terça-feira, 24 de março de 2015

SURPRISE ME


DENTRO DE MIM

Tem dias em que viajo ao interior de mim
na esperança de encontrar a criança que fui.
Dela guardo …
tantas memorias,
algumas saudades,
pequenos  afectos,
sonhos que nunca foram pele.

Guardo também cicatrizes,
Lágrimas , sons e coragens,
Cheiros, poemas, imagens…
quase tatuagens gravadas na pele,
que ao toque recorda
a criança que fui,
a mulher que sou.

E se tivesse seguida outras estradas?
Se o acaso,
o destino
um brilho de olhar,
um sorriso,
uma qualquer pedra no caminho,
me fizesse mudar o  curso desta história
tecida a pincel
martelo e cinzel?

Com o barro dos dias
fui construindo a canção
o embalo dos dias,
a janela do coração.

E assim me tornei
maré viva,
turbilhão,
peróla,
gema,
madrugada,
solidão,
beijo,
carícia,
paixão…

Uns dias serena…
Outros dias…
Não…………


©Graça Costa

                                                 Innocence of a child, by Sandra Kuck


SENTE-ME

Percorre-me as ruas do corpo como se fosse a tua cidade.
Descobre os pormenores do lamento.
Embarca no destino que negas,
mas não podes evitar.

Sente-me…
Envolve-te no calor da pele
nos gemidos que  noite cala
mas a maresia consente
e ousa sorrir ao desconhecido
que te chama.

Ouve-me por entre o silêncio e o grito
aprende comigo o sentir sem palavras.

Inventemos uma língua nova,
serena e fluída como o brilho do olhar,
após o amor partilhado
na mudança da maré.

©Graça Costa 





segunda-feira, 23 de março de 2015

AS FAR

As far as I wake up
with the touch of your skin...
let it rain.

As far as your lips paint my body
with colorful spicy kisses
let it rain.

As far as you keep on
whispering at my ears
soft delights
and tender songs
let it rain.

As long as I'll keep on being your surrender
your dawn, sunset or rainbow,
the world can burst,
the rain may keep on falling on our naked bodies
cos I bet…
flowers will grow
straight from our skin.


©Graça Costa


TALVEZ


O aroma da terra trouxe-me à retina os dias da descoberta de ti.

Inspiro lentamente, revivendo cada segundo
e volto a sentir a cumplicidade da pele
contagiada pelo aroma das memorias...

Doce o arrepio.

Terna, a imagem distante da terra molhada,
prenúncio de vida por desbravar.

Sinto-me um pássaro
saboreando o silêncio do chilreio que nasce dentro de mim.

Melodia em fase de criação...
talvez seja isto o Amor...
talvez seja isto,
o Viver...

©Graça Costa




domingo, 22 de março de 2015

ABRAÇO

Doces, os sulcos marcados na pele trigueira;
Rugas de esperança,
plantadas pelos caminhos da dor
cansaço e maresia.

Lá longe,
no horizonte da memória
o brilho ténue de um sorriso travesso
agarrado ao  verde cristalino de um olhar perdido em sonhos de criança.

Nesse rosto quase esquecido
revisito o caminho que me levou a ti.
Na beleza sinuosa dessas rugas
volto a percorrer os sons da descoberta,
os cheiros a salva e maresia
guardados no peito
como tesouros silvestres.

Semicerro os olhos
e deixo-me envolver pelos aromas da vida.

Depois,
na placidez da tarde
enrosco-me no por do sol;
acaricio o rosto com pétalas de luz
e no aconchego do sonho,
deixo-me ir...
em direcção ao teu abraço.


©Graça Costa 


I DREAMT


SE EU PUDESSE

Se eu pudesse ser mar,
inundaria o teu chão com a força das marés.

Se eu pudesse ser lua,
faria um espelho de luz para iluminar o teu ser.

Se eu pudesse ser a chuva,
alimentaria a tua alma com a seiva mais pura.

Se eu pudesse ser fogo,
cobriria o teu corpo com o calor eterno de ternura.

Da fusão dos elementos, renasceria
qual fénix
ou qual miragem de outonos silvestres
onde morte e renascimento
se mesclam

em cada amanhecer.

© Graça Costa


A NUDEZ DAS PALAVRAS

Palavras…
embalagem dos pensamentos
sem perfumes ou laços elaborados.

Assim as prefiro,
no esplendor da sua nudez,
assim me apaixono pela singeleza do encontro das letras
que a par e passo transformo em melodias e afectos.

Assim as ofereço,
para que as possam vestir
de acordo com o sentir da noite,
do dia
ou da madrugada.

Apenas desejo,
que a ternura fale mais alto
e as adornem de sorrisos,
carícias e doces caminhadas
ao encontro das marés.


©Graça Costa


sábado, 21 de março de 2015

THIS RIVER - MY BODY

the banks of this river that is my body
are not enough to house
the unexpected love that invades me.
I hear what my body tells me
and fear takes me account of remembrance,

as if tomorrow
died
before dawn.


©Graça Costa