segunda-feira, 9 de novembro de 2015

NA PENUMBRA DO DIA

Surgiu-me da penumbra esta sensação de luz
este calor terno e manso
de uns lábios lambendo-me o rosto.

Iluminou-se-me  a alma e um sorriso
nasceu-me no olhar.

Depois foram os dedos…
Como brisa de verão,
ainda com aroma a fim de primavera
viraram carícia nua ,
repleta de promessas.

Um silêncio mágico invadiu a manhã.

O meu corpo virou pauta de musica inacabada pintado pela paleta da aurora,
expectante,
luminoso,
sedento da orquestra dançante
saindo da penumbra do dia que amanhecia.


© Graça Costa



domingo, 8 de novembro de 2015

BRINCADEIRA

A manhã acordou cedo
e mandei-a embora.

Era cedo, demasiado cedo para me soltar de ti.

Demasiado cedo para ter a solidão por companhia
e a dor da perda como ferida aberta sufocando-me o peito.

Rebelde fiz-lhe frente.
Olhei-a nos olhos e esbofeteei-lhe a ousadia de vir sem ser pedida.

A manhã acordou cedo
mas mandei-a embora.

Fechei as cortinas…
voltei a cobrir-me com o manto da noite
enrosquei-me no calor do teu abraço
e voltei a dormir,
como criança depois de comer.

Agora acordei…
Lá fora o sol já dorme
mas dentro de mim brilha como diamante.

Tu estás a meu lado…
e eu enganei a manhã.


©Graça Costa


sábado, 7 de novembro de 2015

SENTIR

Quantas tonalidades de mar abarcam os meus olhos?

Quantas pinceladas de céu encontro nos teus?

Quanto areal dourado exposto à brisa das tuas mãos encontras na minha pele?

Olho-te e vejo uma lua cheia vibrante,
um sol endiabrado lambendo-me o rosto,
uma fonte de água fresca estendendo-me os braços.

Olho-me e vejo-me nua como tela em branco,
musa dos teus olhos
melodia para os teus beijos.

Quantas tonalidades tem o amor que fazemos na penumbra dos dias?

Para quê saber,
se é no sentir que a alma tece...


©Graça Costa


DOEM-ME AS PALAVRAS

Doem-me as palavras como feridas abertas.
Gritam.
Gemem.
Sussurram.
Reclamam.

Queimam-me o peito e afogam-me o olhar.

Sinto a alma jorrando lava,
escorrendo lenta e penosamente pelo mesmo peito,
onde momentos antes os teus lábios descansavam
e o teu corpo se derretia no meu.

Doem-me as palavras como feridas abertas.
Por isso as partilho
na voragem dos dias inquietos
e na esperança que alguém as faça suas.

Olha…
Vê como os olhos soletram a dor do sentir.

Vê como te chamam,
a ti,
balsâmico amante
de corpos e letras.

Vem,
lambe-me as feridas
para que as palavras renasçam
entre as flores e o arvoredo da paixão.


©Graça Costa


                                                                 kim sung jin  

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A TELA DO TEU SONHO


Anda…

Vamos nas asas do vento
ao encontro dos sonhos guardados
na palma da imaginação.

Não te deixes enredar na dor.
Foge da bruma dos dias sem luz
frios como escarpas afiadas
e procura…

Procura dentro de ti os aromas perdidos nas memórias
e os sorrisos tecidos no bilro dos momentos guardados.

Anda…
Vem comigo viajar nas asas do vento.
Pede ajuda à brisa,
deixa que os raios de sol te envolvam o sentir
e que a dor te caia dos olhos como chuva branda e serena.

Anda…
Vamos voar para lá do horizonte
inventar um mundo só nosso
em que os dedos sejam pinceis
aguarelados pelo olhar da ternura.

Anda…
que tempo escasseia e o desejo é fome por saciar.
Toma a minha pele como tela para o teu sonho
e pinta a noite,
com as cores do teu olhar.


©Graça Costa

                                                                Danny o connor.

ANOITECE

O dia vai morrendo no horizonte
e esta voz que me atravessa o peito, descansa.

No sussurro do entardecer que  anoitece,
o meu mundo és tu
e a antecipação do que juntos inventamos.

Naquele espaço tempo
de magia e loucura,
transbordam marés de afectos.

Nesses momentos,
que seja eu a seiva dos teus gemidos roucos,
a saudade do que ainda vives
e a promessa de ternuras por inventar.

Anoitece
e esta voz que me atravessa
deixa de ser voz e passa a ser apenas corpo,
apenas pele
apenas...nós!

©Graça Costa


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

LISTEN CAREFULLY

Listen carefully...
not only the words I say,
but also the silent ones,
the ones I speak with my eyes
my hands,
my skin.

Listen carefully...
what my body asks from thee,
if your touch
or the fusion of souls,
if a caress
a kiss
or simply a hug.

Listen carefully...
but if the doubts assault you,
don't you worry my love.

Just look deep in my eyes
and you'll know what to do.


©Graça Costa

                                                              Sam Spratt

VONTADE

Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas,
uma alma secreta de murmúrios vestida,
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
do seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema
que antes de o ser já dança na retina,
já penetra a pele 
com a intensidade de um beijo,
despertando a fome 
do amor vivido em firmamentos distantes.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz
não seja voz, mas apenas pele…
sedenta de outra pele.


© Graça Costa






CURVA NO FIM DA TARDE

Esperei por ti na curva da tarde
como por ti esperou a fome do sentir.

Imaginei-te a romper a neblina
lentamente, em slow motion,
saboreando cada passo que te trazia até mim.

Fechei os olhos e centrei-me nos sons,
no restolho que quebrava debaixo dos teus pés.

Mais  perto,
cada vez mais perto.
Não via , mas sentia o teu olhar preso no meu corpo
libertando-o de tudo o que te separava da minha pele.
E a pele sorria…
 o olhar vidrava
o corpo gemia no silencio da estrada.

Por fim senti-te chegar
resposta à suplica muda que te pedia o olhar.

Arrepio de alma na curva da tarde...
Deitei-me no teu colo
e deixei-me voar...


©Graça Costa

                                                                  Ira Tsantekidou

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

SE ESTES DEDOS TIVESSEM VOZ


Se estes dedos tivessem voz
seria de vento e de mar,
seria de brisa e de trautear o teu corpo,
com gemidos de mel
e ternura de flores sem tempo nem estação.

Se estes dedos tivessem voz
suplicariam por violinos, harpas,
e lençóis de cetim orvalhados pelo teu perfume.
Suplicariam por pinceis e aguarelas para te pintar o perfil
e nele gravar o sentir do amanhecer nos teus braços.

Se estes dedos tivessem voz
gritariam pela tua presença dentro de mim,
pelo teu olhar preso no meu,
navegante eterno de paraísos inventados
e rotas por descobrir.

Se estes dedos tivessem voz
o amanhã estaria escrito.

O entardecer teria a melodia de uma sinfonia tocada a quatro mãos
e a noite traria consigo a magia dos rios
plena de afectos e desafios,
aberta para nos receber.

Caminhemos então…
e ouçamos,
que os dedos falam a língua dos amantes .


©Graça Costa