sexta-feira, 2 de outubro de 2015

NA BEIRA DA NOITE

Aquele beijo,
tinha o sabor encantado das palavras não ditas;
tinha a doçura da fruta madura
e a ternura de um pôr do sol prateado à beira mar.

Aquele beijo,
tinha o querer e o não querer,
o vazio e a plenitude,
a intensidade do nascimento
e o poder de uma paixão,
apenas ainda sonhada

Aquele beijo,
tinha o aroma a chocolate quente
e a beleza de uma buganvília lambendo uma parede branca,
tal qual como neve em pleno verão.

Aquele beijo
foi o principio e o fim
de qualquer coisa por inventar,
que espera na beira da noite
a luz para caminhar.

©Graça Costa


DEPOIS

Trazia o outono nos cabelos
e um prado de erva fresca no olhar.

Caminhava como se trouxesse o luar nos pés,
iluminando o caminho
e semeando sorrisos.

O corpo nu,
convidava ao deleite de noites de verão
embaladas por brisa suave
e choro de guitarras.

Entreguei-me ao entardecer,
como se pudesse parar o tempo
e sussurrei o teu nome ao vento.

Foi então que chegaste
e me cobriste o corpo de beijos
com a fome dos dias longos
e das noites por inventar.

Dei-me de novo
como da primeira vez,
sem medos nem dúvidas,
toda alma,
todo corpo,
toda luz.

Depois da explosão dos nossos corpos em chama,
enrolei-me no teu corpo de mel
e deixei o sono levar-me
até ao mundo dos sonhos e das memórias.

Sereno...
o sono depois do amor.


©Graça Costa

                                                             Timothy Rees

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

SEM RESERVAS

Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.

Embriaga-me de carícias e palavras soltas,
doces...serenas,
mesmo que sem sentido.

Coloca na voz
a musica das almas cansadas
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia
e eu a praia para te receber.

Acolhe-me
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas,
corpo aberto ao encontro de almas
que só a ternura percebe.


©Graça Costa

                                                                  Guy Denning

AMANTES SEM TEMPO

Partiste,
deixando-me um desejo tardio no corpo.
O, até logo, sussurrado
deixou no ar um aroma de promessas
e no olhar uma paixão por cumprir.

No beijo,
ficaram as palavras por dizer
na pele as carícias por sentir
e na alma o amor revisitado
que a noite sempre me traz.

Foi então que a magia aconteceu,
e o dia fez-se noite
somente para eu te ter.

Senti-te chegar
e sorri.

Soltei o corpo
e deslizei para o horizonte selvagem,
onde os sonhos ganham voz
pelas mãos dos amantes sem tempo.

©Graça Costa 


                                                                       Maria Srb

terça-feira, 29 de setembro de 2015

SOUL MATES


You know what I mean
when I shiver in your arms.

You know what I mean
when you look at me
and my eyes are brighter than rising stars.

You know what I mean
when I whisper your name
at dawn or at nightfall.

You know what I mean
when I softly bite my lips
and in the next second they touch yours in a warm kiss
on the back of your neck.

I know you know what I mean.

So...I hardly need words
to let you know,
that I love you,
that I want you,
that I need you
like the air that I breathe.

You know what I mean...

I mean
that I'm your soulmate
and soul mates just know
because they just feel.


©Graça Costa


SENTE-ME

Percorre-me as ruas do corpo como se fosse a tua cidade.

Descobre os pormenores do lamento.
Embarca no destino que negas,
mas não podes,
nem queres evitar.

Sente-me…

Envolve-te no calor da pele,
nos gemidos que  noite cala e a maresia consente.
Ousa sorrir ao desconhecido que te chama
e perde-te neste meu corpo feito mar para te receber.

Ouve-me por entre o silêncio e o grito.

Aprende comigo o sentir sem palavras.

Inventemos uma língua nova,
serena e fluida como o brilho do olhar,
após o amor partilhado
na mudança da maré.


©Graça Costa

                                                                  Rico Blanco 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

VOZ DE DENTRO

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema,
que me conduz a saudade da mão e do olhar
do toque,
da entrega,
da fome
e da paixão.

Há uma voz cá dentro
que me conduz o sonho
e um sonho
que me conduz a ti.

A ti...
meu amor e meu chão,
meu refúgio e minha paixão.

Há uma voz cá dentro
que me encanta e me desencanta
me acolhe e me repele
numa catadupa de afectos
rolando num turbilhão.

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema
e o poema...
não és tu nem sou eu...
somos nós,
eternamente Nós.

©Graça Costa



NUMA MANHÃ DE PRIMAVERA

No amanhecer que desponta,
sou pássaro livre
sou fonte
sorriso aberto
espuma do vento.

Sou tudo isso
e o que mais queiras.

Por ti acordo
contigo me deito,
desejo na pele
ternura no olhar.

No amanhecer que desponta
navego serena como espuma do mar
e na fluidez dos sentidos
deixo-me enamorar pela maresia dos teus dedos na minha pele.

Fecho os olhos e nela sinto o teu toque.
Deleite dos fins de tarde
em que flutuamos rumo ao anoitecer
que por ora apenas é sonho.

Ferve-me a pele e sorrio…

Antecipação do prazer
numa manhã de primavera.


©Graça Costa

                                                       Catrin Welz-Stein

domingo, 27 de setembro de 2015

SERENAMENTE

Serenamente,
pelos caminhos da ilusão me levaste.

De leveza me vesti.
Com a brisa dancei.
Entre os nenúfares e a folhagem flutuei
como brisa em tarde calma.

Serenamente,
pelos caminhos da ilusão
reinventei a magia de renascer
a cada passo,
a cada olhar,
a cada beijo,
a cada luar.

Toca-me, amor...
embala-me no teu peito de luz
e cobre-me o corpo com os teus lábios de espanto.

Deixa que a fome de afectos
se torne melodia outonal
e façamos da dança dos corpos
ousadia,
ternura,
paixão,
loucura sem nome
nova vida,
exaustão.

Depois...
que o sono nos tome conta do Ser
e os sonhos venham vestidos de luz.

Serenamente...


©Graça Costa





quinta-feira, 24 de setembro de 2015

AO OUVIDO DO AMANHECER

Anda…
Vamos inventar um dia novo,
desenhado a aguarela ou a pastel
melodia ou primavera,
doce e mágico como beijo roubado,
nas colinas do sonhos e da imaginação.

Anda…
dá-me a tua mão.

Deixa-me guiar-te neste mundo inventado
em que o corpo ganha voz
magia e sedução.

No teu olhar sinto a urgência das marés,
o marulhar dos afectos, 
a fome por saciar.

Nas palavras por dizer,
pressinto  trilogias escritas a quatro mãos
ao som do crepitar das chamas
e dos corpos suados pela paixão.

Pressinto a madrugada e o calor da tua boca
e assim fico
quieta e nua,
presa no limbo de poemas sussurrados,
ao ouvido do amanhecer.


©Graça Costa


                                                                 Marilyn Kalish