domingo, 25 de outubro de 2015

COLO

Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.

Embriaga-me de carícias e palavras soltas
doces, mesmo que sem sentido.

Coloca no tom da tua voz
a musica das almas cansadas
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia
e eu a praia para te receber.

Acolhe-me
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas
corpo aberto ao encontro de almas
que só a ternura percebe.

©Graça Costa



                                                                   Leonid Afremov 

SE EU SOUBESSE

Se eu soubesse definir o amor
seria triste, porque pequeno.

Se eu soubesse descrever o amor,
a pagina estaria em branco
e eu estaria a sorrir.

Como definir aquele segundo em que tudo para ?
Como descrever o arrepio na pele ?
Como dizer a doçura da tua boca?
O agridoce meio selvagem da pele molhada,
depois de me perder no teu corpo ?

Não sei…
Mas se soubesse
não o diria…

Não, não o diria.

Cada um sabe quando e como sente a magia,
a ternura,
aquela quase dor da paixão
a pele inflamada,
os sentidos em chama.

Sentido da vida em forma dual.
Prazer da descoberta
em cada dia que nasce.


©Graça Costa


sábado, 24 de outubro de 2015

PRESO NA PELE

Hoje acordei com o teu olhar preso na pele.
Percorrias-me o corpo
como pincel em tela virgem
e os teus olhos eram uma paleta de cores e sonhos por realizar.

Hoje acordei com o teu olhar preso na pele
e nos olhos a súplica de aventuras errantes
sem tempo nem espaço
esperando na curvas do tempo.

Hoje acordei com o teu olhar tatuado na pele.
Tornei-o meu tesouro e meu refúgio,
meu cansaço e meu repouso,
dono dos meus passos,
refém dos meus desejos.

Hoje acordei com o teu olhar preso na pele
e tornei-me amante guerreira,
sem medos nem dor,
apenas brisa,
apenas querer...

©Graça Costa



                                                             Patrick Palmer

OUSADIA

Ousara eu ser sol para te afagar o rosto.
Ser lagrima para te escorregar na pele.
Ser mar para te envolver na maré.

Ousara eu ser terra
para te plantar um sorriso nos lábios,
quente como fim de tarde
aconchego da noite.
celebração de amantes
no esteio da vida.

Ousara eu ser maresia.
Ternura.
Fantasia.
Ladra dos teus sonhos
no turbilhão profuso dos afectos.

Ousara eu Ser
e morreria plena de mim
no teu olhar…


©Graça Costa 

                                                               Anna Bocek

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

PORQUE SIM

Hoje vou dançar na rua
só porque sim,
vou rasgar a noite só para ti ,
ser gota de chuva,
brisa,
maresia,
só para te tocar a pele
e beber-te o sussurro.

Hoje vou ser raio de sol,
urgência,
fome,
lamento,
para que sintas a minha ausência
morder-te a alma e os sentidos.

Hoje vou ser a tua e minha solidão.
Vou ser grito e desespero,
roubar a vida de um golpe
apenas para te ter.

Que a saudade vire chama
e a chama tempestade,
dança de corpos ausentes
que a noite vai juntar
ao som dolente
de uma guitarra à beira mar.

©Graça Costa



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

COISA BOA


Coisa boa, flutuar no teu abraço
ao som de um noturno morno
com embalo de espanto
e carícia de lamento.

Coisa boa o teu toque
como raio de sol
timidamente rompendo a nuvem
cheia de lágrimas
com receio de a romper.

Coisa boa, morrer e renascer de novo,
em cada olhar
em cada gemido
em cada grito,
perdidos no orvalhado da noite
refletidos no dia que desponta.

Coisa boa as histórias que escrevo nos meus olhos
e reservo…
como calda de  açúcar
em pétalas de luz.


©Graça Costa

                                                          Danny O'Connor

O MEU AMOR

O meu amor,
tem mãos de silêncio rompendo a aurora.
Traz na pele a brisa do vento
e no olhar a promessa de dias calmos.

O meu amor,
traz a saudade na ponta dos dedos
e a ternura nos lábios de dor.
a mim se oferece como em oração,
despojado de tudo,
fruta madura por colher.

O meu amor,
traz colado na pele
o grito da paixão contida
e no peito o desespero da partilha.


O meu amor,
dorme no meu peito.

Bebo-lhe o semblante
e parto com ele com asas no pés,
em busca de outras paisagens
em que mesmo nua,
me sinta vestida
de paixão e de esperança.


©Graça Costa

                                                           David Agenjo

LIFE DOESN'T ALLOW REHEARSALS

Boundless,
is the way I feel when we're together.

Heaven knows
that our love has no frontiers
that it speaks the strangest languages
and even the walls sometimes blush.

Silent witnesses and accomplices
the magic our  bodies create.

No words needed.
Nothing but the eyes and the skin
conducting the Allegro or the Nocturne of the day.

Boundless
is our love.

Life doesn't allow rehearsals
and knowing so
we make each moment
masterpieces of tenderness and surrender.


©Graça Costa

                                                                   MarcinMG42

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

PORQUE ESCREVO


Perguntas-me porque escrevo,mas não te sei responder.
Escrever é respirar
e o respirar não se explica.
Posso dizer-te que escrever me alimenta…
Pincela-me a alma de sonhos
e os sonhos de memórias.
Assim vivo…
de cheiros e toques de pele,
de fusão de corpos
e lábios de mel.
Escrevo porque sinto
e sinto porque escrevo,
reinventando-me na mescla fresca de afectos e paixões.
Não sei explicar porque escrevo,
mas quando escrevo sou livre,
neblina,
onda do mar,
arco íris de esperança
nostalgia,
primavera.
Assim me sinto
de alma e coração em espera,
misto de gente e canção,
moldando as palavras
com ternura infantil
e paixão de amante.
Ofereço-tas como pétalas de chuva
no sereno da noite
morrendo tranquilas no teu olhar.
Quem sabe assim,,,
talvez assim,
consigas entender porque escrevo...

©Graça Costa

                                                    Sherree Valentine DAINES  

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

ESPERANDO O LUAR


Por entre a maresia da aurora
um atrevido raio de sol  acariciou-lhe o rosto.
Era doce como doce o algodão em dia de feira
e sereno, como brisa em campo de trigo.

Beijou-a com ternura infantil e subtil desejo de amante
mas nem assim conseguiu despertá-la.

Decidiu agigantar-se e como mantinha de lã cobriu-lhe o corpo nú.
Ouviu-a gemer baixinho e um sorriso ténue aflorar-lhe os lábios.
Sorriu também e numa loucura, talvez insana, atreveu-se de novo.

Deitou-se a seu lado
e soprou-lhe ao ouvido os desejos do corpo e as angústias da alma.

Olhou aqueles olhos ainda fechados mas já inquietos
e uma lágrima travessa caiu-lhe do rosto.
Lágrima triste,
ou lágrima de esperança;
gota de mel tombada em regaço manso
que de espanto se abriu num olhar intenso
de esmeralda por lapidar.

Cruzaram-se então
olhos e corpos
sorrisos e lágrimas
anseios e sonhos.

E nessa mescla de emoções e afectos
vividos ou por decifrar
deitaram fora as palavras
fundiram-se num abraço
e assim ficaram,
esperando o luar.


©Graça Costa

                                                                Zhaoming Wu