sexta-feira, 6 de novembro de 2015

ANOITECE

O dia vai morrendo no horizonte
e esta voz que me atravessa o peito, descansa.

No sussurro do entardecer que  anoitece,
o meu mundo és tu
e a antecipação do que juntos inventamos.

Naquele espaço tempo
de magia e loucura,
transbordam marés de afectos.

Nesses momentos,
que seja eu a seiva dos teus gemidos roucos,
a saudade do que ainda vives
e a promessa de ternuras por inventar.

Anoitece
e esta voz que me atravessa
deixa de ser voz e passa a ser apenas corpo,
apenas pele
apenas...nós!

©Graça Costa


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

LISTEN CAREFULLY

Listen carefully...
not only the words I say,
but also the silent ones,
the ones I speak with my eyes
my hands,
my skin.

Listen carefully...
what my body asks from thee,
if your touch
or the fusion of souls,
if a caress
a kiss
or simply a hug.

Listen carefully...
but if the doubts assault you,
don't you worry my love.

Just look deep in my eyes
and you'll know what to do.


©Graça Costa

                                                              Sam Spratt

VONTADE

Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas,
uma alma secreta de murmúrios vestida,
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
do seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema
que antes de o ser já dança na retina,
já penetra a pele 
com a intensidade de um beijo,
despertando a fome 
do amor vivido em firmamentos distantes.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz
não seja voz, mas apenas pele…
sedenta de outra pele.


© Graça Costa






CURVA NO FIM DA TARDE

Esperei por ti na curva da tarde
como por ti esperou a fome do sentir.

Imaginei-te a romper a neblina
lentamente, em slow motion,
saboreando cada passo que te trazia até mim.

Fechei os olhos e centrei-me nos sons,
no restolho que quebrava debaixo dos teus pés.

Mais  perto,
cada vez mais perto.
Não via , mas sentia o teu olhar preso no meu corpo
libertando-o de tudo o que te separava da minha pele.
E a pele sorria…
 o olhar vidrava
o corpo gemia no silencio da estrada.

Por fim senti-te chegar
resposta à suplica muda que te pedia o olhar.

Arrepio de alma na curva da tarde...
Deitei-me no teu colo
e deixei-me voar...


©Graça Costa

                                                                  Ira Tsantekidou

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

SE ESTES DEDOS TIVESSEM VOZ


Se estes dedos tivessem voz
seria de vento e de mar,
seria de brisa e de trautear o teu corpo,
com gemidos de mel
e ternura de flores sem tempo nem estação.

Se estes dedos tivessem voz
suplicariam por violinos, harpas,
e lençóis de cetim orvalhados pelo teu perfume.
Suplicariam por pinceis e aguarelas para te pintar o perfil
e nele gravar o sentir do amanhecer nos teus braços.

Se estes dedos tivessem voz
gritariam pela tua presença dentro de mim,
pelo teu olhar preso no meu,
navegante eterno de paraísos inventados
e rotas por descobrir.

Se estes dedos tivessem voz
o amanhã estaria escrito.

O entardecer teria a melodia de uma sinfonia tocada a quatro mãos
e a noite traria consigo a magia dos rios
plena de afectos e desafios,
aberta para nos receber.

Caminhemos então…
e ouçamos,
que os dedos falam a língua dos amantes .


©Graça Costa


BEIJO REINVENTADO

Aquele beijo
tinha o sabor encantado das palavras não ditas,
tinha a doçura da fruta madura
e a ternura de um por de sol prateado à beira mar.

Aquele beijo
tinha o querer e o não querer,
o vazio e a plenitude,
a intensidade do nascimento
e o poder da paixão a fermentar.

Aquele beijo
tinha o aroma de chocolate quente
e a beleza de uma buganvília
lambendo uma parede alva
como neve em pleno verão.

Aquele beijo
foi principio e fim
de qualquer coisa por inventar
que espera na beira da noite
luz para caminhar.

©Graça Costa



PROCURO

Procuro no tempo,
o tempo em que o teu olhar
era a ampulheta dos sonhos
que sonhámos juntos.

Procuro no tempo,
o tempo em que do toque da pele
nascia a magia do entardecer,
e no beijo trocado,
ternura aos pedaços
guardada na memória de dias errantes.

Procuro no tempo ,
o tempo em que na escuridão da noite
segui os teus passos
e na melodia do bater do coração te encontrei.

Procuro-te no tempo que foi
e no que há-de vir,
porque sem ti na minha pele
não existe amanhecer.

©Graça Costa

                                                                  Michael Shapcott

terça-feira, 3 de novembro de 2015

ESPERANDO

Por entre a neblina bebo o teu perfil
sereno e brando como brisa de outono,
quente e suave como sol a caminho de adormecer.

Imagino a minha pele cantar sob o teu toque
e quase consigo sentir o sabor da tua boca.

Fogueira e fonte,
medronho e água mel,
arrepio e gargalhada.

Nas tuas mãos sou barro por moldar,
mosto aquecido,
vulcão adormecido,
desejo em convulsão.

Chamo-te só com o brilho do olhar.

O vento entende o meu sorriso
e leva-te o meu nome até aos confins do teus ser.

Aguardo…
e a espera é doce.

©Graça Costa


                                                                  Max Gasparini

LAMENTO DA NOITE


Seguiu o lamento da noite
e nele reviu toda uma vida
de entrega e paixão.

Do amor,
sentiu o sabor,
a textura,
o aroma dos corpos entrelaçados.

Da ternura,
guardou a cumplicidade dos olhares,
os subtis toques da pele.

Da paixão,
os gemidos e os recomeços,
o cansaço e o desejo.

Da dor,
a ausência e a saudade
que querendo esquecer, lembrou
queimando-lhe  a pele como ferro em brasa.

Seguiu o lamento da noite
e ousou gritar-lhe a raiva da perda.

De alma lavada
enfrentou a madrugada
e quando o sol lhe iluminou o rosto
os seus olhos cruzaram-se
como da primeira vez.

Recomeço improvável?
Desafio...
Vida em construção.

©Graça Costa


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

DEPOIS...

Trazia o outono nos cabelos
e um prado de erva fresca no olhar.

Caminhava como se trouxesse o luar nos pés,
iluminando o caminho
e semeando sorrisos.

O corpo nu,
convidava ao deleite de noites de verão
embaladas por brisa suave
e choro de guitarras.

Entreguei-me ao entardecer,
como se pudesse parar o tempo
e sussurrei o teu nome ao vento.

Foi então que chegaste
e me cobriste o corpo de beijos
com a fome dos dias longos
e das noites por inventar.

Dei-me de novo
como da primeira vez,
sem medos nem dúvidas,
toda alma,
todo corpo,
toda luz.

Depois da explosão dos nossos corpos em chama,
enrolei-me no teu corpo de mel
e deixei o sono levar-me
até ao mundo dos sonhos e das memórias.

Sereno o sono depois do amor...


©Graça Costa