terça-feira, 7 de abril de 2015

FAROL


Tem dias em que o vento me sopra na pele o calor da tua voz.
Entoa cânticos serenos,
como sereno o teu toque
liberto de mágoas e dores,
quase magia
brisa sem chão.

Nesses dias quero que venhas
e me tornes  prisioneira dos teus lábios.
Vem e envolve-me na noite que desperta,
sê meu farol
o meu guia
de caminhos incertos
escondidos na maresia.

Vem, que o frio aperta
e a fome tem o teu nome
escrito na coberta.


©Graça Costa

                                     Allison Rathan; Watercolor 2013 Painting "Raven"

ETHEREAL


I'm an ethereal being
with an ethereal beauty
and an eternal soul.
Sometimes feel like a poppy
or a shooting star
a dewdrop
or a soft kiss on a icy night.

An ethereal being I am
like all of us
thats why I live the doubt
of being with you tomorrow
with the sense of perpetual loss.

And so I  love you
deeply,
with all my skin pores
and each moment of the day.

Engrave your face on my mind
to take you with me
when the non tomorrow comes
steal me from you.


©Graça Costa


segunda-feira, 6 de abril de 2015

AQUELE DIA

Um sorriso iluminou-lhe o rosto
ao sentir o sol acariciar-lhe o corpo,
como mãos de amante experiente.

Lenta e dengosamente espreguiçou-se,
rolou sobre si mesma e deixou-se ir.

Adormeceu com aquela imagem na retina:
o sabor do beijo,
o toque da pele na sua pele,
a magia da fusão dos corpos ao luar.

Adormeceu levando no sono e no sonho
o sorriso com que brindara o sol que lhe banhara o rosto.

De repente deixou de saber
se era sonho,
delírio ou vida.

Sabia apenas que sentia
e se sentia tinha que ser verdade.

Enroscou-se naquele corpo feito mar só para a receber
e deixou -se levar pela maré dos sentidos,
até ao amanhecer ...

© Graça Costa

                                                                 By David Agenjo 






BEFORE I SEE YOU


O BEIJO

Imaginou-o adocicado,
lento
morno
perdido.

Desenhou-o perfeito
macio
envolvente
como pluma na brisa.

Sentiu-o carente
faminto,
desconcertado,
medroso.

Acariciou-o 
contra o peito
molhou os lábios 
e num impulso quase infantil,
matou-lhe a sede de mel.

Mudou-lhe a vida 
aquele beijo
que hoje tem lar,
 lhe ilumina o olhar
e se repete
a cada instante
em que o recorda.

Imaginou-o.
Desenhou-o.
Acariciou-o,
Bebeu-o com a calma e a ternura dos amantes em pressa.

Ah...aquele beijo tem a nossa história, escrita na memória dos dias.
Eterno,
mágico,
tão nosso...

©Graça Costa


quinta-feira, 2 de abril de 2015

PRECE


Doce a noite quando me enrosco nos teus braços.
Em paz,
a pele murmura melodias de terras distantes
e a paixão flutua por campos silvestres,
qual ave do paraíso.

Doce,
o toque dos teus dedos,
a textura quente, húmida e suave dos teus lábios
percorrendo o meu corpo como marés.

Vem, noite…
Vem testemunhar a magia destes corpos,
que de tanto se amarem  se tornaram maresia.
Vê como se mesclam com as estrelas
e sussurram ao amanhecer.

Vem…
Ouve o seu lamento gritante
o desespero da perda
e pede ao vento  que anda por perto
que lhes conceda o milagre
dos eternos retornos.


©Graça Costa


                                                                by Harding Meyer

PINCELADAS


Trago na pele
pinceladas de Agosto
tatuadas pelos teus dedos .

Na boca,
o sabor a Maio
e paisagens de Outono a dançar-me nos olhos.

Moldados pela brisa
passeiam-me pela face
sorrisos rasgado de memórias.

Dos sonhos, com travo a canela
guardo a textura dos dias passados  enleada nos teus braços,
quando o futuro era uma tela em branco
e a vida,
um diálogo sem palavras de corpos cansados.

Trago na pele pinceladas de Agosto,
carregadas de ternura e melodias de água fresca.

Bagagem doce num jardim sem tempo
ancorada nas malhas que a vida tece.


©Graça Costa


quarta-feira, 1 de abril de 2015

IN YOUR HANDS


From the mist drink your profile
serene and mild as autumn breeze,
warm and soft as the sun path from sleep

I imagine my skin sing under your touch
and I can almost feel the taste of your mouth
fire and fountain,
arbutus and honey water,
shiver and laugh.

I am clay in your hands
just boot into the bowels of the earth,
heated wine,
dormant volcano,
desire in upheaval.

You only call with glitter look.
The wind understand my smile
and takes your name to the ends of being.

I wait ...
and the waiting is sweet.


© Graça Costa


                                                                       by Saatchi

MEDO

Sinto a correr-me nas veias
o grito do silencio
sufocado nas entranhas da terra.

Pó diamante,
Carícia,
Loucura,
Vento,
Canção,
a beleza do grito do silêncio que calo
causa-me  estranheza,
quase dor,
comoção.

Com ela espalho magia,
poema, melancolia,
em fim de tarde marcado
pela fome do amor que promete.

Em noites de aurora boreal.
sinto correr-me nas veias
o grito do silêncio que pressinto nos teus olhos…
e tenho medo.

Medo que eles quebrem,
que soltem as amarras que te prendem a mim
e eu fique só
nesta luta contra o vento que galga no horizonte.

Medo que fiquem apenas as memórias…
 do grito do silêncio,
do pó,
das carícias,
da fome,
da magia.

Memórias…
partículas de sonho,
vividas sem ti.


©Graça Costa

                                                           © Jarek Kubicki ‘2014 photography,

VONTADE


Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas
uma alma secreta de murmúrios vestida
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
do seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema
que antes de o ser já dança na retina
já penetra a pele com a intensidade de um beijo
e desperta a fome do amor vivido em firmamentos distantes.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz, não seja voz
mas pele…
sedenta de outra pele.


©Graça Costa

                                                            by Jessica Durrant