quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O BEIJO

No dedilhar do piano
imaginei o beijo,
doce,
carnudo,
sumarento
como amora madura
saboreada à beira do mar.

Fechei os olhos
e no embalo das notas
o beijo ganhou forma…
límpida e cristalina como gota de orvalho
no despontar do amanhecer.

Com o beijo nasceu o sorriso,
e com o sorriso o abraço
e com o abraço o enlaço.
Sereno e algo travesso estampou-se no rosto,
com a inocência

de uma primeira vez.

©Graça Costa


                                                             Josef Kunstmann



domingo, 6 de setembro de 2015

QUASE POEMA

O caudal de afectos que por vezes escorre de mãos silenciosas, transcende a magia de quaisquer palavras
.
Quantas as mãos que desconhecem o poder de amar, no calor dos silêncios partilhados.

Se o soubessem, tantos seriam os momentos eternos construídos num simples toque de pele.

Arrepio gravado no brilho dos olhos…eternidade ao segundo…


©Graça Costa


THE FIGHT


Somewhere between a lost soul
and a radiant child she was.

Her inner voice screamed for freedom
and her eyes cried for peace.

The world was frightening
and the crowd was in a restless apathy.

Couldn't bare this suffocating feeling
but feel helpless to a lonely fight.

Softly...
almost like a breeze
she started to sing...
tender words
like caresses at sunset.

A shy smile started to grow from the mist
and some tears manured hope.

©Graça Costa




terça-feira, 1 de setembro de 2015

A QUE SABE ?

A que sabe o amor acabado de fazer?
E o acabado de sentir?
Ou o que morreu mas já foi chama?
A que sabe ?

Sabe a pétalas de estrelas
pontilhadas de açúcar,
pimenta e canela.

Sabe ao almiscarado da pele suada,
ao suspiro que morre lentamente na garganta
após o prazer partilhado.

Sabe a pão acabado de cozer
com manteiga derretida.

Não sei se sei a que sabe o amor acabado de fazer,
mas sei de cor
as cores e texturas como o gravo na pele.


©Graça Costa

                                                                     Tim Parker

NA SOLEIRA DO SONHO

Encostada na soleira do sonho
escuto murmúrios de pé descalço,
gastos por tempos incertos.

Na soleira do sonho
sinto as palavras gravadas na pele,
qual renda de bilros em cama de noivos.

Nesse sonho sinto a noite salpicada por mosto de outono
e aroma de romã.
Vagueio pelas memórias dos tempos,
envolvo-me na neblina
e volteio numa dança ritmada pelo bater do coração.

Depois vem o sorriso
ante as imagens que me afagam o rosto e me pintam a retina.
Decalco-as nas paredes nuas
e fico, encostada na soleira do sonho,
desenhando o dia 
com novas cores, melodias 

e sabores.

Semeio o amanhã,
na soleira do sonho
e continuo a sorrir...

©Graça Costa


SEM AVISO

Quase sem aviso
o beijo aconteceu.

Como poema calado
cresceu lentamente,
maré mansa,
que vira fogo
ateado pela urgência do desejo.

Perdido na ponta do medo
surgiu assustado
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.

Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma e o sentir,
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes
em que apenas o desejo tem voz.

E do beijo nasceu a entrega
e da entrega, a melodia dos corpos em chama...
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .

© Graça Costa


sábado, 22 de agosto de 2015

À DESCOBERTA DO AMOR

Parto à descoberta do amor,
com a curiosidade infantil
do desconhecido que ainda há  em mim.

Perdi o medo de amar
porque amar é simplicidade
e a simplicidade é generosa.

Deixo fluir os sentidos,
dar se tiver vontade,
quando tiver vontade,
e receber com carinho, 
a mão estendida,
a doçura de pele que saboreio sem pressas,
a fusão dos corpos que se dissolvem
em maresia e poemas
nas noites rubras de ternura e magia.

Parto,
sem destino ou direcção.
O vento sabe o caminho 
e o meu coração , também.



©Graça Costa


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

I DREAMT

I dreamt
my body was a lake
and your hands
sailing boats
dancing in the sunset of my skin.

I dreamt my body
was open sky,
and your mouth
a flock of seagulls
caressing its profile.

I dreamt my body
was a wide open road
and your arms
bunches of flowers
spreading perfume along the way.

I dreamt...
and I dreamt again.

When finally
awake,
you are right beside me.

We slightly smile...
and the dreams
come alive.


©Graça Costa
 


                                                                   Guy Denning

DOCE DOR

Por entre os pingos da chuva,
imagino o beijo quente desflorando a noite.

Quase sinto as gotas caindo nos lábios
como perolas ou diamantes efémeros,
que por entre as nuvens nos esmagam o peito.

Doce, a dor do beijo à espera da tua boca.


©Graça Costa


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

AQUELE BEIJO


Aquele beijo não foi apenas um beijo.
Foi uma prece,
oração,
rosário de promessas
doce tentação com aroma de eternidade.

Aquele beijo tinha consigo o feitiço da lua,
a brisa do mar,
o arrepio da maresia,
o mistério do entardecer em corpos desnudados,
a doçura do mel coado em leite quente.

Aquele beijo não foi apenas um beijo.
Foi o despertar dos sentidos na fusão do olhar.
Foi a súplica da carícia à flor da pele.
Foi a dor da ausência e a antecipação do prazer.

Aquele beijo, foi  magia do amor em dó maior,
explosão de ternura no espaço sideral,
alimento de alma nos dias de dor e solidão.


©Graça Costa

                                                        Gustav Klimt: The Kiss (detail)