terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

NÃO ME QUEIRAS

Não me queiras sem a minha alma desassossegada,
sem os meus medos e as minhas dúvidas.        

Não me queiras sem o mar dos olhos
com as suas marés
ora mansas , ora inóspitas
alegres ou tristes
intensas ou suaves como espuma na areia da praia.

Não me queiras sem o brilho no olhar
quando vejo um filme,
leio um livro,
ouço uma música
ou simplesmente revisito as memórias
do ontem e do outrora.

Não me querias sem as personagens que visto
quando a vida me corrói por dentro e fantasio a dor.

Não me queiras sem os sonhos que teço por entre as palavras
que me escorrem dos  dedos
prenhes de ternura e saudade,
daquilo que sou, 
que fui, ou podia ter sido.

Não me queiras sem as minhas rugas e cicatrizes.
São elas que me iluminam o Ser
e me fazem sorrir, 
quando me encontro com a mulher que sou.

Se me conseguires amar assim,
terá valido a pena
e quando chegar ao fim da estrada,
olharei para trás 
e talvez possa partir sorrindo.


©Graça Costa


A GLIMPSE OF PARADISE


A glimpse of paradise hidden within shattered dreams
that's what I found when our eyes crossed in the starry night.

Teary eyes
like pearls or diamonds
my name whispered like a prayer
and your trembling hands
when they touched my soft and tender skin.

Desire to catch the world with a poem
dressed by words not yet written
but already dreamed.

A glimpse of paradise
having me naked
using of my skin as un  unwritten sheet of paper
so full of promises.

Powerful the ink of the eyes
when made of passion and shattered dreams.


©Graça Costa

                                                              By Will Kim

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

FIM DE TARDE

Fim de tarde.
Sensação estranha de perda
como se do dia
restasse apenas o lento arrastar das horas.

Nem uma chama,
nem um sorriso,
nem uma nuvem em forma de pássaro a convidar ao sonho.

Fim de tarde inóspito,
avarento
preguiçoso
sem cor,
sem vida,
sem chama.

Procuro nos recantos da memória
a causa de dias assim.

Será tristeza?
Saudade?
Nostalgia da tua ausência?

Apressa-te fim de tarde...
abraça o sol e corre para lá do horizonte.

Deixa que do leste ou oeste distante
a noite venha com seus passos de dança lenta e insinuante.

Deixa-me fechar os olhos e adivinhar-te o chegar.
Deixa-me antecipar o calor da tua boca e o toque da tua pele.

Deixa-me agora ser triste
mas plantar o brilho no olhar.

A noite é já ali...
e tu estás a chegar.


©Graça Costa




domingo, 22 de fevereiro de 2015

OFTEN

Often we're afraid to love
cos loves hurts
and the pain is rough
like rusty barbwire.

Often we're lost in pain
and love is a senseless empty word.
Often existence is a cruel sleep and awake
with no shape or colour
with no feelings or sounds.

Often we cry
and blessed tears
that as feathers
carry the seeds
of a new beginning.

Often...
love born after tears
is the one that makes it worth the pain.

©Graça Costa




ATÉ TI

Naqueles olhos de avelã aveludada
havia sonhos de luz 
como rio batido por raio de sol em fim de tarde.

Naqueles olhos havia o brilho cristalino dos corais,
a densidade de um bolo de erva doce,
a ternura de um abraço,
a doçura de um enlaço
e a força de uma montanha rasgando o horizonte.

Naqueles olhos viajei sem destino,
eremita,
vagabunda,
alma exposta ao desafio.

Naqueles olhos me perdi,
me levantei,
caí
e neles encontrei o caminho
que me levou até ti.


©Graça Costa


A FÉNIX


Trazia no olhar o lamento das aves prevendo tormenta
e nas mãos fechadas
a esperança do ultimo raio de sol caindo sobre o mar.

Queria soltar o grito mas emudecia
deixando que ternura guardada no peito
fizesse cama no silêncio da voz.

Trazia quimeras entrançadas nos cabelos
enfeitadas de malmequeres e violetas.

Nos lábios, papoilas silvestres salpicadas de orvalho
como se tivesse sido beijada pelo amanhecer.

Olhá-la , só por si era um poema,
sinfonia, sonata, paixão.

Trazia no olhar o lamento das aves
e no corpo a magia de uma fénix
querendo voar.


©Graça Costa


A NUDEZ DAS PALAVRAS


Palavras…
embalagem dos pensamentos
sem perfumes ou laços elaborados.

Assim as prefiro,
no esplendor da sua nudez,
assim me apaixono pela singeleza do encontro das letras
que a par e passo transformo em melodias e afectos.

Assim as ofereço,
para que as possam vestir
de acordo com o sentir da noite,
do dia
ou da madrugada.

Apenas desejo,
que a ternura fale mais alto
e as adornem de sorrisos,
carícias e doces caminhadas
ao encontro das marés.


©Graça Costa


SHELTER

Lost in the horizon of dawn
our night became a shelter of treasures.
Unspoken,
unquestioned
but lived,
so intensely and so deeply
that the strength of day,
asked permission to arise
and covered our naked bodies
with the caress of hot dewy moss.

©Graça Costa



sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

PROMESSAS


Existem promessas sem voz
guardadas nos recantos da memória
que, de quando em vez, despertam do seu torpor
e reclamam vida.

Exigem afectos,
fusão de pele e paixão,
banhos de ternura envoltos na espuma dos dias.

Fogo, feitiço e maresia feitos em pedaços.
Fome de te querer sem te poder ter,
maré viva em noite de inverno
corpo em chamas,
alma em fúria,
grito suspenso na garganta.

Existem promessas sem voz
guardadas nos recantos da memória.
No peito a chave de tudo
ou o inicio de nada.

Promessas…


©Graça  Costa



































































































































































































































































































































































































































































































































































































quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

ÉPICO


Seda,
cetim,
veludo,
 brocado,
 marfim.

Não sei como dizer a tua pele.

Esse mar onde me perco e me encontro,
onde me invento e descanso.
Essa pele que me fala,
mansa e docemente numa língua por inventar
mas que me entende e responde
com a languidez do olhar.

Não sei como dizer o teu aroma de jardim silvestre,
mar revolto,
terra lavrada,
oriente mágico, quase alucinante.

Não sei…
Mas sinto o épico desta sensação
de te saborear...
sem  ter que te dar um nome.


©Graça  Costa