quarta-feira, 3 de junho de 2015

ILUSÕES


Pelo meu corpo vagueiam ilusões,
carícias de outono envoltas em luar,
pacientes e ternas como canções de ninar.

Com elas mantenho conversas eternas
daquelas que saltam estações.
 À sombra das estrelas
desenrolo sonhos,
como novelos de lã colorida
em dia de vendaval.

Por vezes parto em viagem por dentro de mim.
Viajo pelos dias e noites onde a minha história foi escrita
e em murmúrios desolados ou gemidos de êxtase
revivo e sonho,
recordo e esqueço.

E a pele responde quando a emoção se torna voz
e nos poros consigo plantar papoilas em flor.

Sem que eu peça,
o abraço nasce da sombra suspensa a meu lado.

E assim fico, abraçada em mim
orvalhando as papoilas de lágrimas,
sorrisos e afectos.

Depois vem o cansaço,
o sono
e o sonho
de um amanhã contigo a meu lado.


©Graça Costa




terça-feira, 2 de junho de 2015

PRAZER

Tomei a noite nas mãos
e fiz dela a cama fresca
para a nossa pele em chamas.

Desespero de alma
em busca do brilho no olhar
que nasce das entranhas do ser
até se tornar fome por saciar.

Tomei a noite nas mãos
e deixei-me navegar
no teu corpo feito mar,
no teu mel a transbordar.

Do olhar , fiz o poema
e do poema, magia.

Magia de noites eternas
em que te saboreio e devoro,
em que me perco e encontro
no desvario dos sentidos.

Magia...
a explosão dos corpos
que iluminam o amanhecer
e as palavras que nascem
do sussurrar do prazer.


©Graça Costa


segunda-feira, 1 de junho de 2015

EPHEMERAL


Ephemeral your smell on my skin.
Ephemeral our kissess
our touches,
our looks

Ephemeral the whispered words
and the caresses,
at sunset by the sea
or under the stars at the top of the mountain.

Ephemeral our melting bodies at nightfall.

Ephemeral ... our the days and nights together,
but eternal in my mind…

Safe box of the sweet memories
that life is made of.

©Graça Costa



                                                                  Karin Johannesson


NAS NOITES QUE PASSO SEM TI

Nas noites que passo sem ti
encho o tempo de memórias e sonhos,
nem sempre vividos
nem sempre sonhados,
mas sempre sentidos
como a força das madrugadas.

Nas noites que passo sem ti,
sou fonte de água fresca,
sou mar,
sou montanha, planície ou luar,
sou tudo o que tu quiseres...
tua cama ,
tua praia,
ou teu lar.

Nas noites que passo se ti,
o mundo gira mais forte,
na procura cega da ternura,
que mora lá fora
ou dentro de mim.

Nessas noites
sou alquimista de horas incertas,
e de amores inquietos.

Agarro a ternura com a ponta dos dedos
e na doçura da noite
construo milagres,
que até eu desconheço.

©Graça Costa








sexta-feira, 29 de maio de 2015

NÃO DIGAS NADA

  
Não digas nada, meu amor
nem mesmo a verdade.

Deixe-me ficar no canto dos sonhos
brincando com as memórias do toque de tuas mãos na minha pele.

Deixa-me dançar ao som das melodias de teus beijos
e conversar com as sombras de teu corpo caminhando para mim.

Não me digas nada, meu amor
nem mesmo a verdade.

Deixa-me tornar o anjo da esperança observando o pôr do sol,
cada dia,
todos os dias,
até que minhas asas ganhem força  para voar longe,
directo para o refúgio dos teus braços.

Até então ...
não me digas nada
nem mesmo a verdade.

Podes magoar-me...
e eu preciso sorrir .

© Graça Costa





quinta-feira, 28 de maio de 2015

PELE


Pele…
Nada como o toque aveludado da pele,
a forma como se arrepia ante a caricia,
como responde ao beijo lento e rastejante,
à língua quente e húmida,
ao gemido ,
ao arfar do desejo incandescente,
à súplica do olhar.

Pele…
Tela de paixões inquietas,
magia serena em noites calmas
ou feiticeira  dos dias que nascem sem porquê.

Pele, poema
Pele, canção
Pele, sinfonia de Outono em pleno verão.

Pele em espera.
Pele em escuta.
Pele sedenta da água das tuas mãos.

Pequena gota de orvalho...
alimento da flor da madrugada.


©Graça Costa


quarta-feira, 27 de maio de 2015

NAQUELA NOITE

Na penumbra apenas os contornos de ti
e o respirar lento e compassado de um sono,
profundo como o mar
e leve como brisa de verão.

A teu lado,
aquela a quem roubaram o sono
e que no torpor do cansaço
te bebe a calma com um sorriso.

Contemplo-te na penumbra
e no teu rosto vejo paz.

No vai e vem do teu peito,
o colo para o meu embalo
onírico,
terno,
pueril.

Percorro-te com o olhar,
o sorriso denuncia –te o prazer.

Despertas…

Como pétalas de estio
rumo ao amanhecer
cobres-me o corpo com beijos
e a noite…
ah...a noite estendeu-nos o manto do sentir.


©Graça Costa


ESTE AMOR

Gosto deste amor...
puro,
simples,
belo,
cristalino como gota de orvalho
penetrada por um raio de sol ao amanhecer.

Gosto deste ter-te e não te ter,
do desejo,
de te sentir antes de te ver,
do teu toque suave e intenso como noite de luar.

Gosto das noites que me consomem
e me espantam,
da luz que me eclode no peito
e me invade o corpo febril.

Gosto deste amor cristalino,
simples,
belo,
curioso...
aventura dos sentidos,
quadro aberto ao desconhecido,
que vou escrevendo...
sem pressas.

©Graça Costa


terça-feira, 26 de maio de 2015

FREEDOM


My love i need to rest,
but rest is an extension of your smile,
a mixture of your lips in my skin and your arms around my neck.

My love I need to sleep
but sleep are nightmares without your shoulder as a soft tender pillow.

My love…
ask for my autumn leaves dress so full of memories.

See how each one of them have a story to tell
and a smell of honey inside each letter.

Let me go …
to those far horizons
where feelings have no name
and language is the softness of the skin,
the bright shine of the eyes
and the purchase of passion in every breath.

My love…let me go
but please lead the way.

Once we arrive
i will feed you with my autumn leaves dress,
till the day my nudity explodes in your arms
and I will finally be free.


Graça Costa




EMERGÊNCIA

Serena a noite envolve-me o corpo,
tal como os teus dedos me envolvem os sentidos
e os teus beijos me derretem a pele.

Com mestria de poeta dedilhando as palavras,
desfolhas o meu corpo em flor
que vibra e ondula como seara de trigo em fim de verão.

Emergência dos sentidos.
pele em chama,
tortura,
paixão,
abismo do entardecer.

E no final da noite,
quando o cansaço reclamar silêncio,
que o meu corpo seja chão
e o teu chuva,
para que a manhã traga consigo a semente
dos recomeços eternos.


©Graça Costa