos,
rompem regras, limites, convenções.

Como nuvem ou raio de sol
esperam o romper da aurora,
e na fusão dos corpos,
partem,
resgatados pelo silêncio
em direcção ao mundo incandescente dos sonhos.


©Graça Costa


                                                              Charmaine Olivia

E O DIA ESPEROU COMIGO

Era um dia daqueles
em que o amanhecer é dourado
mas orvalhado com diamantes de luz.

Era um dia daqueles
em que o coração acorda descompassado
com a pele em arrepio eterno como tatuagem
sussurrando o teu nome ao dia que desponta.

Era um daqueles dias
em que o corpo pede corpo
e o olhar jorra paixão
por entre gemidos de pérolas de mel.

Era um daqueles dias
de prece e de ilusão,
de esperança,
horas lentas
e expectativas tantas...

Decidi esperar,
contigo na retina e nas memórias
e o dia esperou comigo
complacente e sereno,
cúmplice da paixão que viria a ser
mas dentro de mim já o era.

©Graça Costa

                                                                   Loui Jover

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

FICA

Sede,
fonte,
rio,
ponte,
mar,
tormenta,
fúria,
lamento.

O que sou,
nos dias em que o mar dos olhos 
me desaba no peito?

O que me diz este olhar de mão estendida?
O que me diz o coração apertado e a pele em chamas?

Vem..
preciso de colo.

Enlaça-te em mim,
sacia-me a sede,
alimenta-me o Ser

e fica...
meu farol,
minha alma, meu guia,
meu chão.

©Graça Costa


DÁDIVA

Trazia no peito um olhar de perdição
e na pele um misto
de dor fome e desejo
esquecido nos confins do sentir.

Trazia nas mãos a dor de uma vida de luta
e de uma luta sem vida.

Trazia amanheceres distantes
noites de solidão
que lhe marcavam o corpo
como raízes secas pelo verão.

Não trazia palavras
choros ou gemidos...
apenas aquele olhar de perdição,
aquela súplica muda
quase em jeito de oração.

Quis saber quem era,
mas apenas me estendeu uma mão rugosa
com mil histórias escritas.

Aninhou-se no meu colo e assim ficou
dando-me tudo o que tinha
e o que tinha era tanto...


©Graça Costa

                                                              John Coplans

terça-feira, 17 de novembro de 2015

DEPOIS DO AMOR

Trazia o outono nos cabelos
e um prado de erva fresca no olhar.

Caminhava como se trouxesse o luar nos pés,
iluminando o caminho
e semeando sorrisos.

O corpo nu,
convidava ao deleite de noites de verão
embaladas por brisa suave
e choro de guitarras.

Entreguei-me ao entardecer,
como se pudesse parar o tempo
e sussurrei o teu nome ao vento.

Foi então que chegaste
e me cobriste o corpo de beijos
com a fome dos dias longos
e das noites por inventar.

Dei-me de novo
como da primeira vez,
sem medos nem dúvidas,
toda alma,
todo corpo,
toda luz.

Depois da explosão dos nossos corpos em chama,
enrolei-me no teu corpo de mel
e deixei o sono levar-me
até ao mundo dos sonhos e das memórias.

Sereno o sono depois do amor...



©Graça Costa

                                                     Serge Marshennikov

MAGIA

Um sorriso trespassou-lhe o rosto
ao sentir o sol acariciar-lhe o corpo
como mãos de amante experiente.

Lentamente espreguiçou-se,
sentiu o desejo tomar-lhe conta do corpo e dos sentidos,
rolou sobre si mesma e deixou-se ir
adormecendo com uma imagem de entrega no olhar perdido.

Sentiu o sabor do beijo,
o toque da pele na sua pele,
o cheiro,
a textura ,
o prazer delicado e intenso,
a magia da fusão dos corpos ao luar.

Em segundos deixou de saber
se estava no sono
no sonho ou na vida,
tal a intensidade do sentir.

Não sabia, nem quis saber.

Sabia apenas que sentia
e se sentia, tinha que ser verdade.

Enroscou-se naquele corpo, de sonho ou não
e deixou a magia acontecer.

©Graça Costa


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

AMANHÃ

No amanhã que começa a nascer
quero que saibas que a alfazema do jardim
vibra de aromas e tons de maresia,

que a lua sorri aos amantes sem tecto
e lhes estende os braços dando-lhes uma cama de afectos,

que os olhos brilham
sedentos de sonhos ainda por sonhar
e que a vida rola
como carrossel de risos e lamentos
abraços e tormentos,
tecendo a rede
dos dias calmos
e dos dias das tormentas.

Quando o amanhã surgir no horizonte
talvez esteja nos braços do sono
ou dentro de um sonho com cheiro de alfazema
e tons de jasmim.

Se assim for, estarei sorrindo
porque os braços da lua entenderam-se para mim
e sei ...
que tu andas por perto.


©Graça Costa



ACOLHE-ME

Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.

Embriaga-me de carícias e palavras soltas
doces, mesmo que sem sentido.

Coloca no tom da tua voz
a musica das almas cansadas
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia
e eu a praia para te receber.

Acolhe-me
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas
corpo aberto ao encontro de almas
que só a ternura percebe.


©Graça Costa


LOVE MUST PREVAIL

May the word be our sword
and our love be our strength.

May the word be our link
and tenderness our goal.

We are One...
Despite our values and beliefs
our Humanity must prevail
or we will be forever
from fear captive.

May the word be our sword
and love be our strength.
Despite countries.
Despite religions.
Despite skin color.

We are One…
And love must prevail.

©Graça Costa 


domingo, 15 de novembro de 2015

AQUELE FIM DE TARDE

Havia algo particularmente vibrante naquele fim de tarde,
algo embrenhado no silêncio
ganhando coragem para se soltar .

Não sei se era grito ou lamento
morte ou paixão.

Parecia um gemido perdido em busca de colo
um quê de prazer e dor,
com uma pitada de amor secreto querendo crescer.

Parecia poesia em forma de luz…

Eu sorri…tu sorriste,
pois no por de sol que morria,
algo grandioso nascia.

Havia algo particularmente vibrante naquele fim de tarde.

Ninguém o sentiu…
Apenas nós.



©Graça Costa