domingo, 22 de março de 2015

A NUDEZ DAS PALAVRAS

Palavras…
embalagem dos pensamentos
sem perfumes ou laços elaborados.

Assim as prefiro,
no esplendor da sua nudez,
assim me apaixono pela singeleza do encontro das letras
que a par e passo transformo em melodias e afectos.

Assim as ofereço,
para que as possam vestir
de acordo com o sentir da noite,
do dia
ou da madrugada.

Apenas desejo,
que a ternura fale mais alto
e as adornem de sorrisos,
carícias e doces caminhadas
ao encontro das marés.


©Graça Costa


sábado, 21 de março de 2015

THIS RIVER - MY BODY

the banks of this river that is my body
are not enough to house
the unexpected love that invades me.
I hear what my body tells me
and fear takes me account of remembrance,

as if tomorrow
died
before dawn.


©Graça Costa




sexta-feira, 20 de março de 2015

SABOREANDO A VIDA

Saboreio a vida como fruta madura.
fresca, morna ou quente
consoante a vontade, o momento, o desejo, o querer.

Mordo-a com a languidez de um sono leve
silencioso,
sussurrante,
ou com o arrebatamento
de maré viva.

Mergulhando no oceano agridoce do viver,
refaço a magia da entrega.

Como esquiço em cavalete, redesenho o amor
numa alquimia perfeita de sons , aromas e sabores.

Saboreio o amor
como saboreio a vida.
Orvalhado ou solarengo
salgado, doce ou mesclado.
em sucessivas viagens com eternos recomeços.

Neles…
 me perco e encontro,
vestida de outono
despida de mim.

Saboreio a vida
como saboreio o amor…
Fruta madura acabada de colher.
Alimento ou guloseima
partilhada naquela ténue e única dimensão
em que o amor deixa de ser palavra
e passa a ser
magia.


©Graça Costa




DEVANEIO...OU TALVEZ NÃO !

Ao longe
aquele corpo vestido de lágrima,
exibia o enigmático sorriso de madona,
meio riso, meio dor
meio palavra, meio torpor.

Verdadeiramente hipnótica
aquela visão de mulher vestida de lágrima,
qual viúva vestal
na beira da praia.

Não sei se dançava ou se chorava,
se gritava, ou se rezava.
Na verdade, nem sei sequer se existia,
ou era nuvem passando
no horizonte do dia que morria.

Aproximei-me…
A beleza singela da imagem,
colou-se-me no olhar
e invadiu-me os sentidos como calor de fogo por dentro.

Ali fiquei,
qual onda beijando a areia
olhando aquele corpo vestido de lágrima.
E de tanto olhar reconheci aquele estado de alma,
aquele rosto que espreitava pelas brumas da memória.

Vesti a lágrima…
e parti com ela,
levando comigo o enigmático sorriso de madona.

©Graça Costa  




LISTEN CAREFULLY


Listen carefully...
not only the words I say,
but also the silent ones,
the ones I speak with my eyes
my hands,
or my skin.

Listen carefully...
what my body asks from thee,
if your touch
or the fusion of souls,
if a caress,
a kiss
or simply a hug.

Listen carefully...
but if the doubts assault you,
don't you worry my love.

Just look deep in my eyes
and you'll know just what to do.


©Graça Costa




MEMÓRIAS


Trazia estampado no rosto
o sorriso dos dias claros.

Nos olhos o brilho sereno dos tempos
em que um olhar, ainda que subtil, bastava
para  gravar o momento nas paredes da eternidade.

Palavra semi ditas, ou apenas sussurradas,
faziam o coração pular como joaninhas num campo de malmequeres.

Lanche partilhados no lancil dos passeios,
tinham o esplendor de jantares à luz de velas.

Desses tempos,
em que era feliz e não sabia,
tenho armazenadas saudades,
de lugares, gentes e gestos
de aromas, fantasias, afectos.

Desses tempos ,
guardo a memoria do coração descompassado,
o sabor do beijo nunca dado
o olhar travesso do seduzido, sedutor,
o querer e o não querer ,
o desejo e o pavor de o ter.

Memórias,
tesouros guardados na gaveta do sentir,
amoras silvestres salpicadas de chocolate negro
que saboreio…
de quando em vez.

©Graça Costa 




quinta-feira, 19 de março de 2015

TURN THE LIGHTS ON

Turn the lights on, my love.
Let me see you glow,
let me see your wet lips whispering my name,
your marble breast bursting in flames
begging for my touch.

Turn the lights on my love.
Let me witness the miracle
of your angel face blushing,
by the single sight of my hands moving towards you.

Turn the lights on my love.
Let me see our bodies
melting in one another,
and the night witnessing  
while we become ONE.


©Graça Costa




MELODIA DO VENTO

O vento trouxe-me uma melodia de pranto
um medo inquieto de acordar e não te ter.

O vento trouxe-me saudades por inventar,
o desejo de que nunca venham a ser fado
e se desfaçam no caminho da brisa .

O vento, por vezes, tem sarcásticos humores
e brinca com a alma da gente,
fazendo do sofrimento,
jogo de um  xadrez
pintado a pincel,
pelas lágrimas do coração.

O vento trouxe-me uma melodia de pranto
mas eu recusei-me a entoá-la e refugiei-me no luar.

Fingi ser poeta e escrevi outra,
doce como amanhecer açucarado
pelo embalo sereno do teu respirar no meu ombro.

Finalmente …dormi...

©Graça Costa 


quarta-feira, 18 de março de 2015

THE PIANO

I heard the piano
and I began to melt.
Closed my eyes
and felt your piano hands
touching me.
Floating I was...
Did not know if my body turned a piano
a violin or the sunset,
if it became an instrument
or the music itself.
Only know that tears covered my body
like a soft tender mist
and I became the all world 
inside a piano symphony

©Graça Costa


MEDO

Sinto a correr-me nas veias
 o grito do silencio
sufocado nas entranhas da terra.

Pó diamante
Carícia,
loucura
Vento,
Canção,
a beleza do grito do silêncio que calo
causa-me  estranheza,
quase dor ,
comoção.

Com ela espalho magia,
poema, melancolia,
em fim de tarde marcado
pela fome do amor  que promete.

Em noites de aurora boreal.
sinto correr-me nas veias
o grito do silêncio
que pressinto nos teus olhos
e tenho medo.

Medo que eles quebrem,
que soltem as amarras que te prendem a mim
e eu fique só
nesta luta com o vento que galga no horizonte.

Medo que fiquem apenas as memórias…
 do grito do silêncio,
do pó,
das carícias,
da fome,
da magia.

Memórias…
partículas de sonho,
vividas sem ti.


©Graça Costa