terça-feira, 27 de outubro de 2015

COMO SE TIVESSEM BOCA

Há Palavras que nos beijam como se tivessem boca,
inundando a doce nudez da pele em chamas.
Coloridas, pastel ou grafite,
desenhadas neste corpo tela;
corpo poema,
corpo matriz,
corpo agonizante,
em espera…
abandonado à mercê das tuas mãos.
Palavras…
abandonadas aos teus afectos,
entregues à doçura da nostalgia
ou à quase insana loucura dos teus beijos.
Bendito este corpo que sente.
Bendito o arrepio da pele.
Bendito o grito do brilho do olhar que tudo diz.
Embrulhados no silêncio da noite, assim ficamos
inventando palavras novas,
loucas,
insensatas,
prenhes de desejo,
que um dia alguém beijará
na mudança da maré.
Connosco…
ficarão as memórias da criação
e a saudade do vivido,
antes de ser sonhado.
© Graça Costa


AO ENCONTRO DO TEU OLHAR

Numa manhã sem sol
de um dia sem tempo
tropecei no teu olhar
e ali fiquei
naquela quase esperança
quase lamento,
quase encanto.

Naquela manhã sem sol,
quebrei as amarras da dor
suspensas no teu e no meu olhar.

Delas alimentei
a fé num manhã por inventar
em que o destino tenha voz
e nos aponte o caminho

De uma manhã sem sol
fiz luta,
desafio,
milagre.

Com a alma na voz
e a ternura no olhar
toquei-te sem notar.

Beliscou-me o desejo de ficar,
o espanto,
a alegria,
o querer
e deixei-me ir
ao encontro do teu olhar.

©Graça Costa

                                                                   Yasunari Awazu

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SEM AVISO

Quase sem aviso
o beijo aconteceu.

Como poema calado
cresceu lentamente,
maré mansa que vira fogo
ateado pela urgência do desejo.

Perdido na ponta do medo
surgiu assustado
mas logo se agigantou,
explorando os sentidos com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.

Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma e o sentir,
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes,
em que apenas o desejo tem voz.

E do beijo nasceu a entrega
e da entrega, a melodia dos corpos em chama...
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .

© Graça Costa

                                                                Andrei Protsouk

A LITTLE PIECE OF HEAVEN

I taste a little piece of heaven
each time your lips travel around my skin.

I taste a little piece of heaven
each time you touch me
and my body becomes a violin,
a piano,
a full orchestra,
or only a whisper
lost in the room.

I taste a little piece of heaven
each time I close my eyes
and let my soul fly
throughout the warmth of your embrace.

Our love is heaven in slices,
an open book with empty sheets
for us to draw,
all new world to discover.

All we have to do is believe
that soulmates ate meant to be
and that miracles need to be fed
to keep on sparkling.


©Graça Costa


                                                              Helena Wierzbicki

ANTES DE TE VER

Acordo
e sinto-te antes de te ver.

Na penumbra,
o perfil do teu rosto,
o sorriso quase infantil,
o calor da pele e o teu perfume,
doce e almiscarado como chocolate quente
saboreado à fogueira.

Acordo
e finjo dormir
para prolongar o sonho.

Relembro a maré mansa e luxuriante do beijo,
a fusão da pele,
o crescendo da paixão,
o êxtase,
a exaustão.

Prevejo e sorrio,
neste quase sono
que é quase fome,
o amanhecer brilhante
em que te sinto,
antes de te ver.


©Graça Costa


domingo, 25 de outubro de 2015

COLO

Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.

Embriaga-me de carícias e palavras soltas
doces, mesmo que sem sentido.

Coloca no tom da tua voz
a musica das almas cansadas
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia
e eu a praia para te receber.

Acolhe-me
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas
corpo aberto ao encontro de almas
que só a ternura percebe.

©Graça Costa



                                                                   Leonid Afremov 

SE EU SOUBESSE

Se eu soubesse definir o amor
seria triste, porque pequeno.

Se eu soubesse descrever o amor,
a pagina estaria em branco
e eu estaria a sorrir.

Como definir aquele segundo em que tudo para ?
Como descrever o arrepio na pele ?
Como dizer a doçura da tua boca?
O agridoce meio selvagem da pele molhada,
depois de me perder no teu corpo ?

Não sei…
Mas se soubesse
não o diria…

Não, não o diria.

Cada um sabe quando e como sente a magia,
a ternura,
aquela quase dor da paixão
a pele inflamada,
os sentidos em chama.

Sentido da vida em forma dual.
Prazer da descoberta
em cada dia que nasce.


©Graça Costa


sábado, 24 de outubro de 2015

PRESO NA PELE

Hoje acordei com o teu olhar preso na pele.
Percorrias-me o corpo
como pincel em tela virgem
e os teus olhos eram uma paleta de cores e sonhos por realizar.

Hoje acordei com o teu olhar preso na pele
e nos olhos a súplica de aventuras errantes
sem tempo nem espaço
esperando na curvas do tempo.

Hoje acordei com o teu olhar tatuado na pele.
Tornei-o meu tesouro e meu refúgio,
meu cansaço e meu repouso,
dono dos meus passos,
refém dos meus desejos.

Hoje acordei com o teu olhar preso na pele
e tornei-me amante guerreira,
sem medos nem dor,
apenas brisa,
apenas querer...

©Graça Costa



                                                             Patrick Palmer

OUSADIA

Ousara eu ser sol para te afagar o rosto.
Ser lagrima para te escorregar na pele.
Ser mar para te envolver na maré.

Ousara eu ser terra
para te plantar um sorriso nos lábios,
quente como fim de tarde
aconchego da noite.
celebração de amantes
no esteio da vida.

Ousara eu ser maresia.
Ternura.
Fantasia.
Ladra dos teus sonhos
no turbilhão profuso dos afectos.

Ousara eu Ser
e morreria plena de mim
no teu olhar…


©Graça Costa 

                                                               Anna Bocek

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PORQUE SIM

Hoje vou dançar na rua
só porque sim,
vou rasgar a noite só para ti ,
ser gota de chuva,
brisa,
maresia,
só para te tocar a pele
e beber-te o sussurro.

Hoje vou ser raio de sol,
urgência,
fome,
lamento,
para que sintas a minha ausência
morder-te a alma e os sentidos.

Hoje vou ser a tua e minha solidão.
Vou ser grito e desespero,
roubar a vida de um golpe
apenas para te ter.

Que a saudade vire chama
e a chama tempestade,
dança de corpos ausentes
que a noite vai juntar
ao som dolente
de uma guitarra à beira mar.

©Graça Costa