quarta-feira, 29 de abril de 2015

SEM AVISO

Quase sem aviso
o beijo aconteceu.

Como poema calado
cresceu lentamente,
maré mansa,
que vira fogo
ateado pela urgência do desejo.

Perdido na ponta do medo
surgiu assustado
mas logo se agigantou
explorando os sentidos
com mestria de escultor
e delicadeza de tela pintada a pastel.

Colou-me na pele pigmentos carmim,
sugou-me a alma e o sentir,
tornou-me amante insuspeita
de dias calmos e noites errantes
em que apenas o desejo tem voz.

E do beijo nasceu a entrega
e da entrega, a melodia dos corpos em chama...
poema vivo,
salpicado por gotas de mar,
em tons de êxtase .

© Graça Costa


                                                                Helena Wierzbicki

CAVALGANDO O DIA


Hoje o dia acordou com o sol na voz,
o esplendor  dos aromas primaveris
e a ousadia das promessas por cumprir.

Serviu-me gomos de magia
envoltos em doce de aroma
e despertou-me a fome de ter
a tua pele na minha pele.

Cavalguei o dia e voei com ele
sacudindo o medo de ser abatida em pleno voo
e a amargura das horas que passo sem ti.

Não sei o que fazer a esta urgência de amar
a este doce recordar
sem nome nem idade
mas a que chamo saudade.

A tarde vai caindo
terna e sonolenta como um abraço.

Observo-a com o brilho nos olhos
para iluminar a noite
e o caminho que te traga até mim.

Temos promessas por cumprir…


© Graça Costa


terça-feira, 28 de abril de 2015

DESTINY


I knew we were bound
long before we met.
Deep inside I felt your love
as a feather caressing my soul
and your voice whispering
smoothly in my skin
an unwritten song
floating in time
waiting for our embrace.

I knew we were bound
long before we met.
Fate put you in my path
in the most unexpected way
when days were grey
and nights were stormy.
You came and I was frightened.
Still, I've let you in...
bath myself me in your scent
and allow sparkles of happiness
to enlighten the room.

Love flew
like tides in summer nights
and I …
I surrender to your smile.


©Graça Costa


                                                                   by Jarek Puczel

TANTO

Amarra-me ao teu peito
para que o tempo não me roube de ti.

Cobre-me de luz e de esperança.
pinta-me o rosto de beijos maduros e generosos,
como as uvas dourados de Outono.

Amarra-me ao teu peito
e fica dentro de mim,
para que o tempo , seja tempo
mas não ladrão do meu Ser.

Sem ti os dias não nascem
e se nascem
não têm cor nem sabor
ou algo que me faça sorrir ou esquecer.

Amarra-me ao teu peito, meu amor
e espera na vereda da tarde
a hora dos dias sem hora marcada.

Espera...
e leva-me contigo
porque a vida corre veloz
e temos ainda tanto para nos dar.

©Graça Costa


                                                                 by Audrey DeFord

segunda-feira, 27 de abril de 2015

RECLAMO

 Fragmento de melancolia hesitante
bailando na envolvente métrica de afectos,
ora abruptos
ora serenos,
ora cantantes
ora dolentes.

Cansaço desta vida de maré mansa.

Reclamo o turbilhão da aurora,
o excesso dos sentidos,
o sabor dos beijos adiados,
o suor almiscarado dos corpos partilhados.

Reclamo-te na vereda dos sonhos,
na construção dos dias
e na desconstrução das noites.

Reclamo-te a ti, tinta na minha pele feita tela,
deleite do olhar,
alimento dos sentidos,
fome em contra-mão
esperando a noite que começa.


©Graça Costa

                                                                           loui jover


sexta-feira, 24 de abril de 2015

FICA

Bebe-me os sentidos
como se fosses brisa e eu fosse mar.

Saboreia-me a pele
como se fosse mel
e derrete-te nos meus olhos.

Deixa que a madrugada me inunde o Ser
e o dia surja com a serenidade de uma melodia primaveril.

Deixa...
mas fica,
que o corpo pede e a alma exige
a perene entrega dos corpos em chama.

Deixa-te ficar no meu corpo feito luz,
no meu peito feito cama
e quando o sono vier...
dorme...
mas fica dentro de mim

©Graça Costa



NAS TUAS MÃOS


Por entre a neblina bebo o teu perfil
sereno e brando como brisa de outono,
quente e suave como sol a caminho de adormecer.

Imagino a minha pele cantar sob o teu toque
e quase consigo sentir o sabor da tua boca
fogueira e fonte,
medronho e água mel,
arrepio e gargalhada.

Nas tuas mãos sou barro
arrancado às entranhas da terra,
mosto aquecido,
vulcão adormecido,
desejo em convulsão.

Chamo-te só com o brilho do olhar.
O vento entende o meu sorriso
e leva o teu nome para além da madrugada.

Aguardo…
e a espera é doce.

©Graça Costa

                                                                      Igor Goncharov


quinta-feira, 23 de abril de 2015

DESTINY


I knew we were bound
long before we met.
Deep inside I felt your love
as a feather caressing my soul
and your voice whispering
smoothly in my skin
an unwritten song
floating in time
waiting for our embrace.

I knew we were bound
long before we met.
Fate put you in my path
in the most unexpected way
when days were grey
and nights were stormy.
You came and I was frightened.
Still, I've let you in...
bath myself me in your scent
and allow sparkles of happiness
to enlighten the room.

Love flew
like tides in summer nights
and I …
I surrender to your smile.


©Graça Costa

                                                                 by Dorina Costras

ECLIPSE

Como num eclipse
as tuas mãos Lua
cobriram, lenta e serenamente
o meu corpo Sol.

Corpo diluído num abraço,
ternura ao segundo
vagando pela planície descalça.

O mundo parou
apenas para sentir
a magia do momento,
em que no dia feito noite,
morri e renasci
nas tuas mãos

©Graça Costa 


                                                      Impossible Love by Dorina Costras

quarta-feira, 22 de abril de 2015

É POESIA...

É poesia
uma lágrima orvalhada
suspensa nos cílios
daqueles olhos de mar.

É poesia
a imagem daquele corpo nu
iluminado pelo luar
numa noite estrelada.

É poesia
o percurso em direcção
àqueles lábios carnudos
humedecidos pelo desejo.

É poesia
ter-te nos meus braços
e tornar-me maré de afectos,
onda lenta,
maresia,
canção.

É poesia,
ternura,
paixão,
esta fome de desejo,
esta combustão dos corpos
perdidos na escuridão.

©Graça Costa