quinta-feira, 21 de maio de 2015

COLO

Acolhe-me no teu corpo
como se fosses berço para o meu descanso.

Embriaga-me de carícias e palavras soltas
doces, mesmo que sem sentido.

Coloca no tom da tua voz
a musica das almas cansadas
e acolhe-me no teu corpo
como se fosses mar
e eu maré,
como se fosses onda
morrendo na praia
e eu a praia para te receber.

Acolhe-me
que eu a ti me dou
sem medos nem reservas
corpo aberto ao encontro de almas
que só a ternura percebe.


©Graça Costa




quarta-feira, 20 de maio de 2015

RECOMEÇOS


Os seus olhos eram oceanos de perda, mágoa e dor.
A pele cheirava a macio…
fragrância triste mas serena,
quase complacente
misto de canela e maresia
com um leve toque de saudade.

Por vezes abre as comportas da alma
deixando no ar o odor de feridas esfregadas com sal.

É uma dor forte,
penetrante,
honesta
com uma melancolia hesitante
e uma métrica envolvente
quase colo
ou flor de beijo.

Olhou-se no espelho…
Contemplou os seus olhos de perda, mágoa e dor.
Com carinho de mãe, guardou-os na memória …
Fechou-os …
e atreveu-se a renascer.


©Graça Costa


terça-feira, 19 de maio de 2015

A THOUGHT


Her mouth seemed a luxurious red strawberry.
Tasted like heaven,
like love freshly made still running in her veins
and caressing her skin.

From her lips
drops of tenderness
slipped through her body
gently
slowly like a butterfly wave
till gently die
in the memories of feeling.

©Graça Costa








OUSADIA


Ousara eu ser sol para te afagar o rosto.
Ser lágrima para te escorregar na pele.
Ser mar para te envolver na maré.

Ousara eu ser terra
para te plantar um sorriso nos lábios
quente como fim de tarde
aconchego da noite
celebração de amantes no esteio da vida.

Ousara eu ser maresia
ternura
fantasia
ladra dos teus abraços
em turbilhões profusos de  afectos.

Ousara eu Ser
e morreria plena de mim
no teu olhar…


©Graça Costa


domingo, 17 de maio de 2015

DEIXA-ME

Deixa-me percorrer-te o perfil
até que os meus olhos parem
naquele exacto local
onde nasce o sorriso
quando o prazer nos consome o ser.

Deixa-me varrer-te o corpo
com estes dedos feitos mar,
lançar-te um brilho no rosto
e começar a sonhar.

Deixa que o mundo pare lá fora
e o nosso comece
como madrugada desflorando a noite.

Lenta,
serena e doce amante
silenciosa cumplice
dos sonhos que juntos criamos
e da magia da fusão dos nosso corpos
para lá da noite
para la de nós.

Deixa que amanheça
e a noite volte a reclamar o horizonte
mas fica...
que o tempo é curto
e ainda temos tanto para nos dar.

©Graça Costa




sexta-feira, 15 de maio de 2015

NA TUA NOITE

Segurei a noite pelas pontas
e tornei-a minha.
Com ela tapei o teu corpo
tremente de afectos
e do calor das manhãs.

Dos meus dedos fiz luz
e da minha pele palavra.

Escrevi na noite
o poema dos dias claros
até sentir o teu corpo sorrir
como que embalado
pela textura,
pela magia,
pela candura que dos meus dedos nascia,
serene,
perene,
nua,
plena.

Segurei a noite pelas pontas
e tornei-a minha,
só para te dar...

©Graça Costa






quarta-feira, 13 de maio de 2015

AQUI


Aqui estou,
no desejo do que sou,
no que ficou depois de ti
no lamento da esperança que morreu
antes de ser mar.

Aqui estou
com a sede à flor da pele
e a fome escondida na razão que já não é.

História por escrever mas já sonhada,
por viver mas já sentida,
aguarelada na aurora desflorando a noite.

Aqui estou
nesta travessia de mim
em busca do nós que já fomos
e do amanhã que inventamos
em cada amanhecer.

Aqui estou
esperando a magia do toque
da tua
na minha pele.

E espero...
mesmo que anoiteça
e a noite se perpetue
na amanhã que parece não querer chegar.


©Graça Costa 




                                                               Hesther Van Doornum




segunda-feira, 11 de maio de 2015

MEU CORPO, MEU RIO, MEU MAR...


No meu corpo correm rios de afetos partilhados
e outros ainda por inventar.

Nas suas margens, nenúfares e chorões
abraços e canções,
dias de outono serenos nos teus braços,
contemplando o por do sol na placidez das águas.

Nelas, correm também rios de dor
em sua lenta caminhada até ao afluente do rosto.
para depois desaguar  no silêncio surdo da melancolia do olhar.

Alguns tornam-se riachos e acabam por secar.
Outros agigantam-se e levam-te na torrente.

Nesses dias o  corpo deixa de ser corpo
e passa a ser maré viva,
vento norte
tempestade,
luta, desespero, naufrágio.

Assim é a vida
e os corpos que nela vivem.
Nuns dias sol, beleza e calmaria
noutros tormenta e maresia.

Por vezes amor, ternura, paixão.
Outras…
 vazio,
quase nada,
ilusão.

Meu corpo, meu rio, meu mar…
Caminho aberto às veredas do sentir.


©Graça Costa


sexta-feira, 8 de maio de 2015

MOMENTOS


Há momentos que valem vidas.
Uma lágrima lambendo a pele,
suave e lentamente como uma carícia.

Um sorriso iluminando o olhar como farol no meio da escuridão.

Aquele arrepio da antecipação do prazer,
apenas imaginado, mas ainda não sentido.

Há momentos que valem vidas.

O primeiro olhar,
o primeiro toque da pele,
o primeiro beijo,
o soco no peito da primeira paixão,
 o ar que precisamos desesperadamente beber e nos foge das mãos,
que geladas suam lágrimas de ausência.

A morte eminente do sentido da vida
quando não se está junto,
os minutos que se tornam dias, dolorosos,
quase lume,
quase ferida
aberta pela incerteza da espera,
mas sempre tão forte, tão intensa, tão dramática
como naufrágio em noite de tempestade.

Há momentos que valem vidas
pelo que foram ou não foram
pelo que são
pelo que serão.

Se ficar cicatriz, ruga, cabelo branco, lagrima, sorriso,
é porque valeu a pena…

Momentos…
tinta  dos dias com que vamos escrevendo
a trova do tempo que passa.


©Graça Costa






VIENS

J'ai dans le cœur
le poids de ton absence
et dans le corps
du feu pour ton caresse.

J'attends la nuit
comme la mer attend des marées
et dans la balançoire des mots
je parcours ton nom,
comme quand tes mains
peignent dans mon corps un plaisir
inconnu par des mots.

Le vent chante ton arrivée
et tu sais que je suis ici,
toute nue
toute à toi,
simplement
peau
faim de caresses,
larmes et fatigue.

J'ai dans le cœur
le poids de ton absence
et je veux me perdre dans tes bras.

Viens…


©Graça Costa 

NOTA: mais um pequeno "atrevimento" na língua francesa - sejam generosos :) :)

                                                               kate Long Stevenson