quarta-feira, 15 de abril de 2015

AQUI ME TENS

Aqui me tens
de cara lavada e alma nua.
Aqui me tens ,
resplandecente de esperanças e memórias,
gritos surdos na garganta
e melodias no olhar.
Aqui me tens,
com o desejo à flor da pele
e uma girândola de afectos
pendurada no peito.

Ama-me como fores capaz.
Liberta-me das noites sem luar.
Polvilha-me o corpo de estrelas cadentes
e quando ela morrerem no horizonte,
que a tua boca seja o guia  da noite,
e o meu corpo
a tua bússola, barco e leme
numa viagem só de ida.

Aqui me tens
neste mar revolto dos dias agrestes
em que sou tranquilidade de tardes de outono,
paredes meias
com a noite que teima em não me ver.

Aqui me tens...
Ama-me se puderes,
ou então deixa-me ficar
na curva do fim da tarde
onde a morte por vezes passa
e costuma ser branda
para os corações sem dono.

©Graça Costa


terça-feira, 14 de abril de 2015

RECOMEÇAR

Os seus olhos eram oceanos de perda, mágoa e dor.
Cada lágrima trazia consigo
páginas de uma vida de sobressaltos e eternos recomeços.

A pele cheirava a fome
mas apesar da fragância triste
podia nela intuir uma subtil serenidade,
misto de canela e maresia
com um leve toque de saudade.

De quando em vez as comportas do olhar cediam,
incapazes de suportar a dor de feridas esfregadas com sal.
Dor forte,
intensa,
franca,
honesta,
como todas as dores do crescimento,
com a sua musicalidade hesitante
e a sua métrica envolvente,
quase sufocante.

Os seus olhos oceânicos
gritam o fim de uma vida vivida em maré mansa,
reclamam o turbilhão da aurora que nasce no coração da tempestade,
mergulham em busca dos excessos dos sentidos
e da urgência dos beijos adiados.

Os seus olhos de perda, mágoa e dor
procuram-te na vereda dos sonhos,
na certeza que só contigo,
o comum se torna extraordinário
e o viver ganha Luz.


©Graça Costa

                                                            Solitude by Gary Leonard


COISA BOA

Se eu soubesse definir o amor
seria triste, porque pequeno.
Se eu soubesse descrever o amor,
a pagina estaria em branco
e eu estaria a sorrir.

Como definir aquele segundo em que o mundo pára ?
Como descrever o arrepio na pele ?
Como dizer a doçura da tua boca?
O agridoce meio selvagem da pele molhada,
depois de me perder no teu corpo ?

Não sei…
Mas se soubesse
não o diria…

Não... não o diria.
Cada um sabe quando e como sente
as subtilezas do prazer partilhado.
Cada um sabe o mistério,
a magia,
a paixão contida na eternidade daqueles momentos.

Coisa boa…
o sentido da vida em forma dual.
Prazer da descoberta
em cada dia que nasce.


©Graça Costa

                                                        Malcolm Liepke, Sea of Blue 2014

segunda-feira, 13 de abril de 2015

COMBUSTÃO

Cobre-me o corpo
como a noite cobre o entardecer.
Lenta e suavemente
ateia o fogo
que me consome a pele
sedenta das tuas mãos.

Deixa que dele brote o sal da vida
e que os olhos se iluminem
com a magia produzida
pela maré dos corpos em conbustão.

Que a nossa cama
seja uma mar de giestas em flor
e no meu corpo floresça
um campo de papoilas
pintadas pela fome dos teus lábios.

E quando finalmente
o fogo se tornar cinza,
que ela seja fermento de dias brandos
e noites inquietas,
prenhes de descobertas
sem princípio nem fim,
apenas paixão,
extase
e fruta de verão

©Graça Costa



FROM TIME TO TIME

From time to time
I feel blue
like if a perpetual night
covered my being.
From time to time
I feel the rainbow on my cheek
like if spring
flourished in my hair
From time to time
I feel free
like a reckless peacock feather
blown away by the wind.
In those days
I feel like dancing
and allow myself
to feel...
deeply,
intensely,
with every skin pore.
From time to time,
life seems to stop.
and in those precious moments
all I want
is having you...
under my skin.


©Graça Costa


O MEU AMOR

O meu amor,
tem mãos de silêncio rompendo a aurora.
Traz na pele a brisa do vento
e no olhar a promessa de dias calmos.

O meu amor,
traz a saudade na ponta dos dedos
e a ternura nos lábios de dor.
a mim se oferece como em oração,
despojado de tudo,
fruta madura por colher.

O meu amor,
traz colado na pele
o grito da paixão contida
e no peito o desespero da partilha.~

O meu amor,
dorme no meu peito.
Bebo-lhe o semblante
e parto com ele com asas no pés,
em busca de outras paisagens
em que mesmo nua,
me sinta vestida
de paixão e de esperança.

©Graça Costa


FIM DE TARDE

Fim de tarde.
Sensação estranha de perda
como se do dia
restasse apenas o lento arrastar das horas.

Nem uma chama,
nem um sorriso, 
nem uma nuvem em forma de pássaro a convidar ao sonho.

Fim de tarde inóspito,
avarento
preguiçoso
sem cor, 
sem vida,
sem chama.

Procuro nos recantos da memória 
a causa de dias assim.

Será tristeza?
Saudade?
Nostalgia de estar sem ti?

Apressa-te, fim de tarde...
abraça o sol e corre para lá do horizonte.

Deixa que do leste ou oeste distante
a noite venha com seus passos de dança lenta e insinuante.

Deixa-me fechar os olhos e adivinhar-te a chegar.
Deixa-me antecipar o calor da tua boca e o toque da tua pele.

Deixa-me agora ser triste 
mas plantar o brilho no olhar.

A noite é já ali...
e tu estás a chegar.

©Graça Costa


sexta-feira, 10 de abril de 2015

LET ME...

Let me melt with the silence
bath me with treasured memories
lick the honey from the raindrops
and smile like a child in a funfair.

Let me melt with the silence
be your white sheet of paper,
your path,
your poem
yet unwritten.


©Graça Costa



NO TEU CORPO


Quando no teu corpo me dissolvo
encontro sabores inesperados.
Menta, canela
Pimenta, chocolate,
Hortenses e rosas carmim.

Neles viajo
vagabunda de mim
imerso no  êxtase hipnótico que a tua pele me estende.
Não sei se fuja ou se arrisque ficar,
ousar desafiar os limites desse corpo que conheço,
e desconheço,
que me chama e me recusa.

Quando no teu corpo me dissolvo
o corpo deixa de ser corpo
o apenas a magia do sentir
toma conta do momento
que de tanto ser Luz
se torna lamento,
tortura,
maré de sentidos
perdidos no tempo.

©Graça Costa






quinta-feira, 9 de abril de 2015

LOVE...


Love the light and warmth of being in love.
Love the glowing eyes and shiny skin.
Love the sugary breeze,
the smell of tenderness,
the caresses,
the gentle touches of skin,,
the chill in the stomach,
and even love the tears after love.

Love…
you and I
lost in the horizon of feeling
running away from the days,
far from nights or dawns.

Need nothing more than your hands in my body,
nothing more than your eyes slowly undressing me,
nothing more than sleep with your arms around me
and awake with your lips making love with my skin.

Love...
The drunkenness of being…
melody of living
written in four hands.


©Graça Costa