quarta-feira, 13 de maio de 2015

AQUI


Aqui estou,
no desejo do que sou,
no que ficou depois de ti
no lamento da esperança que morreu
antes de ser mar.

Aqui estou
com a sede à flor da pele
e a fome escondida na razão que já não é.

História por escrever mas já sonhada,
por viver mas já sentida,
aguarelada na aurora desflorando a noite.

Aqui estou
nesta travessia de mim
em busca do nós que já fomos
e do amanhã que inventamos
em cada amanhecer.

Aqui estou
esperando a magia do toque
da tua
na minha pele.

E espero...
mesmo que anoiteça
e a noite se perpetue
na amanhã que parece não querer chegar.


©Graça Costa 




                                                               Hesther Van Doornum




segunda-feira, 11 de maio de 2015

MEU CORPO, MEU RIO, MEU MAR...


No meu corpo correm rios de afetos partilhados
e outros ainda por inventar.

Nas suas margens, nenúfares e chorões
abraços e canções,
dias de outono serenos nos teus braços,
contemplando o por do sol na placidez das águas.

Nelas, correm também rios de dor
em sua lenta caminhada até ao afluente do rosto.
para depois desaguar  no silêncio surdo da melancolia do olhar.

Alguns tornam-se riachos e acabam por secar.
Outros agigantam-se e levam-te na torrente.

Nesses dias o  corpo deixa de ser corpo
e passa a ser maré viva,
vento norte
tempestade,
luta, desespero, naufrágio.

Assim é a vida
e os corpos que nela vivem.
Nuns dias sol, beleza e calmaria
noutros tormenta e maresia.

Por vezes amor, ternura, paixão.
Outras…
 vazio,
quase nada,
ilusão.

Meu corpo, meu rio, meu mar…
Caminho aberto às veredas do sentir.


©Graça Costa


sexta-feira, 8 de maio de 2015

MOMENTOS


Há momentos que valem vidas.
Uma lágrima lambendo a pele,
suave e lentamente como uma carícia.

Um sorriso iluminando o olhar como farol no meio da escuridão.

Aquele arrepio da antecipação do prazer,
apenas imaginado, mas ainda não sentido.

Há momentos que valem vidas.

O primeiro olhar,
o primeiro toque da pele,
o primeiro beijo,
o soco no peito da primeira paixão,
 o ar que precisamos desesperadamente beber e nos foge das mãos,
que geladas suam lágrimas de ausência.

A morte eminente do sentido da vida
quando não se está junto,
os minutos que se tornam dias, dolorosos,
quase lume,
quase ferida
aberta pela incerteza da espera,
mas sempre tão forte, tão intensa, tão dramática
como naufrágio em noite de tempestade.

Há momentos que valem vidas
pelo que foram ou não foram
pelo que são
pelo que serão.

Se ficar cicatriz, ruga, cabelo branco, lagrima, sorriso,
é porque valeu a pena…

Momentos…
tinta  dos dias com que vamos escrevendo
a trova do tempo que passa.


©Graça Costa






VIENS

J'ai dans le cœur
le poids de ton absence
et dans le corps
du feu pour ton caresse.

J'attends la nuit
comme la mer attend des marées
et dans la balançoire des mots
je parcours ton nom,
comme quand tes mains
peignent dans mon corps un plaisir
inconnu par des mots.

Le vent chante ton arrivée
et tu sais que je suis ici,
toute nue
toute à toi,
simplement
peau
faim de caresses,
larmes et fatigue.

J'ai dans le cœur
le poids de ton absence
et je veux me perdre dans tes bras.

Viens…


©Graça Costa 

NOTA: mais um pequeno "atrevimento" na língua francesa - sejam generosos :) :)

                                                               kate Long Stevenson

MANHÃ DE PRIMAVERA

No amanhecer que desponta
sou pássaro livre
sou fonte
sorriso aberto
espuma do vento.

Sou tudo isso
e o que mais queiras.
Por ti acordo
contigo me deito
desejo na pele
ternura no olhar.

No amanhecer que desponta
navego serena como brisa do mar
e na fluidez dos sentidos
deixo-me enamorar pela maresia na pele.

Fecho os olhos e nela sinto os teus dedos
no deleite dos fins de tarde
em que juntos rumamos ao anoitecer
que por ora
apenas é sonho.
Ferve-me a pele e sorrio.

Antecipação do prazer
numa manhã de primavera.


©Graça Costa

                                                                   Leslie Ann O'Dell


quinta-feira, 7 de maio de 2015

COME

In my face
there's a book
I never read,
a pain I never felt,
a music I never heard.

In my skin,
engraved
a love I never shared,
a forgiveness I never gave,
a rainbow of feelings yet unknown.

Inside...
an emptiness of you
a deep hunger for your touch
a desperate need of your eyes to feed me,
and a prayer...
a prayer of silence and hope,
expectation and fear.

Come...
please come…
Coz the simple sight of you,
the slightest sound of your steps approaching
turns my body into a flood of emotions,
a river cantering the shores of feeling.

Come...
coz the thirst of you
is drying my harbour
and I need to be a beach
with a full tide
for you to drown in.



©Graça Costa


LAMENTO

Lamento
que o meu sorriso por vezes seja triste
e o meu olhar seja chama.

Lamento
que a minha voz seja brisa
e o meu abraço...cabana.

Lamento,
mas sem arrependimento...
porque o meu maior lamento
é para os que não conseguem ver...
para além do lamento.

©Graça Costa

                                                             Hesther Van Doornum

quarta-feira, 6 de maio de 2015

HOUVE MAGIA

Havia magia,
naqueles corpos entrelaçados como renda de bilros,
nos gemidos e lamentos sussurrados,
na conversa vibrante dos olhares trocados,
no silêncio que tudo diz,
na serena cumplicidade
da vela acesa no parapeito da janela.

Havia magia naquele fim de tarde invernoso.

Havia magia e houve milagre...
gravado na tela das memorias daqueles amantes inquietos
ansiosos por outro dia,
por uma outra tarde.

Havia magia e houve milagre...

Fénix renascida...
na maresia do entardecer.




©Graça Costa




terça-feira, 5 de maio de 2015

UMA VOZ

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema.

Há uma voz cá dentro
que me conduz a saudade da mão e do olhar
do toque
e da entrega
da fome
e da paixão.

Há uma voz cá dentro
que me conduz o sonho
e um sonho
que me conduz a ti.

A ti...
meu amor e meu chão,
meu refúgio e minha canção.

Há uma voz cá dentro
que me encanta e me desencanta
me acolhe e me repele
catadupa de afectos
emoções em turbilhão.

Há uma voz cá dentro
que me dita o poema
e o poema sou eu...
és tu...
somos nós.

©Graça Costa

                                                                      Angie Niebles

FROID


Caresse moi mon amour
que j'ai froid
et je veux ta bouche dans mes seins,
tes mains le long de mes jambes,
ton corps recroquevillé sur mon corps
et des paroles,
chaudes,
chuchotés à l'oreille.

Caresse moi mon amour
que j'ai froid
et je sens du feu dans tes yeux.

Viens...
car la nuit arrive
et j'ai besoin de toi.


©Graça Costa

NOTA: um pequeno atrevimento, este poema em francês...espero que gostem !!!


                                                                      Henri Matisse