quinta-feira, 17 de setembro de 2015

QUANDO

Quando no teu corpo me dissolvo
descubro  sabores inesperados.
Menta, canela,
pimenta, chocolate,
hortenses, rosas carmim.

Neles viajo,
vagabunda errante
imersa no êxtase hipnótico que a tua pele me estende.

Não sei se fuja ou ouse desafiar os limites deste corpo,
que conheço e desconheço,
que me chama e me recusa,
que me engole e me saboreia
como fruta fresca em manhã de primavera.

Quando no teu corpo me dissolvo
a ternura consome-me o ser.

Entrego-me por inteiro,
fusão de mar e lua,
magia e travessura
no anoitecer que abraçamos
e com tanto por inventar...

©Graça Costa

                                                                    Marilyn Kalish

THE KISS

 I like the kiss that did not give ...
the imagined kiss,
drawn in the most deep corners of the mind.

I feel its smell and its taste,
texture,
heat
smoothness.

Insinuating…
the kiss that I did not give.

Magical,
as everything already dreamed,
but yet unborn.


©Graça Costa


                                                          Sculpture - Gaylord Ho

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

VEM

Sinto a magia do dia que desponta ,
pela forma como o teu corpo reage ao toque dos meus dedos.

Nele brinco, como num teclado de piano.
Dele sinto brotar harmonia ou furacão,
a simplicidade de um beijo
ou a doce loucura da paixão.

Depois chamo a noite
sussurrando...quase em prece,
esperando o êxtase
que a tua fome promete.

Vem amor,
vem depressa,
que o tempo não espera
e a magia da noite
tem os tons de uma eterna primavera.


©Graça Costa


SE

Se eu pudesse ser mar,
inundaria o teu chão com a força das marés.

Se eu pudesse ser lua,
faria um espelho de luz para te iluminar o ser.

Se eu pudesse ser chuva,
seria alimento de pura seiva no teu corpo.

Se eu pudesse ser fogo,
dar-te-ia o meu corpo para aconchego eterno.

Da fusão dos elementos,
renasceria qual fénix em cada amanhecer,
e em cada noite,
partiria, feliz, dentro do teu peito,
rumo ao paraíso de sentidos por inventar.


©Graça Costa


OXALÁ

Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas,
uma alma secreta de murmúrios
vestida uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
no seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema,
que antes de o ser já dança na retina,
já penetra a pele com a intensidade de um beijo
e desperta a fome do amor vivido em firmamentos distantes.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz,
não seja voz,
mas pele…
sedenta de outra pele.


©Graça Costa




terça-feira, 15 de setembro de 2015

IF I COULD


If I could be a star
I would travel a million light years
just to make your heart my home.

If I could be a sea wave
I would dance throughout the oceans
just to kiss your lips in the change of tides.

If I could be music
I would create endless love songs
just to see you smile.

But, as I'm your soulmate
I flourish like a landscape in springtime
and with all the birds and butterflies as witnesses
I will make a perfect dress
to the perfect day
of our next encounter.

My skin...
My shiny eyes
My wet lips,
that's all we need
to make miracles between the stars.


©Graça Costa

                                                               Mark Demsteader 

ABRAÇA-ME APENAS

A brisa beija-me o corpo
com a suavidade de solista
em orquestra de anjos.

Da melodia,
soltam-se os sons dos sonhos
num amanhecer dourado 
e quando o sol desponta bebendo o orvalho,
sinto na pele o arrepio de acordar envolta no teu abraço.

Lá fora,
o sol de inverno,
frio e cortante,
contrasta com o calor
de um verão inventado
à medida deste sonho
criado a quatro mãos.

Por momentos,
retenho e perfeição da eternidade
e quero ficar,
só ficar.

Não…
não digas nada…
Abraça-me apenas…          
 

©Graça Costa


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

PERFUME DE POESIA

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Sem saber como defini-lo,
estendi-lhe o sorriso e bebi-o,
lentamente,
em silêncio,
como se de um ritual sagrado se tratasse.

Saboreei cada trago
com a dolência da paixão imprevista,
e deixei-me levar pela eternidade do momento.

Encontrei um perfume de poesia no teu olhar.

Vieste sem aviso
com a força de uma maré viva
e eu recebi-te com a ternura de uma onda a beijar a areia.

Sem saber como te responder,
vesti-me de lua,
coloquei nos cabelos pétalas de orvalho
e dei-me ao teu olhar em oferenda.

Depois anoiteceu…
e a noite é cúmplice de amantes inquietos.


©Graça Costa

                                                                   Zhaoming Wu

AURORA BOREAL

Tem dias em que me sinto aurora boreal,
lambendo o teu corpo.

Por entre o êxtase, o espanto e a magia,
componho melodias intemporais
que gravo na pele e nos sentidos.

Nesses dias fecho os olhos
e sinto as nuances coloridas
acariciando o corpo nu,
que em jeito de oferenda te estendo,
como tela esperando o fluir da magia do pintor.

Mais tarde contemplo a obra
e por vezes sorrio...


©Graça Costa


GOSTO DESTE AMOR

Gosto deste amor puro,
simples,
belo,
cristalino como gota de orvalho
penetrada por um raio de sol ao amanhecer.

Gosto deste ter-te e não te ter,
do desejo,
de te sentir antes de te ver,
do teu toque suave e intenso como noite de luar.

Gosto das noites que me consomem
e me espantam,
da luz que me eclode no peito
e me invade o corpo febril.

Gosto deste amor cristalino,
simples,
belo,
curioso...
aventura dos sentidos,
quadro aberto ao desconhecido,
que vou escrevendo...
sem pressas.

Gosto deste amor sereno
como gosto da vida
e de mergulhar no silêncio que construímos juntos,
qual ultimo suspiro de paixão eterna
após o amor partilhado ao entardecer.

©Graça Costa