terça-feira, 17 de novembro de 2015

MAGIA

Um sorriso trespassou-lhe o rosto
ao sentir o sol acariciar-lhe o corpo
como mãos de amante experiente.

Lentamente espreguiçou-se,
sentiu o desejo tomar-lhe conta do corpo e dos sentidos,
rolou sobre si mesma e deixou-se ir
adormecendo com uma imagem de entrega no olhar perdido.

Sentiu o sabor do beijo,
o toque da pele na sua pele,
o cheiro,
a textura ,
o prazer delicado e intenso,
a magia da fusão dos corpos ao luar.

Em segundos deixou de saber
se estava no sono
no sonho ou na vida,
tal a intensidade do sentir.

Não sabia, nem quis saber.

Sabia apenas que sentia
e se sentia, tinha que ser verdade.

Enroscou-se naquele corpo, de sonho ou não
e deixou a magia acontecer.

©Graça Costa


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

AMANHÃ

No amanhã que começa a nascer
quero que saibas que a alfazema do jardim
vibra de aromas e tons de maresia,

que a lua sorri aos amantes sem tecto
e lhes estende os braços dando-lhes uma cama de afectos,

que os olhos brilham
sedentos de sonhos ainda por sonhar
e que a vida rola
como carrossel de risos e lamentos
abraços e tormentos,
tecendo a rede
dos dias calmos
e dos dias das tormentas.

Quando o amanhã surgir no horizonte
talvez esteja nos braços do sono
ou dentro de um sonho com cheiro de alfazema
e tons de jasmim.

Se assim for, estarei sorrindo
porque os braços da lua entenderam-se para mim
e sei ...
que tu andas por perto.


©Graça Costa



ACOLHE-ME

Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.

Embriaga-me de carícias e palavras soltas
doces, mesmo que sem sentido.

Coloca no tom da tua voz
a musica das almas cansadas
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia
e eu a praia para te receber.

Acolhe-me
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas
corpo aberto ao encontro de almas
que só a ternura percebe.


©Graça Costa


LOVE MUST PREVAIL

May the word be our sword
and our love be our strength.

May the word be our link
and tenderness our goal.

We are One...
Despite our values and beliefs
our Humanity must prevail
or we will be forever
from fear captive.

May the word be our sword
and love be our strength.
Despite countries.
Despite religions.
Despite skin color.

We are One…
And love must prevail.

©Graça Costa 


domingo, 15 de novembro de 2015

AQUELE FIM DE TARDE

Havia algo particularmente vibrante naquele fim de tarde,
algo embrenhado no silêncio
ganhando coragem para se soltar .

Não sei se era grito ou lamento
morte ou paixão.

Parecia um gemido perdido em busca de colo
um quê de prazer e dor,
com uma pitada de amor secreto querendo crescer.

Parecia poesia em forma de luz…

Eu sorri…tu sorriste,
pois no por de sol que morria,
algo grandioso nascia.

Havia algo particularmente vibrante naquele fim de tarde.

Ninguém o sentiu…
Apenas nós.



©Graça Costa


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

MURMÚRIOS DA PELE

Escuta.
Mergulha no silêncio e escuta o teu corpo que te fala.

Ouve o clamor da tua pele,
a toada triste das suas cicatrizes
quando lhes afagas o contorno da dor.

Ousa e ouve também a sua fome, os seus desejos,
a alquimia dos sentidos que a pele reclama.

Embrenha-te no silêncio da noite
e ouve como ela, ora chora, ora  canta
ora implora, ora dá,
entoando melodias ainda por inventar.

Sem pressas, observa cada curva, cada poro, cada marca.
Sente a dança dos sentidos
e deixa-a ser pele de outra pele

Ouve,
deixa-me ser dona do teu sentir,
fundir-me na tua pele,
murmurar-te desejos de equinócios distantes,
enlouquecer de ternura,
explodir de prazer no teu ouvido.
Deixa-me explorar o limite do sentir
devagar,
serenamente,
como quem declama um poema soletrado a meia voz.

Murmúrios da pele,
sede….
desafio,
banquete de almas unidas
pela bebedeira de sentidos inquietos.


©Graça Costa


COMO SE TIVESSEM BOCA

“ HÁ Palavras que nos beijam como se tivessem boca”,
na perfeita nudez da pele em chamas.

Coloridas, pastel ou grafite,
desenhadas neste corpo, tela;
corpo, poema,
corpo, matriz,
corpo em prece,
abandonado à mercê das tuas mãos.

Palavras abandonadas à mercê do teu carinho,
entregues à mercê da nostalgia
ou à doçura dos teus beijos.

Bendito este corpo que sente.
Bendito o arrepio da pele.
Bendito o brilho na troca de olhares que tudo diz.

Embrulhados em silêncio , assim ficamos
inventando palavras novas,
melodiosas,
insensatas,
prenhes de desejo
que um dia alguém beijará.

Connosco , ficará
a nostalgia da criação
e certamente
sorriremos...


©Graça Costa


quinta-feira, 12 de novembro de 2015

SEM AVISO

Quase sem aviso
o beijo aconteceu.

Como poema calado
cresceu lentamente,
maré mansa,
que vira fogo
ateado pela urgência do desejo.

Perdido na ponta do medo
surgiu assustado
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.

Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma e o sentir,
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes
em que apenas o desejo tem voz.

E do beijo nasceu a entrega
e da entrega, a melodia dos corpos em chama...
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .

© Graça Costa



                                                                  Matteo Arfanotti

TANTO

Amarra-me ao teu peito
para que o tempo não me roube de ti.

Cobre-me de luz e de esperança.
pinta-me o rosto de beijos maduros e generosos,
como as uvas dourados de Outono.

Amarra-me ao teu peito
e fica dentro de mim,
para que o tempo , seja tempo
mas não ladrão do meu Ser.

Sem ti os dias não nascem
e se nascem
não têm cor nem sabor
ou algo que me faça sorrir ou esquecer.

Amarra-me ao teu peito, meu amor
e espera na vereda da tarde
a hora dos dias sem hora marcada.

Espera...
e leva-me contigo
porque a vida corre veloz
e temos ainda tanto para nos dar.

©Graça Costa


PALAVRAS SOLTAS

Nesses olhos com mar e céu dentro,
navego
voo
sonho
divago
caminho.

E por vezes penso
que com alguma sorte,
talvez, nalgum momento inesperado,
vindo do nada,
consiga conversar contigo
sem ter que usar palavras.

Aí ter-me-ei perdido
e reencontrado
no teu olhar...


©Graça Costa