quarta-feira, 1 de abril de 2015

VONTADE


Existe no silêncio
um luar de nuvens mansas
uma alma secreta de murmúrios vestida
uma doçura tamanha,
que só de o prever já me embalo
do seu sentir.

Só quem conversa com o silêncio
tem alma para sentir o poema
que antes de o ser já dança na retina
já penetra a pele com a intensidade de um beijo
e desperta a fome do amor vivido em firmamentos distantes.

Oxalá a noite me doure os sentidos,
me crave na pele a vontade de me dar
e que o canto da minha voz, não seja voz
mas pele…
sedenta de outra pele.


©Graça Costa

                                                            by Jessica Durrant

terça-feira, 31 de março de 2015

A CURVA DO FIM DA TARDE


Esperei por ti na curva da tarde
como por ti esperou a fome do sentir.

Imaginei-te a romper a neblina
lentamente, em slow motion,
saboreando cada passo que te trazia até mim.

Fechei os olhos e centrei-me nos sons,
no restolho que quebrava debaixo dos teus pés.

Mais  perto,
cada vez mais perto.
Não via , mas sentia o teu olhar preso no meu corpo
libertando-o de tudo o que te separava da minha pele.
E a pele sorria…
 o olhar vidrava
o corpo gemia no silencio da estrada.

Por fim senti-te chegar
resposta à suplica muda que te pedia o olhar.

Arrepio de alma na curva da tarde...
Deitei-me no teu colo
e deixei-me voar...


©Graça Costa


NO MEU SONO

Amanhecia,
mas  o sono tinha-se colado na pele como tatuagem.

No rosto um sorriso travesso
como se do sono nascesse serenamente o desejo de te ter.

Um fio de luz atrevido
insinuava-se ondulando no seio nu,
qual flor de luz
pedindo água dos teus lábios.

Dormia
e sorria,
como se no meu sono perfeito
estivesse o sonho perfeito
de uma noite perfeita.

Por isso te digo amor...

Não quero nem posso acordar.

Não posso...
porque sei que dentro desse sorriso,
de horas eternas
moras tu...

©Graça Costa




FICA

Sede,
fonte,
rio,
ponte,
mar,
tormenta,
fúria,
lamento.

O que sou,
nos dias em que o mar dos olhos 
me desaba no peito?

O que me diz este olhar de mão estendida?
O que me diz o coração apertado e a pele em chamas?

Vem..
preciso de colo.

Enlaça-te em mim,
sacia-me a sede,
alimenta-me o Ser

e fica...
meu farol,
minha alma, meu guia,
meu chão.

©Graça Costa


MORE THAN EVER


NÃO ESPERES


NÃO ESPERES

Não esperes pela madrugada para me amares.
Não esperes pelo amanhecer para me contemplares.
Não esperes pelo entardecer para me sorrires.

Não esperes, porque podem não chegar.
Não esperes porque não és dono do tempo
e o destino pode ter planos diferentes dos teus.

Não esperes...

Ama-me o mais que puderes
sempre que puderes,
onde puderes.

Sorri-me. como se não houvesse amanhã
e o sol morasse na minha pele.

Beija-me a pele com a ternura do amanhecer.

Toca-me com a magia das tempestades em alto mar,
fascinantes, furiosas, inconstantes, majestosas.

Mas nunca te esqueças.
Não esperes...
que o amanhã é incerto
e agora tens-me por perto
toda afecto
toda luz
toda tua.

Não esperes...


©Graça Costa


sexta-feira, 27 de março de 2015

PELE


Pele…
Nada como o toque aveludado da pele,
a forma como se arrepia ante a caricia,
como responde ao beijo lento e rastejante,
à língua quente e húmida,
ao gemido ,
ao arfar do desejo incandescente
à súplica do olhar.

Pele…
Tela de paixões inquietas
magia serena em noites calmas
ou feiticeira  dos dias que nascem sem porquê.

Pele, poema
Pele, canção
Pele, sinfonia de Outono em pleno verão.

Pele em espera.
Pele em escuta.
Pele sedenta da agua das tuas mãos.
Pequena gota de orvalho,
alimento da flor da madrugada.


©Graça Costa


BEYOND WORDS

If you say you love
please care.
If you say you care
please hug.
If you hug
do it like you really mean it.

Strong...
until you feel the heartbeat
until you breathe the same air
and your eyes melt with mine.

If you say you love me
please stay
and make smile
or weap

No...
don’t need words...

just you and I
dressed with sunshine and moonlight
whispers and caresses,
inventing a all new world of surrender
where the only language
is way beyond words.


©Graça Costa




HÁ SEMPRE UMA FLOR

Há sempre uma flor entre os escombros.

Sejam eles de vida, 
ou de pedra, 
a beleza e a doçura 
encontram sempre espaço para renascer.

Há sempre um sorriso 
a espreitar na sombra de uma lágrima
esperando o raio de sol perfeito para se mostrar.

Há sempre ses e mas
na estrada da vida
que se insinua no horizonte.

Escolhas,
promessas,
presentes,
mãos estendidas,
olhares travessos,
beijos embrulhados 
em papel de cetim.

Há sempre uma flor entre os escombros.

Papoila rubra... 
como a tua boca
precedendo o beijo,
diamante a lapidar pelo desejo.

Há sempre uma flor....

©Graça Costa


quinta-feira, 26 de março de 2015

DÚVIDA


Bom quando o sorriso se solta dos lábios
e voa directo aos teus olhos.

Bom quando o beijo ganha asas e mesmo ao de leve
consegue arrancar-te,  arrepio d’alma.

Bom quando do toque da pele nasce o rendilhado da paixão,
da brisa, a canção,
do raio de sol, a fusão dos corpos
quentes e suados como monções.

Bela a troca de olhares que todas as línguas entendem.
Belas as palavras sussurradas ao luar,
cúmplices de noites eternas
penetrando a aurora.

Contigo, 
a branda textura do amanhecer
tem brilho de diamante
e o odor de vida acabada de florir.

Contigo sou mar e chama
harmonia e desengano,
flor do campo e arvoredo.

Contigo reclamo a dúvida
e o desafio de te merecer.



©Graça Costa

                                                             watercolor by HelgaMcL